Política
Mário Soares instado a esclarecer se votou para reeleger Eanes
O antigo presidente da República, Mário Soares, declarou ontem num debate com os seus pares - Eanes e Sampaio - que fazia um balanço globalmente positivo das duas presidências eanistas e que, em ambas as eleições ganhas por Eanes, votou por ele. O problema é que Soares dissera, numa ocasião anterior, que não votou por Eanes na segunda eleição deste.
A contradição foi assinalada pelo freelancer Frederico Duarte de Carvalho, que enviou um pedido de esclarecimento à Fundação Mário Soares, para o qual aguarda resposta. Nesse pedido de esclarecimento, o jornalista começa por registar a afirmação ontem produzida por Soares, segundo a qual votou duas vezes no general Ramalho Eanes.
E prossegue: "Como o general só foi a eleições por duas vezes e em ambas foi sempre eleito à primeira volta, deduz-se que o Dr. Mário Soares votou sempre no general Ramalho Eanes nas únicas eleições por este disputadas para a presidência: 1976 e 1980". Mas aqui surge a dúvida, porque "no segundo volume das entrevistas com a jornalista Maria João Avillez, 'Democracia', o Dr. Mário Soares disse que, em 1980, votou no general Galvão de Melo".
Na verdade, a versão que Mário Soares apresentou a Maria João Avillez era coerente com a visão muito crítica que a certa altura manifestou sobre determinados aspectos da política eanista e que o levou a pôr em causa o apoio do PS à reeleição do general. O PS acabou por apoiar a reeleição, mas Soares não fez segredo do seu desagrado por essa opção. Se votou em Galvão de Melo (sic) como voto de protesto, isso terá constituído uma entorse à sua habitual solidariedade com o PS, mas não constitui motivo de estranheza para quem conheceu na altura as suas expressões de desagrado.
As prevenções de Soares na altura contra o segundo mandato de Eanes acabaram por ver-se confirmadas - e confirmar o conhecido olfacto político de Soares -, quando, em 1985, terminado o segundo mandato de Eanes, surgiu o Partido Renovador Democrático (PRD), claramente sob a inspiração do presidente cessante. E esse PRD, de curta duração, obteve em 1985 um resultado eleitoral fulgurante (quase 18%), condenando aí o PS à sua pior votação de sempre. O PRD passou mais tarde para o controlo de activistas de extrema-direita e o seu registo legal passou para o actual PNR.
Por outro lado, a versão que Soares hoje apresenta sobre as duas vezes que terá votado em Eanes é coerente com o balanço globalmente positivo que faz das duas presidências do general - algo que, na voz de um político como Soares não pode considerar-se uma desatenção, visto que esta recente revalorização de Eanes lhe serve, por contraste, para acerar as suas críticas à presidência de Cavaco.
No entanto, sendo ambas as versões coerentes em dois momentos diferentes, não podem as duas constituir verdade histórica. Pelo que se aguarda o esclarecimento em boa hora pedido por Frederico Duarte Carvalho.
E prossegue: "Como o general só foi a eleições por duas vezes e em ambas foi sempre eleito à primeira volta, deduz-se que o Dr. Mário Soares votou sempre no general Ramalho Eanes nas únicas eleições por este disputadas para a presidência: 1976 e 1980". Mas aqui surge a dúvida, porque "no segundo volume das entrevistas com a jornalista Maria João Avillez, 'Democracia', o Dr. Mário Soares disse que, em 1980, votou no general Galvão de Melo".
Na verdade, a versão que Mário Soares apresentou a Maria João Avillez era coerente com a visão muito crítica que a certa altura manifestou sobre determinados aspectos da política eanista e que o levou a pôr em causa o apoio do PS à reeleição do general. O PS acabou por apoiar a reeleição, mas Soares não fez segredo do seu desagrado por essa opção. Se votou em Galvão de Melo (sic) como voto de protesto, isso terá constituído uma entorse à sua habitual solidariedade com o PS, mas não constitui motivo de estranheza para quem conheceu na altura as suas expressões de desagrado.
As prevenções de Soares na altura contra o segundo mandato de Eanes acabaram por ver-se confirmadas - e confirmar o conhecido olfacto político de Soares -, quando, em 1985, terminado o segundo mandato de Eanes, surgiu o Partido Renovador Democrático (PRD), claramente sob a inspiração do presidente cessante. E esse PRD, de curta duração, obteve em 1985 um resultado eleitoral fulgurante (quase 18%), condenando aí o PS à sua pior votação de sempre. O PRD passou mais tarde para o controlo de activistas de extrema-direita e o seu registo legal passou para o actual PNR.
Por outro lado, a versão que Soares hoje apresenta sobre as duas vezes que terá votado em Eanes é coerente com o balanço globalmente positivo que faz das duas presidências do general - algo que, na voz de um político como Soares não pode considerar-se uma desatenção, visto que esta recente revalorização de Eanes lhe serve, por contraste, para acerar as suas críticas à presidência de Cavaco.
No entanto, sendo ambas as versões coerentes em dois momentos diferentes, não podem as duas constituir verdade histórica. Pelo que se aguarda o esclarecimento em boa hora pedido por Frederico Duarte Carvalho.