Seguro diz que preocupação de Rangel devia ser com portugueses na Venezuela
O candidato presidencial António José Seguro defendeu hoje que a preocupação do ministro dos Negócios Estrangeiros deveria ser a situação dos portugueses na Venezuela, depois de Paulo Rangel se ter referido à escolha em si como um "voto em branco".
Durante uma visita ao Mercado de Angeiras, em Matosinhos, ponto de paragem obrigatória das campanhas socialistas, o candidato a Belém apoiado pelo PS foi questionado pelos jornalistas sobre os avisos da véspera do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, para o "voto em branco" que diz ser escolher Seguro ou Gouveia e Melo.
"E diga-me uma coisa: sobre a situação dos portugueses na Venezuela o ministro disse alguma coisa? Como é que estão a acompanhar a situação, o que é o Estado português está a fazer, o que é que o Governo português está a fazer, isso é que me preocupa e devia preocupar o ministro dos Negócios Estrangeiros", atirou Seguro, sem nunca se referir diretamente às acusações.
O candidato presidencial apoiado pelo PS perguntou "como é que estão os cerca de 500 mil portugueses que estão na Venezuela?".
"Isso é que eu preciso de saber, se estão a ser bem acompanhados, se estão a ser protegidos, se estão em segurança. A minha preocupação vai para eles", insistiu, escusando-se a ir mais longe no tema apesar da insistência dos jornalistas.
O ministro Paulo Rangel disse no sábado acreditar que Luís Marques Mendes ficará "em primeiro" na eleição presidencial, mas avisou contra "aventuras liberais" e para o "voto em branco" que diz ser escolher Seguro ou Gouveia e Melo.
O número dois do Governo avisou que o tempo "também não está para aventuras militares", numa referência ao almirante na reserva Gouveia e Melo, e sem poupar igualmente António José Seguro, "o candidato socialista das esquerdas".
"O candidato António José Seguro esteve dez anos fora, não disse nada sobre Portugal, ninguém lhe conhece o pensamento, houve uma espécie de eclipse no seu pensamento", acusou.
Para Rangel, "o voto em António José Seguro é igual ao voto no almirante Gouveia e Melo".
"São dois votos em branco, ninguém sabe o que eles pensam. São duas caixas que estiveram sem falar sobre Portugal, sem falar sobre a política portuguesa, sem dizer aquilo que pensavam durante imenso tempo", criticou.