Política
TAP. Deputado socialista Carlos Pereira sai da comissão de inquérito para dar "tranquilidade"
O coordenador dos deputados do PS na comissão de inquérito à TAP, Carlos Pereira, anunciou que vai deixar todas as suas funções na comissão parlamentar de inquérito após uma notícia de alegado favorecimento. O deputado rejeita qualquer favorecimento, mas diz que sai para dar à comissão a "tranquilidade necessária", acabando com o que considerou um "clima de suspeição, insinuação e especulação que tem norteado a comissão".
Numa declaração escrita, Carlos Pereira justifica a decisão com a necessidade de "proteger os resultados a apurar na Comissão de Inquérito e salvaguardar os superiores interesses do Partido Socialista".
O deputado eleito pela Madeira anuncia que vai deixar a coordenação dos socialistas na coordenação do inquérito, mas também vai sair da própria comissão.
A declaração aos jornalistas foi enviada durante a noite para as redações. Pela manhã, o deputado esteve em conferência de imprensa na Assembleia da República, lado a lado com o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias.
"Acho que o melhor que posso fazer é de facto abandonar a comissão parlamentar de inquérito, dar-lhe a tranquilidade necessária", afirmou Carlos Pereira.
O deputado socialista disse esperar que, com esta decisão, "se acabe com o clima de suspeição, insinuação, especulação" que considerou andar a pairar sobre a comissão de inquérito à TAP.
Carlos Pereira rejeitou que tenha decidido sair por antecipar um parecer desfavorável da comissão parlamentar de Transparência relativo à sua participação numa reunião com assessores governamentais e a presidente executiva da TAP na véspera de uma audição parlamentar.
Carlos Pereira diz que não houve favorecimentos, tratamento preferencial ou incompatibilidades, enumerando procedimentos num processo em que foi avalista de um empréstimo.
Carlos Pereira assegura ter prestado ao Correio da Manhã "todos os esclarecimentos" que lhe foram solicitados e rejeita qualquer favorecimento.
"Nunca existiu qualquer incompatibilidade no exercício pleno da minha atividade como deputado, ou qualquer tratamento de favor para comigo por parte da Caixa Geral de Depósitos", tinha já afirmado na nota escrita. Na conferência de imprensa acrescentou que se trata de juros que não são da responsabilidade dos avalistas, mas que resultam da inação da CGD em dar uma resposta às propostas apresentadas.
O economista e antigo líder do PS no parlamento da Madeira estava já no centro de uma polémica depois de se saber que participou numa reunião com a ex-presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, e com assessores do Governo em 17 de janeiro, na véspera de uma audição desta na Assembleia da República.
A participação de Carlos Pereira na referida reunião levou alguns partidos da oposição, como o Chega e a IL, a contestarem a sua continuidade na comissão de inquérito.