Partido da Terra assume-se como único defensor da "política de ecologia"

por Lusa

O Partido da Terra (MPT) apresenta-se eleições com um programa centrado numa "verdadeira política de ecologia e humanismo", que considera ser a "única" que serve o país e que aposta na ecologia, na saúde, na transparência e na igualdade.

"O nossa caminho é o mesmo que trilhamos há quase 30 anos: queremos levar ao Governo uma verdadeira política de ecologia e humanismo", disse o presidente do partido à agência Lusa, considerando que no parlamento "não há ninguém" que defenda essas questões.

Pedro Soares Pimenta, que se definiu como "um presidente atípico", porque não é um político, garantiu que o principal objetivo do partido, "cuja matriz principal se situa no centro-direita", é ver "os problemas do país resolvidos".

Na área ambiental, o MPT defende no seu programa, recentemente divulgado, a necessidade de uma posição firme do Governo em relação à posição da União Europeia (UE) de manter a energia nuclear como energia verde, e considera essencial uma renegociação da convenção de albufeira para defesa do rio Tejo.

Pedro Soares Pimenta considerou que no início o PAN, que "roubou" algum eleitorado ao MPT, foi "uma esperança", mas referiu que, a partir de certa altura, o partido liderado por Inês Sousa Real "não fez o trabalho que lhe competia e os ideias desvaneceram-se".

O MPT, que se apresenta a votos nos 22 círculos eleitorais, considera essencial uma requalificação e modernização do parque hospitalar e a criação de melhores condições para os profissionais da área, nomeadamente médicos e enfermeiros.

"O Sistema Nacional de Saúde (SNS) trabalha e trabalha bem, mas só acontece devido ao profissionalismo de todos os que o integram", referiu Pedro Soares Pimenta, considerando que a "modernização e a rentabilização são essenciais".

O partido, fundado em 1993, aposta também na revisão do código penal por entender que "as leis atuais deixam uma porta aberta para que os ricos se safem sempre".

"É precisa uma verdadeira alteração ao código penal, e este deve ser um trabalho que envolva os partidos e sociedade civil", afirmou o presidente do MPT.

Pedro Soares Pimenta defendeu também a necessidade de integrar a diáspora nos processos eleitorais, considerando essencial a realização de censos aos portugueses que vivem no estrangeiro.

"Há números que indicam que cerca de cinco milhões de portugueses, e desses apenas um milhão está recenseado", afirmou o líder do MPT, defendendo também uma revisão do número deputados eleitos pelos círculos fora do país.

O Partido da Terra entende que a gestão da pandemia de covid-19 "foi mal feita desde o início", com o Governo "a ir sempre a reboque dos outros", e a colher frutos de um trabalho que não fez.

"O Governo não soube fazer a gestão da pandemia. Tiveram de ir buscar um militar [para gerir o processo de vacinação] para resolver parte do problema, e depois vêm dizer que fizeram isto e aquilo", afirmou o líder do MPT.

Pedro Soares Pimenta, que assumiu a presidência em 2020, considerou que a crise política que precipitou as eleições de 30 de janeiro "foi planeada".

"Tudo o que foi apresentado no Orçamento de Estado, que foi chumbado, era exequível. Houve falta de responsabilidade do Governo e dos seus parceiros, mas também do Presidente da República", afirmou.

O partido, que em 2019 teve 12.952 votos (0,25%), depois de ter conseguido 22.596 (0,42%) em 2015, considera que um bom resultado nas próximas eleições "será tudo o que esteja acima dos 13.000 votos.

"Nas legislativas de 2019, apareceram atores novos -- o Chega, o Iniciativa Liberal e o Aliança -- que nos `roubaram` votos, afirmou Pedro Soares Pimenta, considerando que algumas vezes, a mensagem do partido "não passa".

O presidente assegurou que o partido vai fazer campanha "com orçamento zero" apostando na "perseverança e muita teimosia dos seus candidatos e militantes".

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