Reuniões com partidos decorrem até ao final da tarde
O primeiro partido a ser recebido é o JPP, às 10h00. Seguem-se reuniões de meia hora com os deputados únicos de PAN e BE. Pelas 11h30 é a vez do PCP e, às 12:00, é recebido o Livre. A delegação da IL deve chegar às 15h00 à residência oficial do primeiro-ministro, antes do PS, às 16h00 e do Chega, às 17h00. A derradeira reunião tem lugar às 18h00 com os partidos que suportam o Executivo, PSD e CDS-PP.O Governo é representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, e pelo ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida.
Montenegro ouviu entretanto Marcelo Rebelo de Sousa sobre o PTRR. Nesta conversa, foi analisada a criação de um programa específico de apoio à reconstrução.
O primeiro-ministro apresentou também o programa ao presidente eleito, naquele que constituiu o primeiro encontro do primeiro-ministro com António José Seguro.Os partidos que apoiam o Governo alertaram já que as propostas da oposição destinadas ao pagamento do lay-off a 100 por cento podem ir contra a chamada lei travão. O Parlamento aprecia esta quarta-feira o diploma.
O PTRR foi anunciado na semana passada por Luís Montenegro, face aos danos das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que causaram 18 mortes e centenas de feridos e desalojados.
As linhas gerais do programa foram aprovadas em Conselho de Ministros no final da semana passada.
Três pilares
O PTRR assenta em três pilares, de acordo com o Governo: recuperação, centrado na resposta às populações e empresas afetadas; resiliência, focado em infraestruturas e capacidade de planeamento, prevenção e adaptação; transformação, que incide em integrar reformas em curso.
O segundo pilar abrange infraestruturas nos "planos hídrico, florestal, sísmico, energético, comunicacional e de cibersegurança", além da reforma do INEM, da Proteção Civil e da segurança das infraestruturas críticas.Após as reuniões com os partidos, seguir-se-ão encontros com "os governos regionais, as autarquias locais, os parceiros sociais, a academia, as empresas e a sociedade em geral".
Sem mais detalhes, o primeiro-ministro garantiu, na esteira da última reunião do Conselho de Ministros, que o PTRR vai recorrer "a todos os recursos financeiros" possíveis no âmbito da União Europeia, assim como ao Orçamento do Estado e mesmo à dívida pública.
O programa vai ter metas de curto prazo, até final do ano, outras de médio prazo, até final da legislatura, ou seja, 2029, e outras para lá do mandato deste Governo, até 2034.
As medidas passam pela criação de uma Rede Crítica de Reserva de Energia para Emergência, pela avaliação de um Fundo de Catástrofes e Sismos e equipar todas as freguesias com um gerador, um telefone SIRESP e ligações satélite com dados Starlink.
O Governo descarta novos canais para a entrada de imigrantes, sustentando que a procura de mão-de-obra deve dar prioridade ao mercado português. Num segundo momento, o recurso a trabalhadores de outros países poderá fazer-se através da rede consular e do protocolo de Migração Laboral Regulado, ou "Via Verde" para a imigração.
c/ Lusa
Alterações ao lay-off. Deputados debatem diploma
Os partidos que apoiam o Governo alertam que as propostas da oposição para garantir o pagamento do lay-off a 100 por cento poderão colidir com a chamada "lei travão".
Foto: Pedro A. Pina - RTP
O PS acusa o Governo de "contar tostões" no apoio às famílias. Já o Chega considera que se trata de "uma ajuda absolutamente fundamental".
A apreciação do diploma está marcada para esta quarta-feira no Parlamento.
Autarca de Coimbra repreende ministro da Agricultura
O ministro da Agricultura foi repreendido em público pela presidente da Câmara Municipal de Coimbra.
Foto: Paulo Novais - Lusa
Montenegro apresentou cumprimentos e PTRR. António José Seguro recebeu primeiro-ministro em Queluz
António José Seguro toma posse como presidente da República a 9 de março mas reuniu-se já hoje com o primeiro-ministro no Palácio Nacional de Queluz, durante cerca de 2h30, para Luís Montenegro apresentar cumprimentos e também os pormenores do programa PTRR.
