Parlamento vai ouvir ministro da Defesa e Chefe do Estado-Maior do Exército sobre Tancos

A comissão parlamentar de Defesa aprovou esta terça-feira as audições do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, e do Chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte. O objetivo é obter esclarecimentos urgentes sobre o furto de material de guerra em Tancos. As audições devem acontecer esta semana.

RTP /
António José - Lusa

As audições foram requeridas por PSD e CDS-PP e reuniram o consenso de todas as bancadas na reunião da comissão de Defesa. Os deputados avaliam como "muito grave" o furto de armamento da base de Tancos.

A audição de Azeredo Lopes deverá realizar-se à porta aberta. Mantém-se, no entanto, a possibilidade de fechar a reunião à comunicação social, caso se verifique alguma razão para tal.

Estas condições foram elencadas durante a tarde pelo presidente da Comissão de Defesa, o social-democrata Marco António Costa.


O CDS-PP criticou o que considerou ser a demora do Governo em prestar esclarecimentos.

Duranta a reunião, o deputado do PSD Bruno Vitorino sublinhou que o furto nas instalações militares de Tancos é um caso "sem paralelo" e que prejudica a credibilidade do país, indiciando uma tipologia de crime "muito complexa com consequências inimagináveis".
"Revolta"
O presidente da comissão parlamentar de Defesa Nacional afirmou compreender a "revolta" de "muitos oficiais". Ao mesmo tempo apelou para que "sejam contidas" todas as ações de protesto.

"Compreendo que haja da parte de muitos senhores oficiais das Forças Armadas um sentimento de alguma apreensão e até revolta. Os acontecimentos têm-se sucedido sem uma explicação lógica entre si, mas o Parlamento contribui sempre de forma serena e responsável para a manutenção de uma ordem institucional absolutamente impecável", disse Marco António Costa.

Oficiais do exército na reserva e na reforma preparam-se para levar por diante, na quarta-feira, um protesto simbólico junto ao Palácio de Belém, no que descrevem como um gesto de solidariedade para com os cinco comandantes temporariamente exonerados. A edição online do jornal Expresso noticiava ontem que a ação passaria pela deposição de espadas à porta da residência oficial do Comandante Supremo das Forças Armadas.

"Nunca se perca de vista que as Forças Armadas são um símbolo importante da unidade do Estado português", vincou o deputado laranja.

"Peço por isso e apelo a que sejam contidas todas as manifestações, que se aguarde que o senhor Presidente da República e o Governo conduzam com a responsabilidade institucional que cabe a cada um este assunto que é da máxima gravidade", rematou.

c/ Lusa

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