Legislativas 2022. Catarina Martins defende que "BE como terceira força política é fundamental" para o país

por RTP
As eleições legislativas decorrem já no próximo dia 30 de janeiro. André Kosters - Lusa

Catarina Martins assegura que manter o Bloco de Esquerda como terceira força política do país é a única forma de debater as matérias mais importantes para os portugueses, sendo ainda uma "lição à extrema-direita" e um modo de "não premiar a arrogância de António Costa". Em entrevista à RTP, a líder partidária disse ainda que a ideia de um Bloco Central é "ficar tudo na mesma".

Com eleiçoes legislativas à vista, a intenção do Bloco de Esquerda é manter-se como terceira força política e aumentar o grupo parlamentar, avançou esta quinta-feira a coordenadora do partido.

“Um Bloco de Esquerda como terceira força política era uma garantia, por um lado, de haver força à esquerda para debater matérias tão fundamentais como os salários, a saúde, os serviços públicos, a resposta climática”, mas também para “dar uma lição à extrema-direita” e para afastar a ideia de um Bloco Central, que “nunca trará nenhuma solução para o país, só trará mais problemas”, defendeu Catarina Martins.

Além disso, “quem não quer premiar a arrogância de António Costa, que quis ir a eleições para ter uma maioria absoluta, sabe que conta como Bloco de Esquerda para todas as soluções que contam na vida das pessoas”, acrescentou a bloquista.

Questionada sobre se o BE está preocupado com as sondagens que sugerem que o Chega passará a terceira força política no país, Catarina Martins diz confiar nas pessoas que “acreditam na democracia” e que querem distância da “extrema-direita”.

Para a coordenadora do BE, a ideia de Bloco Central é “ficar tudo na mesma”, não sendo muito diferente de uma maioria absoluta do Partido Socialista. Catarina Martins vê como incompatível que o Bloco Central resolva, por exemplo, os problemas do Serviço Nacional de Saúde, uma vez que o PSD “quer privatizá-lo”.
Novo Banco “deveria ser um banco público”
Ainda sobre o SNS, o BE diz não caber ao Estado acabar com esse mecanismo “e pôr-nos nas mãos dos privados”, algo que diz estar a acontecer neste momento, um problema de má finança que se manifesta também no próprio SNS, onde se gasta dinheiro ao não resolver o problema da progressão das carreiras.

Catarina Martins referiu também que o Bloco nunca propôs que se acabe toda a contratualização com privados e que todas as pessoas tenham de ir para o SNS, o que seria “impossível”.

Sobre a banca, a líder bloquista sublinhou que “temos colocado milhares de milhões de euros nos bancos”, sendo que “o Novo Banco não devolve um tostão do que recebeu, nem devolverá”.

Por essa razão, o partido defende que o Novo Banco “deveria ser um banco público”. Para a deputada bloquista, “todo o dinheiro que nós metemos nos bancos” devia dar direito ao Estado de ter valer parte da decisão que esses bancos tomam.
Estratégia Nacional Anticorrupção “podia ter ido mais longe”
Na entrevista à RTP3, Catarina Martins considerou importante que a Estratégia Nacional Anticorrupção tenha sido promulgada pelo Presidente da República, mas admitindo que o Bloco de Esquerda continua com “algumas dúvidas” quanto à sua eficácia, por haver “matérias em que se podia ter ido mais longe”.

“É incompreensível que possamos continuar a ter no Parlamento deputados que estão a uma hora a fazer uma lei e, na hora seguinte, na sua consultora financeira [estejam] a ajudar empresas a fugir aos impostos que acabaram de legislar”. É “um conflito de interesses permanente e que não deve acontecer”.

Lamentou assim que haja “uma parte da legislação que é feita para premiar o crime financeiro e o crime económico”, abrindo “alçapões na lei”, nomeadamente no caso do recurso a offshores.

“Não há nenhuma boa razão para se recorrer a um offshore”, defendeu a líder partidária, esclarecendo que só há duas razões para que se recorra a tal: ou para fugir aos impostos ou para fugir à lei.

Por essa razão, o Bloco de Esquerda propõe a adoção de um quadro legal de tolerância mínima ao recurso a estas jurisdições.

As eleições legislativas decorrem já no próximo dia 30 de janeiro, depois de terem sido antecipadas pelo Presidente da República após o chumbo do Orçamento do Estado no Parlamento.
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