Orizicultores exigem ao Governo medidas em defesa da produção nacional de arroz

| Economia

A Associação Portuguesa dos Orizicultores (APOR) exigiu hoje ao Governo que tome medidas em defesa da produção nacional de arroz, nomeadamente a criação de mecanismos de fiscalização da importação de arroz, que consideram desnecessária.

"O Governo português tem que urgentemente e a exemplo dos seus congéneres espanhol e francês criar mecanismos de fiscalização ao arroz importado para que a produção nacional seja escoada a um preço justo", afirma Isménio Oliveira, coordenador da APOR, em comunicado enviado à agência Lusa.

No texto, o responsável da APOR sustenta que os industriais do setor se preparam para pagar a colheita de arroz de 2016/2017 "ao mesmo preço da colheita passada" (entre os 26 e 28 cêntimos por quilo), "ou seja inferiores aos custos de produção da cultura".

Isménio Oliveira afirma que o "preço justo à produção" deve rondar os 40 cêntimos por quilo (mais 12 a 14 cêntimos do que o proposto pela indústria).

Pelas contas da APOR, que dá como referência a zona do Baixo Mondego (onde a produção custa cerca de 2.000 euros por hectare), um orizicultor daquela zona que venda o arroz a 30 cêntimos por quilo "tem um rendimento de 1.800 euro/hectare ou seja um prejuízo de 200 euro por cada hectare".

"Ao mesmo tempo, os industriais preparam-se para começar a fazer importações de arroz estrangeiro a exemplo do que aconteceu no ano passado, em que entre novembro de 2015 e fevereiro de 2016 foram importadas pelos industriais milhares e milhares de toneladas de arroz sem necessidade", argumenta.

"Os produtores não aguentam que, ano após ano, aquando das colheitas, os preços oferecidos aos produtores sejam abaixo do preço de custo, e ao mesmo tempo haver importações desnecessárias de arroz ", reafirma.

A APOR lembra que, em julho, foi recebida em audiência na Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Assembleia da República mas que, apesar de ter entregado um documento com as principais reclamações dos orizicultores, três meses depois "tudo continua na mesma". Vai por isso pedir ao ministro da Agricultura uma reunião "com caráter de urgência".

Os representantes dos orizicultores alegam ainda que se mantém a "urgência do desbloqueamento de uma verba para finalização das obras hidroagrícolas do Baixo Mondego", nomeadamente a intervenção dos vales do Pranto, Arunca e Ega, na margem esquerda, que está por fazer e abrange cerca de dois mil produtores e quatro mil hectares.

Por outro lado, os orizicultores dizem desconhecer se houve ou não alterações em relação à "anunciada exclusão" do Baixo Mondego das candidaturas a fundos comunitários para intervenções a nível da desobstrução e regularização fluvial e controlo de inundações, e pretendem ser esclarecidos sobre o assunto.

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