Lídia Jorge emocionada com Prémio Vergílio Ferreira de quem foi "muito amiga"

| Cultura

Lisboa, 28 jan (Lusa) -- A escritora Lídia Jorge, hoje distinguida com o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora, afirmou-se emocionada, porque foi "muito amiga" de Vergílio Ferreira, que foi o primeiro que a reconheceu como seu par.

"Eu senti muita emoção, porque fui muito amiga de Vergílio Ferreira, que foi um escritor que me acompanhou, aquele que primeiro escreveu sobre [o romance] `O dia dos prodígios`, quando ainda nem sequer estava publicado", disse a escritora à agência Lusa.

"Foi o primeiro escritor a reconhecer-me como seu par, o que me deu uma alegria enorme, como se pode imaginar", recordou a autora de "Os Memoráveis" (2014), referindo que Vergílio Ferreira foi quem a apadrinhou na literatura.

"Foi aquele que me incentivou, aquele que me reconheceu", sublinhou.

O Prémio Vergílio Ferreira 2015 foi atribuído à escritora Lídia Jorge, pelo conjunto da sua obra, na qual se distinguiu na ficção e no ensaio, afirma em comunicado a Universidade de Évora, que instituiu o galardão.

Segundo a mesma fonte, em ata pode ler-se que "o júri decidiu atribuir o prémio à escritora Lídia Jorge, autora de `O Dia dos Prodígios`, e à obra, que até hoje a continuou, dedicada desde então a uma revitalização realista e onírica da vida e da sociedade portuguesa pós-25 de Abril, numa rara convergência entre a singularidade do tempo que é ainda o nosso e a sua vocação de universalidade".

O júri do Prémio foi composto, entre outros, pelos professores universitários António Sáez Delgado, que presidiu, Eduardo Lourenço e António Cândido Franco.

A entrega do prémio realiza-se no dia 05 de março, na Sala dos Atos da Universidade de Évora, no edifício do Colégio do Espírito Santo.

Lídia Jorge foi distinguida, em novembro, por unanimidade, com o Prémio Luso-Espanhol de Arte Cultura 2014, atribuído pelo Ministério da Cultura de Espanha e pela Secretaria de Estado da Cultura de Portugal.

A escritora já recebeu, entre outros galardões literários, o Prémio Dom Dinis, o Prémio PEN Clube, o Prémio Máxima de Literatura, o Prémio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa, o Grande Prémio de Romance de Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), o Prémio Jean Monet de Literatura Europeia, o Prémio Charles Bisset, e o Prémio Albatros, da Fundação Günter Grass.

Em 2013, Lídia Jorge foi considerada, pela revista francesa Le Magazine Littéraire, uma das "10 grandes vozes da literatura europeia".

Nascida em 1946, no Algarve, Lídia Jorge publicou, em outubro do ano passado, pela Dom Quixote, o livro "O Organista". O lançamento decorreu no âmbito do festival Escritaria, em Penafiel, que homenageou a autora.

"A Costa dos Murmúrios" (1988), "A Última Dona" (1992), "O jardim sem limites" (1995), "O Vale da Paixão" (1998), "O Vento Assobiando nas Gruas" (2002), "Combateremos a sombra" (2007), "A Noite das Mulheres Cantoras" (2011) são outros romances de Lídia Jorge, que também assinou a peça "A maçon" (1997).

A escritora é igualmente a autora dos contos "A Instrumentalina" (1992), "O Conto do Nadador" (1992), "Marido" (1997), e "O Belo Adormecido" (2004).

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