Política
Entre Políticos
PSD promete "avaliar" propostas do PS e recusa "facilitismo" na ajuda às populações afetadas
O PSD mostra-se disponível para debater as propostas apresentadas pelo PS para responder às populações afetadas pelas tempestades das últimas semanas e garante que, apesar das divergências, as medidas colocadas em cima da mesa vão ser analisadas e ponderadas assim que chegarem às mãos do grupo parlamentar.
Fotografias: Maria Tavares Cadete de Sá e Melo
O deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD acredita ainda que o Governo de Luís Montenegro tem feito o possível para fazer chegar rapidamente os apoios às regiões mais afetadas pelas intempéries, mas avisa que não poderá haver "facilitismo" na forma como o auxílio é dado a pessoas, empresas e autarquias.
"Penso que seria difícil uma resposta melhor, mais abrangente e mais rápida para um problema tão grave. Os meios estão a ser mobilizados. A ajuda está a chegar. Agora, o dinheiro é de todos nós e, portanto, tem de haver também algum rigor na atribuição do dinheiro, porque não podemos chegar a uma situação de algum facilitismo e daqui a uns meses sermos criticados porque houve abusos ou porque houve dinheiro mal gasto", vincou. No mesmo sentido, no programa Entre Políticos, Paulo Lopes Marcelo reafirmou o compromisso de "equilíbrio" entre as medidas colocadas no terreno e o rigor nas contas públicas, sublinhando que é essencial evitar a burocracia para que os apoios cheguem depressa a quem mais precisa.
"Aparentemente, esta recuperação poderá demorar entre um ano e meio e dois anos. Portanto, também não se espera que em dois ou três dias se prepare um PRR português, bem feito, bem estruturado e que se destina a ajudar nesta recuperação".
PS admite desvio orçamental, mas pede mais crescimento económico: "Há um dano quase irreparável nalgumas empresas"
O PS mostra-se disponível para viabilizar eventuais correções orçamentais, mas defende que além de olhar para a despesa que vais ser feita nas regiões afetadas, é preciso encontrar formas de acelerar a economia e de não travar o crescimento do PIB nacional.
"Há um dano quase irreparável para algumas empresas que têm relevância numa região muito relevante para a economia do país. Portanto, nós percebemos que o impacto que isto pode ter no PIB é um impacto relevante. Se não tivermos crescimento económico, não podemos esperar ter finanças públicas saudáveis. Temos de criar mecanismos para que a economia volte a recuperar rapidamente", afirmou, na Antena 1, o deputado André Rijo. O deputado socialista considera que é um erro olhar na perspetiva da "despesa pública imediata" e diz mesmo que essa é uma visão de futuro que pode ser "catastrófica" para a saúde das contas públicas nacionais.
"É uma questão de médio e longo prazo, não é uma questão no imediato. E, portanto, temos de ter essa avaliação bem clara. Se quisermos avaliar o último ciclo de governação do PS, foi onde nós tivemos crescimento acima da média europeia e tivemos, pela primeira vez, dois superavits orçamentais na nossa história democrática. Isso foi à conta de uma gestão criteriosa", insistiu André Rijo.
O PS lamenta ainda a demora na escolha de um novo ministro da Administração Interna, numa altura em que continua a ser Luís Montenegro a assegurar a pasta após a saída de Maria Lúcia Amaral. O deputado André Rijo considera que a demora representa uma maior "fragilidade" do Governo e do primeiro-ministro.
"Pode revelar alguma fragilidade naquilo que é a demora e naquilo que é um nome importante na estrutura de um governo. O Ministro da Administração Interna é um ministro essencial em qualquer governo e, portanto, pode revelar fragilidade das opções disponíveis. Não sei se o primeiro-ministro fez muitos convites, oxalá que seja um nome que possa ter uma resposta eficaz", reiterou o deputado
Iniciativa Liberal vê Montenegro "a apanhar os cacos", Livre quer respostas além do curto prazo e critica comunicação do Governo
A Iniciativa Liberal considera que o Governo não tem dado a resposta que as populações precisam no terreno e reafirma que foi um erro não ter sido decretada a situação de calamidade de forma mais célere.
"Este é um dos casos onde o Estado não pode falhar às populações e esta também é uma situação de um Estado que insiste em estar em todo lado e que, nas situações essenciais e fundamentais, acaba por falhar e não dar resposta às populações", disse, no programa Entre Políticos, João Alves Ambrósio.
O deputado liberal afirma que Luís Montenegro está a "apanhar os cacos" de uma gestão de crise "manifestamente terrível" e refere que a Iniciativa Liberal "nunca compreendeu o porquê de a calamidade ter sido decretada tão tardiamente". "Podemos acompanhar o estender da situação de calamidade a mais alguns concelhos e temporalmente, mas, mais do que decretar o estado de calamidade, é preciso saber o que é que acontece depois de decretarmos a calamidade. Nós continuamos sem compreender porque é que o Mecanismo Europeu de Proteção Civil não foi acionado", lamentou.
João Alves Ambrósio acrescenta ainda que os liberais continuam sem conseguir perceber a forma como o Governo geriu as últimas semanas, considerando que a liderança foi "amadora" e com problemas de comunicação: "Tivemos uma demissão de uma Ministra da Administração Interna a meio de uma catástrofe", sinalizou.
Pelo Livre, a deputada Patrícia Gonçalves mostrou-se preocupada com a medida do lay-off simplificado apresentada pelo Governo e com os custos energéticos que estão a ser suportados por famílias e empresas.
"Há duas questões críticas. Uma é a avaliação de risco. Nas nossas infraestruturas críticas é preciso reduzir o risco de catástrofes. Por exemplo, não construir em leitos de cheia. E há diversas medidas de proteção que podem diminuir o risco ao longo do tempo. Depois, a resiliência das infraestruturas quando formos construir, é preciso reconstruir de forma resiliente. Portanto, agora não é apenas reconstruir, é olhar para aquilo que é necessário mudar em algumas áreas", disse. Patrícia Gonçalves acusa ainda o Governo de governar para "perceções" e afirma que o Executivo é "exímio a comunicar, mas não é tão exímio a agir".
"Não tiveram tempo de encomendar o projeto de comunicação à agência de comunicação e correu tudo muito mal nos primeiros dias", criticou a deputada do Livre.
O programa Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.