Paulo Rangel não se candidata à liderança do PSD

Paulo Rangel não se candidata à liderança do PSD

Paulo Rangel colocou esta sexta-feira de parte uma candidatura à liderança do PSD pós-Pedro Passos Coelho, invocando "razões familiares". O eurodeputado agradece os apoios recebidos e afiança que terá uma postura de neutralidade durante este processo de sucessão.

Carlos Santos Neves - RTP /
Rangel deixa palavras de agradecimento pelas manifestações de apoio, que, afirma, “muito” o “sensibilizaram” Nuno Veiga - Lusa

“Perante o inesperado anúncio do atual presidente do PSD de que não se candidataria a um novo mandato à frente do Partido, subitamente e sem que tivesse existido da minha parte qualquer manifestação de disponibilidade nesse sentido, o meu nome começou a surgir como uma possibilidade, entre outras”, lê-se numa nota de sete pontos do eurodeputado social-democrata, à qual a RTP teve acesso. 

Paulo Rangel escreve em seguida que levou em linha de conta a “surpreendente dimensão que foram assumindo os apelos e os apoios a essa possibilidade de candidatura”. Com Paulo Rangel e Luís Montenegro autoexcluídos, subsistem, entre as potenciais candidaturas aventadas nos últimos dias, os nomes de Rui Rio, que deverá avançar esta semana, Pedro Santana Lopes e André Ventura.

O que o levou a “dar início a um período de reflexão e de contactos, que se afigurou mais longo do que gostaria, com vista a tomar uma decisão ponderada e fundamentada”.

A decisão é agora tornada pública: “Infelizmente, e independentemente das condições políticas subsistentes, por razões de ordem familiar, que tentei solucionar ao longo dos últimos dois dias, nas atuais circunstâncias, afigura-se inviável a apresentação dessa candidatura”.

No mesmo texto, Rangel deixa palavras de agradecimento pelas manifestações de apoio, que, afirma, “muito” o “sensibilizaram”.

“Na certeza de que o meu partido dispõe de quadros que, tendo até melhores condições políticas do que aquelas que eventualmente eu seria capaz de reunir, podem assegurar uma pluralidade de opções para o seu futuro, declaro que não sou candidato à liderança do PSD”, escreve.

“Manterei naturalmente uma neutralidade relativamente a essas eventuais candidaturas”, garante o antigo líder parlamentar do PSD, antes de concluir: “E continuarei integralmente disponível para servir o país e o partido, colaborando estreitamente com o atual e com futuros presidentes e com os órgãos dirigentes que os acompanham”.
Depois de Montenegro
A notícia do posicionamento de Paulo Rangel é conhecida menos de 24 horas depois de Luís Montenegro, outro potencial candidato à presidência do PSD, ter também dado um passo atrás. Montenegro invocou, por sua vez, “razões pessoais e políticas”.

“A apresentação de uma candidatura à liderança do Partido Social Democrata é uma prerrogativa que assiste a qualquer militante no pleno exercício dos seus direitos estatutários. Após a reflexão que fiz entendo que, por razões pessoais e políticas, não estão reunidas as condições para, neste momento, exercer esse direito”, referia nas últimas horas, em comunicado, Luís Montenegro.

À semelhança de Rangel, o deputado laranja agradeceu “todas as opiniões, contributos, manifestações de apoio e incentivo”.

Montenegro considerou necessário que o PSD “não fulanize o debate interno” e seja capaz de discutir ideias e projetos. Isto porque, na perspetiva do ex-líder parlamentar social-democrata, o país é “dirigido por uma maioria de esquerda que não tem uma visão estratégica” e não vê “limites à sua ânsia de poder”.

O parlamentar quis deixar claro que não apoiará qualquer candidatura à liderança, prometendo “total equidistância”.

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