Mendes, "candidato da defesa de democracia", aperta o cerco a Cotrim, o candidato "radical"

A notícia chegou já Luís Marques Mendes visitava, de manhã, a Feira de Paredes, no distrito do Porto. O adversário liberal, João Cotrim de Figueiredo, teria dito que não exclui apoiar André Ventura numa segunda volta das eleições presidenciais.

Inês Ameixa /

Foto: Miguel A. Lopes, Lusa

A reacção não tardou a surgir, em declarações aos jornalistas, esta segunda-feira: "Cotrim de Figueiredo, ao dizer o que disse, está no fundo a reconhecer que não vai à segunda volta", defendeu Marques Mendes, para logo depois concluir que o adversário está a reconhecer que um voto na candidatura apoiada pela Iniciativa Liberal é "um voto inútil".

Mas as críticas mais duras chegaram já ao final do dia desta segunda-feira. Num comício em Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real, Marques Mendes limou o discurso, afirmando que as declarações do adversário liberal são "a grande surpresa e a grande contradição" do dia. Diz que "andaram durante uma eternidade a dizer que eram diferentes do Chega até ao momento em que disseram que estariam ao lado do Chega", em referência à Iniciativa Liberal. "Disseram-nos que era a direita liberal e afinal parece que são a direita radical", acusou. 

Para Marques Mendes, estas declarações "aumentam a responsabilidade" da sua candidatura a Belém. Ao longo da campanha, o candidato apoiado pela AD tem afirmado que é o candidato "da estabilidade" e da "moderação", mas agora acrescenta que é o candidato da "defesa da democracia". O pretexto perfeito para piscar o olho ao eleitorado do centro: "Para os moderados, do centro direita ou do centro esquerda, eu estarei aqui sempre como referencial da defesa de um Portugal livre, plural e democrático", afirmou Marques Mendes para uma plateia visivelmente entusiasmada e que já grita "vitória".

"Não falta uma semana, faltam quatro semanas", garante Mendes

De resto, Marques Mendes continua a garantir que o cenário é apenas um: passar à segunda volta e depois vencer as eleições. Não há outro plano: "Não falta uma semana, faltam quatro semanas", disse, em referência à campanha que terá de fazer se passar à segunda volta, que culmina com eleições a 8 de Fevereiro. "Estou preparado para a segunda volta, para a parte em que vou ter de fazer um debate com o meu adversário, a parte em que vou visitar o país".

Na Feira de Paredes, Marques Mendes cumprimentou feirantes e ouviu palavras de apoio. A Saúde mantém-se um dos temas principais quando é confrontado ("quero um médico [de família] só para mim") e, desta vez, também os impostos, com uma popular a perguntar se o candidato a Belém "vai descer os impostos".

A caravana do candidato apoiado pela AD seguiu para um encontro com estudantes universitários e um almoço na cantina da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. A que se seguiu um comício com apoiantes na Santa Casa da Misericórdia de Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real.
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