"Recuo" de Cotrim sobre Ventura e SNS marcam 10.º dia de campanha

O 10.º dia oficial de campanha para a Presidência da República ficou marcado por reações às declarações de Cotrim Figueiredo sobre uma segunda volta e por acusações ao Governo sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Lusa /

O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, assumiu hoje, em Viseu, que dizer que não excluía o apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta, incluindo ao candidato apoiado pelo Chega, André Ventura, foi "um momento bastante infeliz" e de "falta de clareza" que associa a "um dia difícil".

Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS-PP, considerou que os eleitores ficaram desiludidos com as declarações de Cotrim Figueiredo e que isso o poderá beneficiar, enquanto Henrique Gouveia e Melo afirmou que o comportamento político de Cotrim Figueiredo revela instabilidade.

Já André Ventura criticou o candidato liberal por ter recuado num eventual apoio à sua candidatura numa segunda volta e rejeitou fazer do caso de alegado assédio sexual um tema de campanha, enquanto Catarina Martins acusou Cotrim Figueiredo de defraudar as expectativas dos eleitores que votaram antecipadamente.

Cotrim Figueiredo considerou a denúncia de assédio sexual por parte de uma ex-assessora parlamentar da IL uma "manobra política do mais suja que há" e pediu aos portugueses para não se deixarem enganar, no dia em que 30 mulheres que trabalharam com o candidato presidencial garantiram, numa carta aberta, que "nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados" do também eurodeputado.

Por sua vez, Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, pediu que não se "confunda a presunção de inocência com a presunção de culpa de uma potencial vítima" e afirmou que a denúncia "é muito grave".

Os problemas no SNS, tema recorrente nesta campanha, voltaram a marcar o dia, com António José Seguro, apoiado pelo PS, a contrariar a ideia do primeiro-ministro, Luís Montenegro, de que os problemas na saúde são perceções, considerando que "a situação é mesmo real" e que só com o "contacto direto" os políticos percebem as dificuldades.

Já André Ventura afirmou que o primeiro-ministro é "o maior sem noção do país", depois de Luís Montenegro ter rejeitado na segunda-feira a ideia de caos na saúde, enquanto Gouveia e Melo considerou que o Governo já ultrapassou os prazos para resolver os problemas na saúde, criticando o executivo por dois anos depois não ter ainda tirado conclusões sobre as falhas no setor.

Também Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE) considerou que o primeiro-ministro conhece a realidade dos problemas no SNS, mas "opta por mentir", insistindo que a degradação do setor é intencional, e Cotrim Figueiredo afirmou que os problemas no SNS são reais e não perceções, e que há por parte do Governo PSD/CDS-PP a tentativa de "esconder essa realidade objetiva".

Já Luís Marques Mendes pediu ao Ministério da Saúde "maior sensibilidade" em relação "às questões menos boas que foram acontecendo" e considerou que já não se trata de política, mas de uma questão "humana e social".

O dia foi ainda marcado pela participação de Catarina Martins e António Filipe (apoiado pelo PCP) na manifestação convocada pela CGTP-IN contra o pacote laboral, em Lisboa, que classificaram o anteprojeto do Governo de "assalto aos direitos" dos trabalhadores que "não tem ponta por onde se lhe pegue" e foi ainda o dia em que a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, declarou o seu apoio à candidatura de António José Seguro, considerando ser o único com "as condições de salvaguardar a Constituição" e os valores democráticos.

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