Política
Entre Políticos
PS recusa "apropriar-se" de resultados. Chega teme reformas "condicionadas" por Seguro
Depois da vitória alcançada por António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, os socialistas mostram-se satisfeitos com o resultado alcançado, mas garantem que, apesar de o Palácio de Belém se preparar para receber um ex-líder do partido, não haverá uma tentativa de apropriação por parte do PS.
Fotos: Jorge Carmona
"Apesar de ser militante do PS, jamais passaria pela cabeça do PS apropriar-se dos resultados eleitorais de António José Seguro. Estamos contentes. Estamos contentes, mas não vamos confundir com uma vitória do presidente da República - que teve mais de 66% dos votos, que teve eleitores à esquerda do PS e que normalmente votam à esquerda do PS e que teve votos de eleitores à direita do PS", disse, na Antena 1, o socialista Eurico Brilhante Dias.
No programa Entre Políticos, o líder parlamentar do PS sinalizou que os socialistas têm "muita ambição", mas que seria "excessivo" colar a vitória de Seguro a uma vitória partidária: "Queremos um presidente para o sistema democrático, não queremos um presidente para outra coisa, portanto, nunca nos passaria pela cabeça querer que o presidente da República não fosse para todos os portugueses. O professor Marcelo Rebelo de Sousa não vinha da família política do PS, mas não deixou de ser o meu presidente e o presidente de todos os portugueses".
Eurico Brilhante Dias salienta ainda a mobilização eleitoral conseguida, referindo que os eleitores "defenderam a democracia" e deram ao país um sinal de "equilíbrio e de consenso" entre "soluções moderadas e equilibradas" no quadro constitucional.
Eurico Brilhante Dias salienta ainda a mobilização eleitoral conseguida, referindo que os eleitores "defenderam a democracia" e deram ao país um sinal de "equilíbrio e de consenso" entre "soluções moderadas e equilibradas" no quadro constitucional.
"Os portugueses saíram de casa para defender um património comum que era a sua democracia", concluiu.
À direita, o Chega elogia a abertura de António José Seguro ao diálogo com todos os partidos, mas teme que o ex-líder do PS seja um entrave a médio e longo prazo, desde logo, no momento de avançar com reformas que o partido de André Ventura quer ver aprovadas com o PSD.
"Nas anteriores presidências da República do PS, mais tarde ou mais cedo, os presidentes do PS foram condicionando e pondo entraves àquilo que eram as governações que não tinham esta coabitação partidária com presidentes da República socialistas. E, ainda que numa primeira fase haja esta abertura, eu não sei se não poderemos ter aqui o início de um condicionamento às reformas que nós queremos para o Estado português e ao desenvolvimento do país", defendeu Rui Cardoso.
Para o deputado do Chega, a vitória de um ex-líder do PS simboliza também um "erro histórico" para o PSD, sublinhando que os sociais-democratas erraram ao "ficar em cima do muro" e por parte dos dirigentes do PSD e antigos líderes terem manifestado apoio a António José Seguro.
"Nas anteriores presidências da República do PS, mais tarde ou mais cedo, os presidentes do PS foram condicionando e pondo entraves àquilo que eram as governações que não tinham esta coabitação partidária com presidentes da República socialistas. E, ainda que numa primeira fase haja esta abertura, eu não sei se não poderemos ter aqui o início de um condicionamento às reformas que nós queremos para o Estado português e ao desenvolvimento do país", defendeu Rui Cardoso.
Para o deputado do Chega, a vitória de um ex-líder do PS simboliza também um "erro histórico" para o PSD, sublinhando que os sociais-democratas erraram ao "ficar em cima do muro" e por parte dos dirigentes do PSD e antigos líderes terem manifestado apoio a António José Seguro.
PSD antecipa diálogo com Seguro, mas avisa: "Continuaremos a seguir o rumo. O Governo tem um programa"
Na Antena 1, António Rodrigues antecipou um bom relacionamento entre António José Seguro e o Governo de Luís Montenegro, mas salientou que os sociais-democratas foram eleitos com um programa eleitoral que deve ser cumprido.
