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Manifesto dos 50 responsabiliza Ministério Público pela queda de dois governos

Manifesto dos 50 responsabiliza Ministério Público pela queda de dois governos

Nos 50 anos da democracia, 50 personalidades da sociedade e política portuguesa - entre as quais Augusto Santos Silva, Eduardo Ferro Rodrigues, Rui Rio, David Justino, Vítor Constâncio e José Pacheco Pereira - subscrevem um manifesto que denuncia a atuação "perversa" da justiça e exige uma "reforma" em "defesa do Estado de Direito democrático". Os 50 signatários apontam "falhas" no setor e responsabilizam o Ministério Público pela "queda de duas maiorias parlamentares resultantes de eleições recentes", relativas ao Governo de António Costa e ao Governo Regional da Madeira.

RTP /
Miguel A. Lopes - Lusa

O manifesto "Por uma reforma da Justiça em defesa do Estado de Direito Democrático", divulgado esta sexta-feira, enumera ao longo de dez pontos “falhas” do sistema da Justiça em Portugal que “em nada são compatíveis com o Estado de Direito Democrático” e apela a uma “atitude pró-ativa” do poder político para concretizar uma verdadeira reforma no que consideram ser o “setor do poder público que mais problemas tem vindo a evidenciar”.

“Os signatários instam o presidente da República, a Assembleia da República e o Governo, bem como todos os partidos políticos nacionais a tomarem as iniciativas necessárias para a concretização de uma reforma no setor da Justiça”
, pode ler-se no documento.
"Indevida interferência no poder político"

Além da morosidade, das quebras do segredo de justiça e dos graves abusos na investigação penal, o manifesto denuncia a atuação “perversa” da justiça, "com contornos mais políticos do que judiciários" na “montagem do já habitual espetáculo mediático nas intervenções do Ministério Público contra agentes políticos”.

Mas também a “prolongada passividade” dos responsáveis políticos perante esta “iníqua realidade” que “permitiu que tivéssemos atingido o penoso limite de ver a ação do Ministério Público produzir a queda de duas maiorias parlamentares resultantes de eleições recentes”.
Os 50 subscritores do manifesto consideram “inconcebível” que, mesmo tendo decorrido “longos cincos meses” entre o ex-primeiro-ministro, António Costa, se ter demitido na sequência do comunicado da Procuradoria-Geral da República e a sua cessação de funções.  "O Ministério Público nem sequer se dignou informá-lo sobre o objeto do inquérito nem o convocou para qualquer diligência processual", acusam.
Porta aberta ao "populismo e demagogia"

Várias personalidades da política portuguesa, incluindo os anteriores presidentes da Assembleia da República Eduardo Ferro Rodrigues e Augusto Santos Silva, mas também o ex-líder do PSD, Rui Rio e o antigo governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, alertam para o perigo do desgaste no regime que "reforça o descontentamento popular e abre as portas ao populismo e à demagogia".

Nos 50 anos de democracia portuguesa, os signatários salientam que é necessário “reconhecer de forma digna e leal o que a está a fragilizar” e “ter a coragem e a vontade de mudar”.

Sublinhando a necessidade de respeito integral pela independência dos tribunais e a autonomia do Ministério Público, os subscritores defendem a implementação de mecanismos de "escrutínio externo" das magistraturas, que envolva a Assembleia da República, e a responsabilização de cada nível hierárquico do Ministério Público.
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