Luís Paixão Martins. "Montenegro é uma noz apertada entre Seguro e Ventura"

Luís Paixão Martins ironiza e considera "notável" que haja "pessoas no PSD, na direção do PSD, que, perante um candidato que diz o objetivo nestas eleições é dominar a direita, acham que isso não é um perigo. É uma coisa que até me faz um bocadinho de impressão".

Andreia Brito com Natália Carvalho /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista ao podcast da Antena 1, “Política com Assinatura”, o consultor de comunicação estratégica e política, com experiência em campanhas eleitorais e aconselhamento a líderes políticos, questiona “como é que as pessoas não percebem que Luís Montenegro e o PSD são uma noz apertada dos dois lados, à esquerda e à direita? E não é um problema para a noz?”.

Paixão Martins deixa o cenário: “se os dois (Seguro e Ventura) crescerem e se Seguro corresponder a uma alma nova da esquerda, quem sofre com isso é o PSD”.

Fica a governar, em minoria, com dois blocos que vão em crescimento”, e isso, para Luís Paixão Martins, é uma espécie de “tempestade perfeita” para Luís Montenegro.
Ventura: “conversa muito radical para quem quer ser Presidente da República”
Prestes a iniciar-se a campanha para a segunda volta, Luís Paixão Martins prevê que Seguro vai querer alargar a base eleitoral e Ventura vai querer aprofundar essa base, ou seja, o líder do Chega vai querer “radicalizar o eleitorado do qual é proprietário”, explica.

Na opinião do consultor de comunicação estratégica e política, “só temos um candidato presidencial na segunda volta, que é António José Seguro, e depois temos um candidato a querer ser o líder da Direita, que é André Ventura”.

Acrescenta que o líder do Chega “pôs no mesmo saco o PS e o PSD”. E defende que “isto não é de quem quer alargar a base eleitoral”.

Isto é uma conversa muito radical para quem quer ser Presidente da República”, afirma.
“Governo conseguiu criar uma rejeição própria”
Luís Paixão Martins considera que os votos, na primeira volta, em Seguro e Ventura demonstram que o “Governo conseguiu criar uma rejeição própria”.

O consultor de comunicação estratégica e política fala de duas surpresas na primeira volta: “a reabilitação eleitoral do Partido Socialista junto dos jovens (..) e a reabilitação ou habilitação do Chega a norte do país”. E conclui que “isso só se explica por desapontamento em relação ao Governo”.

Paixão Martins relembra que “normalmente na primeira volta escolhemos quem queremos e na segunda volta rejeitamos quem não queremos”.

Desta vez, diz, “o que parece ter acontecido (na primeira volta) foi uma exclusão antecipada. Parte da conversa que devia ser feita na segunda volta, foi feita na primeira volta”.
Nesta entrevista à editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, Luís Paixão Martins refletiu sobre as estratégias de comunicação dos diversos candidatos ao longo da primeira volta das eleições presidenciais.

Na sua opinião, e apesar de não ter saído “do que era esperável”, André Ventura, diz, “esteve bem”, até porque “tem o monopólio dos ressentidos”.

Defende ainda que "tivemos duas campanhas que correram muito mal a de Luís Marques Mendes e a de Henrique Gouveia e Melo”.

Para Paixão Martins a pior campanha “da nossa Democracia” foi a do Almirante porque "não percebeu que uma coisa é ter notoriedade e outra coisa é ter capital eleitoral”.

Sobre Marques Mendes diz que “correu tudo mal” na campanha, e destaca o facto de o antigo líder do PSD “estar preso ao seu posicionamento político” e ser visto, por causa disso, como “um porta-voz do Governo”.

E conclui que "depois tivemos duas campanhas que correram muito bem, a de António José Seguro e a de João Cotrim de Figueiredo”.

Entrevista conduzida pela editora de política da Antena 1, Natália Carvalho.
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