O denúncia de assédio e os cenários da segunda volta: o dia que abalou a campanha de Cotrim

Primeiro foram as declarações sobre a segunda volta, depois a denúncia de assédio que começou a circular nas redes sociais. A campanha de João Cotrim de Figueiredo - que antes, nas palavras dele, estava a atravessar um "momentum", um ponto de força e de progresso - sofreu hoje um revés. Foi um dia negro para o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal.

Oriana Barcelos /

Foto: Miguel Pereira da Silva, Lusa

A tarde de Cotrim de Figueiredo só tinha um ponto de agenda, na UBI Medical, na Covilhã, mas a visita acabou por ser obliterada pela acusação de assédio sexual de uma antiga funcionária do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal. Nessa queixa - um texto que está a circular nas redes sociais - a mulher revela comentários e uma conduta alegadamente imprópria do candidato. 

O liberal nega tudo. Questionado pelos jornalistas, Cotrim de Figueiredo fala em mentiras e em jogo político. "É completamente falso. Perguntem a qualquer uma das dezenas de mulheres que trabalharam comigo ao longo destes anos se têm alguma razão de queixa, incluindo as mulheres que trabalharam comigo na mesma altura dessa senhora. Sobre esse assunto não vou dizer mais nada. É claro, da minha parte, que é completamente falsa essa alegação. Ficou claro? Uma pessoa que é acusada desta maneira, sem ter qualquer hipótese de poder responder na mesma moeda, só tem uma hipótese: negar, negar, negar e pôr um processo por difamação", afirmou o candidato.

"Há política, há política suja e depois há isto. É absolutamente inadmissível, não percebo como é que em Portugal ainda há gente que acha que consegue fazer política desta maneira e isso só acontece porque, de facto, há gente com medo, com surpresa de eu estar a crescer. Não nos vão amedrontar, vou até ao fim para apurar quem pôs isto a circular e porque é que mente desta forma descarada", acrescentou.

A tarde foi turbulenta para Cotrim de Figueiredo, mas já a manhã se tinha revelado agitada, por conta das declarações sobre André Ventura e os cenários pós 18 de janeiro. Questionado sobre quem apoiaria, caso não seguisse para a segunda volta, o candidato liberal não excluiu nenhuma hipótese - e essa afirmação sacudiu o dia dos presidenciáveis. À pergunta "votará em qualquer candidato contra António José Seguro", Cotrim respondeu "não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda sobre que candidatos vamos estar a falar". E disse mais: "o André Ventura dos últimos quatro dias eu não conheci". O que é que isso quer dizer? "Quer dizer que moderou o discurso e parece, esse sim, um político diferente". Mas admitiria votar em André Ventura, se fosse contra Seguro? "Teria de fazer uma reflexão muito grande, não excluo ninguém". Tem perfil para Presidente da República, André Ventura? "Não excluo ninguém, nesta altura".

À tarde, o candidato liberal tentou retratar-se, num vídeo publicado nas redes sociais. "Eu disse que votaria André Ventura? Não disse. Fui pouco claro, assumo. Eu gosto sempre de responder às perguntas dos jornalistas. O que eu disse é que não me comprometia com o apoio a nenhum candidato na segunda volta. É óbvio que não quero André Ventura como Presidente da República. Eu acredito que quem vai à segunda volta somos nós", escreveu no Instagram.

João Cotrim de Figueiredo tem desaconselhado o voto no candidato apoiado pelo Chega - diz que votar em André Ventura é eleger António José Seguro, dada a taxa de rejeição de Ventura. Hoje, no mercado do Fundão, falou, sem nomear, dos candidatos que "só berram e não apresentam soluções". Isso já foi depois de uma conversa com a vendedora Belmira, que começou irritada, a falar de imigrantes, e que acabou a prometer o voto em Cotrim: "Deus queira que você ganhe, dou uma esmola à nossa senhora de Fátima". Para Cotrim, tudo estará bem, se acabar bem.
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