Como Israel colabora com Al Qaeda na Síria

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Combatentes sírios da Al Qaeda
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O recente ataque de um drone israelita, que matou um general iraniano e cinco combatentes do Hezbollah, encorajou os "capacetes azuis" da ONU a falarem. E contaram que é sistemática a política israelita, de visar o bloco Irão-Síria- Hezbollah, e de poupar as forças da Al Qaeda e do "Estado Islâmico".

Os testemunhos dos "capacetes azuis" estacionados numa zona-tampão dos Montes Golã são referidos extensamente num artigo publicado em Der Spiegel, sobre a situação naquele território sírio parcialmente ocupado por Israel.

Segundo esses testemunhos, e segundo quatro relatórios de Ban Ki Moon entregues ao Conselho de Segurança no ano passado, tinha havido até 19 de Novembro pelo menos três tentativas originadas naquela zona tampão para colocar armadilhas explosivas em território israelita. Também tinha havido vários disparos de armas ligeiras e de morteiros dessa zona contra Israel, tendo-se registado um morto e dois feridos israelitas.

Os testemunhos e relatórios da ONU não identificam os responsáveis dos atentados e dos disparos, nem precisam se se tratou de disparos direccionados para atingirem alvos israelitas ou de consequências de trocas de fogo entre as forças beligerantes que operam na região. E admitem que o Hezbollah tenha visado alvos israelitas a partir daquela zona tampão, porque assim protegeria de algum modo as suas bases em território libanês contra as retaliações israelitas.

Mas os "capacetes azuis" tornam-se muito mais assertivos quando se referem ao alvo das retaliações em território sírio: em cinco vezes que elas ocorreram, dizem, nenhuma foi apontada contra as forças da Frente Al-Nusra, o ramo sírio da Al Qaeda, ou contra o "Estado Islâmico". Os ataques israelitas visaram sempre o Exército sírio ou os seus aliados iranianos e libaneses. No conjunto, causaram a morte de sete soldados sírios e ferimentos em 43.

Além disso, têm-se registado episódios de auxílio activo de Israel aos combatentes da Al Qaeda. Segundo os relatórios da ONU, verificou-se pelo menos uma vez a entrega de caixotes por militares israelitas aos rebeldes sírios. E verifica-se repetidamente a vinda de rebeldes feridos para tratamento médico em Israel.

Oficialmente, as autoridades israelitas admitem receber feridos sírios, embora digam que não procuram saber se se trata de civis ou combatentes e, neste caso, por conta de quem. De qualquer modo, tal como a política externa israelita tem hoje no Irão e no Hezbollah os seus alvos prioritários, não surpreende que, no terreno, a política militar israelita considere os inimigos dos seus inimigos, ao menos temporariamente, como aliados tácitos.

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Golã, Hezbollah, Irão, Islâmico, Israel, Líbano, Síria, Al Qaeda,

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