Associação do Têxtil e Vestuário pede ao Governo que "mude de rumo" e "caia na realidade"

| Economia

O presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) pediu hoje ao Governo que "mude de rumo", apontando, entre outras situações, que a reposição dos feriados pode significar "perda de 200 milhões de euros de exportação deste setor".

"Esta é uma indústria exportadora, cujo contributo para as contas externas do país é indiscutível, razão pela qual nos permitimos espantar com a política económica seguida pelo executivo, privilegiando o consumo interno, que também quer dizer as importações, penalizando, em consequências, o crescimento económico. É tempo de cair na realidade e mudar o rumo, até porque o Governo tem tido como marca o pragmatismo e não a ideologia", referiu Paulo Melo.

O presidente da ATP falava na abertura do Fórum da Indústria Têxtil sobre "Novos Modelos de Negócio para a Fileira Têxtil e Moda", que decorre em Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, tendo na audiência o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

Paulo Melo também falou de "reformas estruturais oportunamente lançadas", que disse "infelizmente" ver "congeladas, quando não mesmo revertidas, em concreto no domínio jurídico-laboral".

"A simples reposição de quatro feriados pode determinar a perda de 200 milhões de euros de exportação deste setor, para as empresas e para o país. Ou o aumento do salário mínimo, muito para lá do que as condições da economia permitem, pois implica aumentar mais de 5% não apenas as categorias mais baixas, mas todas as restantes em cadeia", afirmou.

O líder da associação que representa o setor têxtil falou também do investimento, lembrando que este "depende exclusivamente da confiança dos operadores económicos" e defendendo que "em nada beneficia de declarações radicais de políticos com responsabilidades na governação ou no seu apoio".

"Já para não falar do Portugal 2020, cujas expectativas foram elevadas, e, também por não corresponder, mitiga as intenções de investimento das empresas", referiu Paulo Melo numa sessão que juntou dezenas de empresários do setor têxtil e vestuário no Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário (CITEVE).

Confrontado com estas declarações, à saída da sala em que decorrem outros debates, Manuel Caldeira Cabral garantiu que "não houve neste Governo nenhuma reversão de políticas" e disse não ter ouvido "críticas" da parte do presidente da ATP.

"Penso que o que o presidente dos têxteis aqui fez foi um elogio ao setor e ao crescimento que está a ter (...). Não houve neste Governo nenhuma reversão de políticas, nem ouvi essas críticas (...). Houve aumento do emprego e se há aumento do emprego é porque algo está a correr bem neste setor. Se calhar, muitos dos que diziam que o setor estava a ter problemas, ou que algumas medidas como aumento do salário mínimo iriam trazer problemas, são os dados das exportações que desmentem esses problemas", disse o governante.

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Caldeira Cal, Famalicão, Fileira Têxtil, Tecnológico,

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