"Dialogaremos com o presidente da República, estaremos disponíveis para ouvir, mas naturalmente que o Governo tem um programa sufragado pelo parlamento e continuaremos a seguir o rumo que temos seguido até agora", disse, no programa Entre Políticos.
Para o deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, nem o presidente eleito deve dificultar o trabalho do Governo, nem o Executivo da AD deve dificultar a função presidencial. António Rodrigues antevê ainda que o ex-líder do PS seja um fator de estabilidade no Palácio de Belém.
"Esperamos que seja um fator de estabilidade, como o próprio afirmou, e não um fator de instabilidade. Naturalmente, ponto a ponto, irá chamar à atenção aquilo que é a sua perspetiva e a sua visão, mas é a perspetiva presidencial, que é distinta da perspetiva governamental", sinalizou o deputado, que insiste: "Não vamos condicionar o presidente da República eleito nem vamos, de alguma forma, modificar aquilo que é o nosso rumo em função da eleição".
Já o deputado único do BE considera que a vitória de António José Seguro representa uma vitória da democracia e acredita que o resultado garante o cumprimento da Constituição. Fabian Figueiredo espera ainda um chefe de Estado "vigilante" quanto à resposta que está a ser dada às populações mais afetadas pela devastação em vários concelhos do país.
"Vai começar o mandato a ter de ser muito vigilante sobre a reconstrução que o país vai ter de fazer tendo em conta os fortíssimos impactos da tempestade Kristin, sobretudo na região centro, nos distritos de Leiria, de Coimbra e de Santarém, mas também no sul do distrito de Setúbal", sublinhou.
Fabian Figueiredo considera ainda que os eleitores partiram para a segunda volta com poucas dúvidas sobre o sentido de voto e defende que se a segunda volta tivesse sido antecipada o resultado eleitoral "seria praticamente o mesmo".
"Tivemos uma participação superior à primeira volta, apesar de todos os condicionamentos. Ou seja, a participação eleitoral comprovou que não fazia sentido o apelo a uma paragem daquilo que era o processo eleitoral. Portugal é um país democrático e de gente que largamente ama a liberdade", vincou.
"Dialogaremos com o presidente da República, estaremos disponíveis para ouvir, mas naturalmente que o Governo tem um programa sufragado pelo parlamento e continuaremos a seguir o rumo que temos seguido até agora", disse, no programa Entre Políticos.
Para o deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, nem o presidente eleito deve dificultar o trabalho do Governo, nem o Executivo da AD deve dificultar a função presidencial. António Rodrigues antevê ainda que o ex-líder do PS seja um fator de estabilidade no Palácio de Belém.
"Esperamos que seja um fator de estabilidade, como o próprio afirmou, e não um fator de instabilidade. Naturalmente, ponto a ponto, irá chamar à atenção aquilo que é a sua perspetiva e a sua visão, mas é a perspetiva presidencial, que é distinta da perspetiva governamental", sinalizou o deputado, que insiste: "Não vamos condicionar o presidente da República eleito nem vamos, de alguma forma, modificar aquilo que é o nosso rumo em função da eleição".
Já o deputado único do BE considera que a vitória de António José Seguro representa uma vitória da democracia e acredita que o resultado garante o cumprimento da Constituição. Fabian Figueiredo espera ainda um chefe de Estado "vigilante" quanto à resposta que está a ser dada às populações mais afetadas pela devastação em vários concelhos do país.
"Vai começar o mandato a ter de ser muito vigilante sobre a reconstrução que o país vai ter de fazer tendo em conta os fortíssimos impactos da tempestade Kristin, sobretudo na região centro, nos distritos de Leiria, de Coimbra e de Santarém, mas também no sul do distrito de Setúbal", sublinhou.
Fabian Figueiredo considera ainda que os eleitores partiram para a segunda volta com poucas dúvidas sobre o sentido de voto e defende que se a segunda volta tivesse sido antecipada o resultado eleitoral "seria praticamente o mesmo".
"Tivemos uma participação superior à primeira volta, apesar de todos os condicionamentos. Ou seja, a participação eleitoral comprovou que não fazia sentido o apelo a uma paragem daquilo que era o processo eleitoral. Portugal é um país democrático e de gente que largamente ama a liberdade", vincou.
O programa Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.