Octávio Teixeira defende que BES mostra que banca não deve estar no privado

Octávio Teixeira defende que BES mostra que banca não deve estar no privado

No Conselho Superior da Antena 1 desta manhã, Octávio Teixeira afirma que o caso do Banco Espírito Santo (BES) não é isolado, registando-se situações semelhantes em todo o mundo. O economista considera por isso que a banca comercial “não deve ser deixada nas mãos do setor privado”.

Sandra Henriques /

Foto: Antena 1

“A moeda e o crédito são bens públicos essenciais para a economia e a sociedade”, considera Octávio Teixeira, acrescentando que “a alegada superioridade da gestão privada em relação à gestão pública é uma patranha, que no caso concreto da banca serve para permitir a fuga e lavagem de capitais – muitos deles de origem criminosa –, a burla, a fraude fiscal e a corrupção”.

O antigo líder parlamentar do PCP advoga que “o que se está a passar com o BES não é resultado de má gestão de um banco”, mas sim “o resultado do enquadramento do setor financeiro com a ‘financeirização’ da economia, a insuficiência ou falta de regulação do sistema, a permissão de integração da banca comercial com a banca de investimento financeiro, a livre circulação de capitais de curto prazo que promove e sustenta a especulação financeira, e a permissão de paraísos fiscais, que permite encobrir praticamente tudo”.

“A situação do BES é em primeiro lugar uma consequência inevitável do sistema financeiro e do seu funcionamento, e só depois uma questão de gestão danosa e criminosa, um caso de polícia”, argumenta Octávio Teixeira, ouvido pelo jornalista Nuno Rodrigues nesta que foi a sua última análise como comentador do Conselho Superior da Antena 1.

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