PCP acusa Governo de querer desmantelar SNS e estar desligado da realidade

O secretário-geral do PCP acusou hoje o Governo de estar apostado em "desmantelar o Serviço Nacional de Saúde" (SNS) e em fazer da saúde "um grande negócio para um conjunto pequeno de grupos privados".

Lusa /

"O Governo está apostado, de facto, em desmantelar o Serviço Nacional de Saúde e em fazer da saúde um grande negócio para um conjunto pequeno de grupos privados. E, portanto, introduz nesta discussão a ilusão, a propaganda, a roçar a mentira", afirmou Paulo Raimundo à agência Lusa.

O secretário-geral comunista referia-se às declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que defendeu hoje que há uma "perceção de caos" no SNS, mas que "isso não é a realidade", argumentando que os tempos de espera nos hospitais "são os melhores dos últimos cinco anos".

Para Paulo Raimundo, que falou à Lusa durante uma ação de contacto com trabalhadores da Cerealto, em Sintra, no distrito de Lisboa, o Governo está "desligado completamente da realidade daqueles que procuram no SNS aquilo que exigem e têm direito, que é o acesso à saúde".

"São um conjunto de expressões fora da realidade, mas que acompanham todo este trajeto do Governo em todas as áreas: é na saúde, é na habitação, é na realidade da vida", enumerou.

O secretário-geral do PCP salientou que o executivo liderado por Luís Montenegro "pode inaugurar as sedes que quiser" e "aguentar a ministra" Ana Paula Martins "até à Lei de Bases da Saúde andar para a frente", mas não pode "relativizar os casos concretos".

"E os casos concretos são a falta de médicos, maternidades fechadas, serviços encerrados. Este drama, com consequências trágicas, do socorro. E, como se não bastasse, o maior drama que enfrentamos não são os problemas concretos, é o caminho que está em curso e que vai acentuar todos esses problemas", alertou.

Paulo Raimundo deixou ainda uma palavra "de solidariedade e de reconhecimento" para os profissionais do setor.

"Apesar de todos os problemas, que têm causas e razões para existirem, os trabalhadores do setor da saúde -- os médicos, os enfermeiros, os técnicos -- entregam-se com uma dedicação tal que minimizam e muito a falta de meios, de recursos e de aposta no SNS", destacou.

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