INEM poderá desactivar helicópteros e ambulâncias
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) poderá cancelar, a partir de Julho, dois helicópteros de emergência, sediados em Lisboa e no Porto, e 25 ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV). A Antena 1 apurou que o INEM não tem verbas para suportar a emergência médica até ao final do ano, em virtude da redução de oito milhões de euros no pagamento dos seguros automóveis, que sustentam a organização.
O presidente do INEM admite que a utilização dos meios tem de ser reavaliada e garante que nada está decidido nem foi proposto directamente ao Ministério da Saúde.
"Faz sentido que equacionemos a possibilidade ou de relocalização desses meios face a essa avaliação ou de mudança de horário de funcionamento (noite/dia) ou ainda, se chegarmos à conclusão que não são mesmo utilizados de forma eficiente que sejam parados temporariamente ou encerrados definitivamente", afirmou Abílio Gomes, dizendo ser um "raciocínio que se aplica a todos os meios" (helicópteros, SIV ou VMER).
"Não é fazer cortes cegos, nem tomar medidas cegas; é na perspectiva de melhorar o serviço", acrescentou Abílio Gomes.
Para compensar o fim do serviço dos helicópteros sediados em Lisboa e no Porto, o INEM poderá transferir dois aparelhos do interior Norte e Centro, dos três aparelhos comprados recentemente, e que registarão poucos serviços. Os helicópteros sediados em Lisboa e Porto têm 48 serviços por mês. Os seus contratos com a Helisul terminam no final do Verão.
O Ministério da Saúde "sensibilizou todas as instituições que dele dependem para combater o desperdício para que se consiga uma melhor gestão dos recursos sem comprometer os serviços", afirmou fonte oficial à RTP.
Ainda segundo a Antena1, a tutela pediu redução drástica paga nas horas extraordinárias pagas a enfermeiros e a tripulantes.
Sindicato dos Enfermeiros gera denúncia
A primeira denúncia de uma "situação caótica" gerada por "inoperacionalidade de meios" partiu do Sindicato dos Enfermeiros. Ontem, o sindicato apontava que tinham começado a ser desactivados meios por falta de enfermeiros e que viaturas do INEM deixariam de ter a assistência destes profissionais de saúde. O Sindicato dos Enfermeiros referia-se em concreto a ambulâncias que operam em Moura e Elvas.
De acordo com o sindicato, os serviços de emergência estão a ser postos em causa por uma gestão do INEM que insiste em não admitir novos enfermeiros e em não solucionar a entrada para o quadro dos que asseguram a tripulação das ambulâncias.
Uma denúncia desmentida de imediato por fonte oficial do INEM. "Não existe nenhuma decisão sobre encerramento de meios" e "os turnos das ambulâncias estão a ser feitos para que não haja qualquer falha nas escalas", declarava fonte oficial da instituição à Lusa.
Os ordenados da tripulação das SIV é suportado por horas extraordinárias, devido à falta de enfermeiros e ausência de ordem para os integrar nos quadros. As SIV foram colocadas no terreno, por decisão do ministro Correia de Campos, como contrapartida do encerramento de urgências.
Ordem dos Enfermeiros acusa ausência de plano estratégico
A Ordem dos Enfermeiros pediu há uma semana uma reunião urgente com o secretário de Estado da Saúde e continua à espera de resposta.
A Ordem dos Enfermeiros mostra-se preocupada com a alegada "inoperacionalidade" e lembra que está em causa a resposta segura e rápida às pessoas vítimas de acidentes ou doenças súbitas. A Ordem contesta a redução dos meios de socorro da emergência pré-hospitalar apenas por critérios financeiros.
O INEM carece de um Plano Estratégico, acusa a bastonária dos enfermeiros. A actuação do INEM pauta-se por "medidas avulsas que, em nosso entender, só trazem implicações para os cidadãos, porque estes ficam com menos meios de socorro, com menos meios de proximidade e consequentemente com menos capacidade de resposta a situações de acidente ou doença súbita", disse Maria Augusta Sousa.
Com o intuito de entender as decisões da tutela, a Ordem dos Enfermeiros pediu há uma semana uma reunião urgente com o secretário de Estado da Saúde. "Queremos que o senhor secretário de Estado nos forneça as bases para se poder, na actual fase de avaliação, tomar decisões de cortes no nosso entender absolutamente incompreensíveis", afirmou Maria Augusta Sousa.
A Ordem continua à espera de resposta. À RTP, o ministério ficou de confirmar o pedido de reunião.