EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

RASI. Crimes de imigração ilegal aumentam 251,3%, de ódio e de violação sexual sobem 6%

RASI. Crimes de imigração ilegal aumentam 251,3%, de ódio e de violação sexual sobem 6%

A ministra da Justiça revelou esta terça-feira que os dados do Relatório Anual de Segurança Interna apontam para um aumento de cerca de 6 por cento dos crimes de ódio em Portugal, no ano passado.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Foto: PSP

O documento, entregue no Parlamento, refere que a presença de menores e jovens adultos em grupos online de extrema-direita que glorificam a violência aumentou no ano passado. "Verificou-se um aumento da presença de utilizadores portugueses, sobretudo menores e jovens adultos, em grupos 'online' de matriz aceleracionista e neonazi, de âmbito nacional ou transnacional, bem como em grupos satânicos, 'incel' e niilistas ou pós-ideológicos", em muito casos relacionados com a extrema-direita, destaca o RASI.

De acordo com o documento, também está a prevalecer a presença de jovens extremistas de direita que partilham e disseminam “conteúdos violentos, de propaganda e de manuais que instigam atos de violência", através das redes sociais, destacando conteúdos de "propaganda do terrorismo islamista", o que aumenta o sentimento de ódio.

Durante a apresentação do RASI e uma resposta ao partido Chega, Rita Alarcão Júdice garantiu que o Governo está empenhado em através da transparência combater o discurso "extremado e populista" que leva à subida deste tipo de crimes.

Já em relação aos grupos de extrema-esquerda e ao movimento anarquista, o RASI revela que a sua expressão "continua a não assumir relevância significativa em termos de criminalidade violenta/organizada, ainda que se tenham registado diversas ações de protesto/manifestação". Em 2025 e face a 2024, os dados de todas as polícias, congregados nas Estatísticas da Justiça, da responsabilidade da Direção-Geral da Política de Justiça, apontavam para mais de 420 crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, face aos pouco mais de 130 referidos em 2020.

Esta criminalidade de ódio parece confinar-se, para já, sobretudo ao mundo digital. Em geral, o RASI registou uma descida da criminalidade grupal de 1,2 por cento, tal como da criminalidade infantil (-1,3 por cento), que engloba indivíduos entre os 12 e os 16 anos.

O documento aponta ainda uma diminuição de 1,6 por cento da criminalidade grave face a um aumento de 3,1 por cento da criminalidade geral. Mas, os relatores admitem que a subida desta última se pode dever sobretudo ao incremento do “investimento na capacidade operacional” e na “maior eficácia da deteção e prevenção”. 
Telejornal, 31 de março de 2026
Imigração ilegal

A criminalidade geral engloba desde a detenção de tráfico ou detenção de armas proibidas, à condução sob o efeito de álcool acima dos limites legais, passando pelos crimes de desobediência e os relacionados com a imigração ilegal.

No âmbito desta, o relatório frisa que são considerados seis tipos, incluindo o auxílio, o casamento de conveniência, a violação das leis de entrada e a angariação de mão-de-obra ilegal. 

Em 2025, houve 862 ocorrências de crimes relacionados com a imigração ilegal, equivalentes a um acréscimo de 251,3 por cento face a 2024, refere o RASI.

Especificamente, o crime de auxílio à imigração ilegal subiu 138,2 por cento, com os outros a aumentar, em conjunto, 353 por cento.
Crimes de cariz sexual 

O RASI refere que os crimes de abuso sexual de menores continuam a ser cometidos esmagadoramente por indivíduos do sexo masculino (90,6 por cento), em contexto familiar (49,5 por cento) e em vítimas entre os 8 e os 13 anos.

As mulheres entre os 21 e os 40 anos, continuam a ser quase exclusivamente as vítimas de violação de adultos (90,3 por cento), dando-se este crime violento e grave, na sua maioria, no âmbito de relações de conhecimento entre violador e vítima (52 por cento).

O relatório destaca ainda que o crime de violação continua a subir (+6,4 por cento), tendo atingido “o valor mais alto da década”.

A violência doméstica prossegue apesar de tudo a tendência de descida (-1,9 por cento) e recuou igualmente, 2,2 por cento, na lista dos crimes participados, apesar de continuar a lidera-la, com 29.644 participações. A maioria destas (25.357) são contra cônjuge ou parceiro.

Também aumentou, em 8,6 por cento, a participação de violência contra menores
Crimes de violência grave

O crime de ofensa à integridade física foi o segundo mais participado às autoridades. O homicídio voluntário consumado subiu 10,1 por cento.

O roubo a ourivesarias (+26,3 por cento) a resistência a coação sob funcionário (+15,8 por cento), outras extorsões (12,7 por cento) e extorsão sexual (+6,8 por cento), considerados crimes graves e violentos, subiram igualmente. De sublinhar que os distritos de Braga e de Leiria registaram a maior subida deste tipo de crimes (+11,7 por cento e +11,4 por cento, respetivamente), enquanto nos de Lisboa (-3,4 por cento) e do Porto (-8,4 por cento), os crimes graves e violentos desceram.

No geral, houve em todo o país um decréscimo (-1,6 por cento) na participação de criminalidade violenta e grave, com um total de 14.149 queixas.

A maioria destes crimes (70 por cento) foram os de roubo na via pública e o roubo por esticão, assim como a resistência sob coação de funcionário e extorsão sexual.

Os roubos a bancos desceram 50 por cento, assim como a postos de abastecimento (-33,8 por cento), em transportes públicos (-18,5 por cento) e a roubos de residências (-15,5 por cento).
Participação de crimes em alta

A participação da criminalidade geral aumentou 3,1 por cento em 2025, face a 2014, para um total de 365.802 queixas, revela o RASI.

Dentro desta, os crimes de furto e os crimes de burla, continuam a dominar o primeiro e segundo lugares da lista, respetivamente, seguidos dos crimes rodoviários.

A condução sob álcool, com taxa igual ou acima do limite legal de 1,2 g/l, fica em terceiro lugar, com um aumento significativo de 23 por cento das participações. 

Em termos de registo, os crimes rodoviários (da condução sob efeito de álcool aos homicídios por negligência em acidente) subiram 24 por cento.

A criminalidade subiu em geral mais de 10 por cento nos distritos de Coimbra e de Leiria, com os distritos de Lisboa e Porto a registarem aumentos de quatro por cento.
Mundo digital e crimes económicos

De acordo com o RASI, os ciberataques também estão com tendência a crescer, muito auxiliados pela Inteligência Artificial e sobretudo contra os setores de Saúde, Educação e Investigação e da Administração Pública.

Outros crimes relacionados, incluindo via pagamentos eletrónicos e fraudes com criptomoedas, estão igualmente a subir.

Na criminalidade informática aumentaram em 2025 os números de arguidos (+28,5 por cento) e de detidos (88, 6 por cento).

A criminalidade na área económico-financeira teve em 2025 um aumento de 22% nos inquéritos entrados, especialmente relacionados com o crime de branqueamento, indica o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), hoje divulgado.

Segundo o documento, o aumento relativo a 2024 superou também o número total contabilizado em 2023 e no tipo de crime manteve-se a tendência de aumento acentuado do crime de branqueamento, "detentor da maior proporção do total de infrações económico-financeiras, verificando-se um aumento de 42%". 

c/Lusa
PUB