"Qualquer um tem o direito de dizer as baboseiras, as alarvidades e as patetices que entender"

por RTP

Questionado na RTP sobre o que se passou no Parlamento quando o deputado do Chega André Ventura fez declarações sobre a capacidade de trabalho do povo turco, o candidato da Iniciativa Liberal ao Parlamento Europeu considerou que essas declarações têm cabimento dentro da liberdade de expressão e que podem ser ditas. Cotrim de Figueiredo diz que podem ser proferidos esse tipo de comentários e depois quem os diz deve "responder por elas ou perante a lei ou perante o eleitoral". João Cotrim de Figueiredo defendeu ainda que os partidos de extrema-direita têm crescido na Europa porque se aproveitam de desilusões legítimas dos eleitores, mas para combatê-los não se deve limitar a liberdade de expressão.

O cabeça de lista da IL diz que quando se passar a limitar a liberdade de expressão por motivos "supostamente benévolos, supostamente mais elevados", então está-se a abrir a porta a que um dia nos venham limitar a liberdade de expressão, lembrando que quando os limites são pisados, a lei já prevê a punição do incitamento ao ódio ou à violência.

Ponto de contacto com o tema do crescimento da extrema direita. João Cotrim de Figueiredo diz que os partidos de extrema-direita têm crescido na Europa porque se aproveitam de desilusões legítimas dos eleitores.

O candidato da Iniciativa Liberal defende que é preciso desarmar a extrema-direita resolvendo os problemas que a alimentam, mas entende que limitar a liberdade de expressão pode sair mais caro. Diz que não se pode fazer uma polémica tal em torno de mensagens de ódio, porque assim acaba por se "beneficiar o infrator".
Numa entrevista na RTP muito em torno das ideias liberais pela Europa, Cotrim de Figueiredo lembra que muitas liberdades não estão "como deviam estar" apontando a liberdade de expressão como uma delas. Lembrou ainda a pandemia e alguns excessos cometidos em nome da segurança.

O candidato defendeu o capitalismo como forma de tirar gente da pobreza e reduzir as desigualdades, contestando afirmações em sentido contrário.

Considera que Portugal está longe de, na componente económica, ser liberal, e argumentou que há muita despesa pública, taxas e impostos, numa “intervenção excessiva do Estado” e pouco cuidado no uso de fundos que têm resultado na criação de pouca riqueza. Defende, em contrapartida, uma função redistributiva marginal do Estado, e um incentivo da igualdade de oportunidades.

Acredita que o Parlamento Europeu manterá uma maioria centrista, e quer levar para a Europa a vontade de cortar na intervenção estatal, que considera excessiva.

Defende o reforço dos procuradores europeus quanto à implementação de fundos comunitários. Sobre a imigração, tema quente nestas eleições, diz que é preciso desarmar a extrema-direita sem deixar de lado o humanismo.

Defendeu que são os países liberais (na economia, política e sociedade) os que apresentam melhores serviços de saúde ou educação, por exemplo.

Para Portugal defende um sistema universal de acesso à saúde eme que sobrevivem os prestadores que são melhores na perspetiva de quem os usa.

Criticou a pouca verificação dos gastos do Estado, defendeu uma diminuição dos impostos e considerou que uma reforma fiscal pensada cabe na redução de 2% da dívida pública.

O candidato foi entrevistado no Telejornal e ainda no 360 da RTP3.
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