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A resposta aos danos da depressão Kristin e a evolução do estado do tempo

Ventura estaciona caravana presidencial em Leiria e ensaia lema: "Que se lixem as eleições"

Ventura estaciona caravana presidencial em Leiria e ensaia lema: "Que se lixem as eleições"

Em campanha por Leiria pela segunda vez no espaço de três dias, André Ventura repete um novo lema. "Que se lixem as eleições, todas elas. Que se lixem as eleições", responde, questionado pelos jornalistas sobre se a visita às zonas afetadas pela tempestade Kristin pode beneficiar a campanha presidencial em curso.

Teresa Borges /

Foto: Tiago Petinga, Lusa

"Se todos pudermos mostrar ao país o que está a acontecer aqui, nestas zonas - que parecem um cenário apocalíptico - talvez o país perceba que tem que fazer mais, que já devia ter feito mais", diz o candidato à Presidência da República, insistindo naquela que tem sido a mensagem dos últimos dias.

O líder do Chega disse que queria mudar o formato da campanha face à devastação provocada pelo mau tempo. Depois da passagem pelo centro da cidade de Leiria na quinta-feira (29), Ventura regressou este sábado (31) à região Centro, para uma visita de cerca de meia hora a uma exploração agrícola na freguesia de Ortigosa, concelho de Leiria, e que ficou destruída com a passagem da tempestade.

"Tenho 37 anos. É a terceira tempestade que enfrento. Foram duas recuperações. Esta não sei se vou conseguir. Esta é a mais dura de todas", desabafa Fábio Franco, proprietário, perante estufas de alfaces destruídas com a violência do vento. "[O apoio] tem de ser rápido, tudo menos burocrático", afirma o empresário que já tinha tido o negócio afetado pelo furacão Leslie, em 2018.

André Ventura concorda e, em declarações aos jornalistas, minutos mais tarde, insiste na necessidade de rapidez e simplificação na atribuição de apoios às famílias e empresas afetadas pelo mau tempo. "A dor em que estas pessoas estão... Precisam de apoio rápido. Não apoios burocráticos que demoram seis meses a ser preenchidos", acrescenta.

A visita do candidato presidencial à região Centro - onde as árvores, sinais de trânsito e postes elétricos tombados pintam um cenário "apocalíptico" nas palavras do presidente do Chega - decorre depois de o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, ter criticado o "carrossel" de políticos que tem passado pela cidade, defendendo, sem referir de forma direta o nome de André Ventura, que "aproveitar para fazer campanha é uma ofensa" ao que se está a passar. Questionado pelos jornalistas, o candidato a Belém recusa responder a "picardias políticas". "Nós temos que nos focar no que falhou e na ajuda a estas pessoas", sublinha Ventura, "Agora não é a picardia que interessa, seja o presidente da Câmara de qualquer partido que seja. Agora é ajudar".

"Foco", pede o líder do Chega, que não resiste a apontar o dedo à Ministra da Administração Interna na sequência das declarações que Maria Lúcia Amaral fez de visita ao terreno. "É uma dor no coração de alguém que parece que não vê o que é que está a acontecer, não sabe o que é que está a acontecer. Diz que temos agora tempo para uma aprendizagem coletiva. Estas pessoas não precisam de aprendizagens. Precisam de apoio rápido, precisam de ação", sublinha. André Ventura pede uma "mobilização de recursos" para que os afetados pelo mau tempo "não percam a oportunidade de se levantar novamente".
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