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Presidenciais 2026
Seguro diz que recusa de Bruxelas em alargar PRR é "inconcebível" e pede ao Governo que "tome a iniciativa"
Com a campanha eleitoral condicionada pelos efeitos devastadores da tempestade Kristin, António José Seguro tem visitado - ainda que sem jornalistas - alguns dos concelhos mais afetados, sobretudo nos distritos de Leiria e Santarém, mas tem também aproveitado para deixar algumas sugestões ao Governo e recados à forma como tem faltado auxílio às populações.
Foto: José Coelho, Lusa
Uma das críticas é dirigida à Comissão Europeia que, de acordo com uma
notícia do jornal digital ECO, não aceita prolongar o prazo do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR) mesmo que a tempestade dos últimos dias
tenha provocado estragos que atrasam, de forma quase irreversível, o
cumprimento dos prazos das obras previstas.
"Se é verdade, é lamentável que tomem essa posição. Há um povo
europeu a sofrer, o que se pede é que alarguem o prazo. É a visão
administrativa e burocrática que impera sobre a necessidade e a urgência
de apoiar humanitariamente as pessoas? Eu acho que não vivemos no
mundo certo, alguém está errado", criticou o candidato, no concelho de
Felgueiras, poucos minutos antes de um almoço de campanha que juntou
centenas de pessoas.
Para António José Seguro, a confirmar-se, a posição de Bruxelas deve ser
revista, até porque, salienta, é necessário agilizar e alargar todos os
processos relacionados com a construção civil, desde logo no que diz
respeito à reconstrução de habitações e empresas destruídas:
"Espero que o Governo tome a iniciativa e discuta com a Comissão
Europeia para rapidamente conseguirmos o alargamento desse prazo. Isto é
uma questão nacional, temos de perceber que aqui temos que estar todos do mesmo lado", afirmou.
Quanto às sugestões que o candidato quis passar através dos microfones
dos jornalistas - e não de forma direta aos membros do Governo -, Seguro
defende o alargamento dos prazos para o cumprimento das "obrigações
fiscais e administrativas" e uma linha de apoio à tesouraria para
empresas fechadas por falta de energia ou problemas nas infraestruturas.
Comissão independente proposta por Marcelo pode ser solução, mas essencial é "avaliação" e impedir que "assunto morra"
Questionado sobre a sugestão deixada pelo presidente da República de se avançar com uma comissão técnica independente para avaliar a passagem da tempestade Kristin por Portugal continental, António José Seguro não se opõe, mas considera que mais importante do que o modelo é mesmo não falhar na avaliação.
"O instrumento para fazer essa avaliação competirá às entidades",
disse o candidato, que insiste: "Nós temos que tirar lições e ilações
desta situação e saber se, de facto, os meios que o país tem disponíveis
estão organizados da melhor maneira para poder responder a estas
situações".No mesmo sentido, o candidato que venceu a primeira volta
garante que vai fazer os possíveis para que a tragédia que afetou,
sobretudo, o distrito de Leiria, não seja esquecida.
"Não deixarei que este assunto morra quando ele sair da agenda mediática e, se merecer a confiança dos portugueses, mesmo antes de tomar posse, quero-me dedicar com alma e coração e com todas as capacidades para
conjuntamente, com as pessoas que estão no terreno, com os empresários,
com as famílias afetadas, perceber melhor o que é que pode ser feito
para melhorar situações futuras", acrescentou.
Em Felgueiras, no distrito do Porto, António José Seguro mostrou-se
ainda preocupado com a situação meteorológica dos próximos dias e, em
particular, com as chuvas que podem obrigar a descargas nas barragens e a
inundações em vários concelhos.
"Há uma nova realidade, que é a possibilidade de haver cheias com a
subida das águas dos rios e com as descargas que terão de ser feitas, em
particular na barragem da Aguieira. Pode ter de implicação no Rio
Mondego e nos afluentes, uma vez que o rio não comporta mais água",
assinalou Seguro, que, questionado sobre as críticas do autarca de
Leiria, que apontou o dedo aos políticos que têm surgido no concelho nos
últimos dias como "se de um jardim zoológico se tratasse", responde que
tem mantido a preocupação de fazer visitas aos concelhos afetados fora
dos holofotes e em coordenação com as autarquias.