No final da reunião, o presidente eleito acompanhou o chefe do Governo à porta, também sem prestar qualquer declaração, regressando ao interior do palácio onde mantém um gabinete de trabalho até à tomada de posse como chefe de Estado, cerimónia que está marcada para 9 de março.
O primeiro-ministro já tinha manifestado a intenção de envolver os partidos políticos, o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o seu sucessor, António José Seguro, e também os parceiros sociais, autarquias locais, governos regionais e academia para "um aprofundamento político" do PTRR.
Leiria. Vento dobrou teto de carpintaria na Carreira mas poupou estação de Monte Redondo
A norte do concelho de Leiria, o vento atirou árvores para aos carris dos comboios e destruiu também telhados de empresas e de casas. Na viagem que a Antena 1 está a fazer na Linha do Oeste, encontrou um casal que vivia na freguesia da Carreira e que mudou-se há quase um mês para uma casa junto à estação de Monte Redondo, mergulhada no silêncio de uma linha parada.
Há um amontoado de ramos junto aos carris e os estragos só não foram maiores porque o troço Caldas da Rainha - Louriçal, com Monte Redondo pelo meio, não tem catenária e não está eletrificado. Ainda assim, o edifício branco da estação parece ter saído ileso.
"Esta rua foi das poucas menos afetadas", conta Raquel. Ela e o companheiro ficaram com a casa sem telhado durante a tempestade Kristin, pelo que se mudaram para junto da estação de Monte Redondo.
"A minha residência é na Carreira, a cinco minutos daqui", descrevendo que "a alternativa que arranjei foi vir ter com a minha avó". No final do dia, o casal aproveita a tranquilidade da estação, emparedada do lado do cais de embarque e com alguma informação ao público em folhas de papel afixadas.
Moisés e Raquel sugerem à Antena 1 visitar a freguesia da Carreira, em Leiria, onde aponta que prejuízos foram significativos. Moisés toma a dianteira e guia-nos por mais de quatro quilómetros até uma zona de campos agrícolas que ainda está parcialmente submerso.
"Depois da tempestade ficou como um rio", conta Moisés, apontando para estufas e estradas afetadas.
O presidente da Junta de Freguesia da Carreira, Mário Carvalho, pede cabeça erguida para seguir em frente. Com a eletricidade e a água quase repostas, as telecomunicações são o grande problema.
Primeira quinzena de fevereiro fez deste mês o mais chuvoso em 47 anos
Apenas contabilizados os primeiros 15 dias de fevereiro e já o mês é considerado o mais chuvoso dos últimos 47 anos, revelou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o décimo com mais chuva desde 1931. Os últimos quatro anos foram excecionalmente chuvosos.
"Grande parte do território já regista valores entre 300% e 400% (três a quatro vezes) do valor normal 1991-2020, sendo mesmo superior a 500% (ou seja, cinco vezes) nas localidades de Mora, Lavradio e Alvalade do Sado", no sul do país, adianta o IPMA.
O ano passado foi o terceiro mais chuvoso desde 2000, "com um total anual de 1064.8 mm (130% do valor normal 1991-2020)" e o quinto mais quente desde que há registos, com seis ondas de calor, incluindo uma com características excecionais", segundo o instituto.
O IPMA refere também que novembro foi o terceiro mês mais chuvoso desde 2000 e dezembro o sétimo.
Francis, Goreti, Ingrid, Joseph e Kristin
Mais de metade dos distritos já atingiu ou ultrapassou o valor médio anual de precipitação.
No que diz respeito à situação hidrológica, o acumulado desde 1 de outubro (início do ano hidrológico) até 15 de fevereiro é de 905.6 mm, "correspondendo a 1.8 vezes o valor médio e superando o ano hidrológico de 2000/01, até agora referência dos últimos 25 anos".
Em Faro, o total acumulado já supera o valor médio de um ano completo.
O IPMA destacou ainda que se verifica uma situação generalizada de saturação dos solos, "com casos de sobressaturação no Norte e Centro, aumentando o risco de inundações e instabilidade de vertentes".