Quercus luta contra barragens e parque eólico no Douro no 30.º aniversário

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A associação ambientalista Quercus elege como principais batalhas, na altura em que comemora o seu 30.º aniversário, a contestação às barragens a construir na bacia do Tâmega e ao parque eólico que "vai afetar" o Douro Património Mundial.

A organização assinala três décadas de atividade no sábado, em Vila Real, com a entrega dos Prémios Quercus 2015 e uma conferência subordinada ao tema "Cidadania pelo Ambiente".

Falando hoje à agência Lusa, o presidente da Quercus, João Branco disse que, nesta altura, a associação elege como principais batalhas a luta contra a construção das barragens no rio Tâmega, as três concessionadas à espanhola Iberdrola e a de Fridão concessionada à EDP, e ainda o parque eólico previsto para Torre de Moncorvo/Carrazeda de Ansiães, com área inserida na zona especial de proteção do Douro Património Mundial da Humanidade.

"Porque consideramos que o direito à paisagem é um direito dos cidadãos e achamos absurdo que uma empresa de capitais estrangeiros venha alterar de forma drástica, estamos a falar de 30 aerogeradores do tamanho de 40 andares, uma paisagem que foi construída durante séculos", afirmou João Branco.

Em outubro, a associação apresentou uma queixa à Unesco por causa de "mais este atentado" à paisagem cultural do Alto Douro Vinhateiro e apelou à organização internacional para intervir preventivamente junto do Governo português.

João Branco anunciou ainda que, em novembro, a Quercus avança com a campanha "EDP e Iberdrola fora do Tâmega" que pretende chamar a atenção pública sobre a questão das barragens que integram o Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET) e a do Fridão.

O dirigente referiu ainda que se está a "preparar o reforço" de uma queixa feita há quatro anos à Comissão Europeia contra as três barragens do Alto Tâmega "por violação de diretivas comunitárias, nomeadamente a diretiva da água".

Perante a falta de resposta em quatro anos, João Branco lamentou que a queixa "esteja a ser metida na gaveta" e considerou que se trata de uma "situação vergonhosa".

Um dos primeiros concelhos a entrar em obra no âmbito do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, que inclui as barragens de Gouvães, Alto Tâmega e Daivões, está a ser o de Ribeira de Pena, onde estão a decorrer trabalhos a nível da construção de acessos e de um túnel de 700 metros que fará a ligação à central hidroelétrica.

Estas barragens vão ainda afetar Vila Pouca de Aguiar, Chaves, Boticas e Celorico de Basto.

João Branco considerou que este é um empreendimento "inútil e prejudicial" para a economia local e o ambiente, ameaçando espécies protegidas como o lobo ibérico.

Foi em finais de finais de 1984 que alguns ativistas, provenientes de diversas associações ambientalistas, decidiram criar uma nova organização que desse corpo à necessidade que se fazia sentir da existência de uma associação mais atuante na área da conservação da natureza.

Atualmente a associação está espalhada praticamente por todo o país, possuindo 18 delegações regionais.

João Branco disse que muita coisa mudou nestes 30 anos e que o país possui uma maior consciencialização ambiental.

"Hoje todos os setores da sociedade falam da causa ambiental, desde o Governo à igreja, as empresas, etc. Houve uma grande mudança de mentalidades", frisou.

E, na sua opinião, a própria política também evoluiu. "Basta ver que hoje existe um Ministério do Ambiente e os próprios políticos têm desenvolvido políticas válidas a nível ambiental. Eu estou a lembrar-me, por exemplo, da proibição dos sacos de plástico", salientou.

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