Portuguesa ganha prémio por estudo de Alzheimer em 3D

| Especial Informação

Cláudia Almeida, investigadora do Instituto de Ciências Gulbenkian
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Um trabalho pioneiro em Portugal valeu à investigadora Cláudia Almeida, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, um prémio de investigação no valor de 25 mil euros.

Cláudia Almeida, 38 anos, investigadora no CEDOC (Centro de pesquisa de Doenças Crónicas) tem por objetivo principal identificar os mecanismos do transito intracelular dos neurónios que provocam o envelhecimento, contribuindo assim para o desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Um projeto que pretende validar e estudar os mecanismos da doença em laboratório, usando culturas neuronais preliminares como modelo celular.

Um tema de difícil compreensão para quem não sabe como funciona o cérebro, bem como o que nos faz seres conscientes – os neurónios. Mas Cláudia Almeida descodificou ao online da RTP a ciência e deu-lhe uma imagem mais citadina.

Imaginemos então que o neurónio é uma cidade onde circulam imensos carros. Se não houver um controlo nas estradas (axónios e dendrites) que se encontram nessa cidade, o caos instala-se, logo “provoca engarrafamentos”, refere Cláudia Almeida.

O que esta investigação estuda são os reguladores desse trânsito: os genes.


Um caminho difícil de trilhar, mas que levou a uma investigação inovadora com introdução de técnicas em 3D, que pretende criar também um modelo experimental da doença na sua forma tardia.

Um trabalho pioneiro em Portugal que valeu à investigadora Cláudia Almeida, da Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade Nova de Lisboa (UNL), o Prémio de Investigação no valor de 25 mil euros.

Para Cláudia Almeida os 25 mil eiros do prémio que agora recebe são uma grande ajuda para a continuar a investigação, porque “sempre dá para garantir o pagamento de um ou dois investigadores a tempo inteiro durante um ano”.


E quais são as questões que se colocam quando se estuda uma doença como o Alzheimer? Cláudia Almeida responde que atualmente estão a trabalhar para responder as questões como:

1. Como é que tráfego neuronal intracelular contribui para a degradação da beta-amilóide nos neurónios;
2. Como é que os reguladores do tráfego intracelular contribuem para o acúmulo de beta-amilóide nos neurónios;
3. Como é que o envelhecimento celular, principal fator de risco para a doença de Alzheimer, contribuiu para a acumulação de beta-amilóide nos neurónios.


Questões que Cláudia Almeida diz querer resolver a seu tempo. Para já este projeto está numa primeira fase em que as experiências são feitas com base em neurónios vivos de ratos. A próxima fase será a cultura destes processos em neurónios humanos.

Um fator essencial, mas que comporta custos para os quais esta investigadora não possui recursos.
Ficar ou sair. Opção ou imposição?
De acordo com Cláudia Almeida, a saída de Portugal foi essencialmente uma aventura. Ou seja, não aconteceu por necessidade imperativa. Mas a investigadora admite que trabalhar lá fora abre outras perspetivas no mundo da investigação.


Quanto à doença de Alzheimer, sublinha a investigadora, o processo degenerativo neuronal ainda tem muito para estudar. Cada passo na investigação e conhecimento de como funciona todo o processo constitui um contributo para que no futuro a quebra neuronal possa ser passível de tratamento clínico.
O que é um neurónio?
Podemos distinguir três componentes distintas nos neurónios: o corpo celular, as dendrites e o axónio.

Corpo celular – contém o núcleo que é o armazém de energia da célula; fabrica proteínas sob o controlo do ADN presente no núcleo celular. Deste componente saem dois tipos de prolongamentos: as dendrites e o axónio.

Dendrites – são extensões do corpo celular; graças a esta componente, o neurónio apresenta uma maior superfície de receção e emissão de mensagens; estas ramificações múltiplas recebem e transmitem informação de e para outras células com as quais o neurónio estabelece contactos.

Axónio - transmite as mensagens de um neurónio a outro ou entre um neurónio e uma célula ejetora muscular ou glandular; prolonga-se a partir do corpo celular e termina num conjunto de ramificações semelhantes a uma raiz: terminais axónicas ou telodendrites.
Para que serve um neurónio?
A função principal do neurónio é a transmissão de impulsos nervosos. Estes são modificações de energia de natureza elétrica ou química. Designa-se por influxo nervoso os impulsos que circulam nos nervos.

Os neurónios são células especializadas na receção e transmissão de sinais às células adjacentes. Cabe às dendrites captar o estímulo, gerar o impulso nervoso e conduzi-lo ao corpo celular do neurónio. O impulso é transmitido ao axónio e conduzido às ramificações terminais.

À semelhança das restantes células, os neurónios nunca se encontram justapostos. Existe sempre entre eles um espaço microscópico, de 20 a 50 nanómetros (1 nanómetro = 0,000 001 milímetro) de largura - a fenda sináptica.

Um só neurónio pode estabelecer ligações (formar sinapses) com vários milhares de outros neurónios, como acontece com os neurónios do cérebro, por exemplo. Deste modo, um só neurónio pode receber milhares de informações de outros neurónios.

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3D, Alzheimer, Cláudia Almeida, Doença, Investigadora, Investigação, Prémio,

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