PS será o grande responsável por pedido de intervenção do FMI

O recurso ao Fundo Europeu de Estabilidade (FEE) ou ao Fundo Monetário Internacional (FMI) é apontado por 39 por cento dos inquiridos como solução para o problema de endividamento de Portugal. É uma questão que divide os entrevistados, uma vez que outros 39 por cento consideram ser “melhor não pedir a intervenção do Fundo”. No entanto, 43 por cento não têm dúvidas em responsabilizar o PS por um eventual cenário de pedido de auxílio. A intervenção externa é vista com pessimismo pelos entrevistados.

RTP /

O inquérito do Centro de Sondagens da Universidade Católica, composto por 1288 entrevistas, apurou que 39 por cento consideram que a intervenção do FEE ou do FMI constitui a melhor solução para a pressão externa sobre Portugal. O mesmo número, 39 por cento, responde que “é melhor não pedir a intervenção do Fundo”. É uma questão a que 23 por cento dos inquiridos não sabem ou não querem responder.

Quando questionados sobre a quem devem ser atribuídas maiores responsabilidades num cenário de recurso ao FEE ou ao FMI, 43 por cento dos inquiridos apontam o PS, enquanto 15 por cento indicam o PSD e nove por cento mencionam o Presidente da República.

A atribuição de responsabilidades por um cada vez menos hipotético cenário de recurso a fundos financeiros externos contempla ainda a crise internacional (nove por cento) e os parceiros europeus da Alemanha e França (quatro por cento). Vinte por cento dos inquiridos não sabem ou não querem responder a esta pergunta.

Intervenção do FMI é vista com pessimismo
A intervenção do FEE ou do FMI, caso Portugal peça ajuda externa agora, é vista com pessimismo por 46 por cento dos inquiridos. No entanto, quando solicitados a pensar na vida dos cidadãos nacionais daqui a cinco ou 10 anos, as opiniões tornam-se mais otimistas.

Quarenta e quatro por cento das pessoas respondem que, se houver agora uma intervenção externa, a vida em Portugal dentro de cinco anos será “melhor” e 46 por cento responde o mesmo mas numa perspetiva a 10 anos.

Oito por cento dos inquiridos considera que a ajuda externa no mais breve período possível vai permitir com que a “vida dos portugueses” será “muito melhor” daqui a uma década.

Ficha técnica
Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, RTP, Jornal de Notícias e Diário de Notícias nos dias 2 e 3 de abril de 2011. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental.

Foram selecionadas aleatoriamente 19 freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II (2001) e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados.

A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e presidenciais de 2011 nesse conjunto de freguesias, ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma, estivessem a menos de 1 por cento dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos ou candidatos.

Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia.

Foram obtidos 1288 inquéritos válidos, sendo que 58,6 por cento dos inquiridos eram do sexo feminino, 35 por cento da região Norte, 22 por cento do Centro, 30 por cento de Lisboa e Vale do Tejo, 5 por cento do Alentejo e 7 por cento do Algarve.

Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população com 18 ou mais anos residentes no Continente por sexo, escalões etários e grau de instrução, na base dos dados do INE, e por região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral.

A taxa de resposta foi de 51,7 por cento. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1288 inquiridos é de 2,7 por cento, com um nível de confiança de 95 por cento.
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