Guterres apela a “resposta solidária” da Europa na crise dos migrantes

| Fuga para a Europa

António Guterres junto a crianças sírias, num campo de refugiados na fronteira do Líbano, em novembro de 2013
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Em entrevista exclusiva à RTP, o alto comissário da ONU para os Refugiados lamenta a falta de uma política comum na Europa, sublinhando que, “se existisse uma verdadeira política, solidária, para o problema”, a crise dos migrantes seria "facilmente gerível”. Um repto lançado na véspera da reunião de líderes europeus, marcada para esta quarta-feira em Bruxelas.

"Não há maneira de resolver a crise se cada país agir por si", afirmou Guterres. O alto comissário afirma que é indispensável criar estruturas de apoio aos migrantes, mas ao mesmo tempo, distinguir quem tem ou não direito de ficar na Europa e reenviar, de forma digna, essas pessoas para os países de origem.

Uma resposta que “exige um investimento, uma mobilização de recursos e uma determinação política que não existe” a nível europeu.

O antigo primeiro-ministro português destaca ainda a “enorme mobilização de solidariedade e de boa vontade dos portugueses”. Uma disponibilidade exemplar, destaca António Guterres, defendendo que Portugal não terá dificuldades em alojar quatro mil refugiados.


António Guterres sublinhou que a integração de quatro mil migrantes, aquela que seria a quota atribuível a Portugal, não significa um “impacto dramático na sociedade portuguesa”.
Fechar fronteiras só beneficia traficantes
O alto comissário da ONU para os Refugiados não tem dúvida de que a atual situação de encerramento de fronteiras em nada beneficia a resolução desta crise de migrantes. António Guterres contrapõe, dizendo que a situação estaria melhor “se houvesse um planeamento” que tivesse em conta as necessidades do mercado de trabalho ou mesmo acordos de cooperação com os países de origem.

Fatores que se aliam a um outro problema que a Europa enfrenta: o desafio demográfico. António Guterres defende que a sociedade europeia só é sustentável com um certo nível de imigração.

Refugiados não são terroristas
António Guterres diz que, pela sua larga experiência com refugiados, estas pessoas não são terroristas e são “as primeiras vítimas”.

Aqueles que têm intuitos terroristas, têm outro “modus operandi”, não se arriscando a morrer afogados num barco no Mediterrâneo.

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António Guterres, Portugal, União Europeia, alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Refugiados,

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