Câmara Pereira: "Se voltássemos à monarquia seríamos muito mais felizes"

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Câmara Pereira: Se voltássemos à monarquia seríamos muito mais felizes

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Por um Portugal monárquico, o partido de Gonçalo da Câmara Pereira volta a apresentar-se às eleições legislativas, defendendo a mudança de regime. O partido critica a centralização e a dependência face a Lisboa e Bruxelas, aposta na municipalização e na redução de impostos. Câmara Pereira defende uma saída ponderada do euro e quer que Lisboa recupere alguns dos poderes que cedeu a Bruxelas.

O nome do partido não engana, nem a trajetória do candidato. Mas se dúvidas ainda pudessem existir, ficaram esclarecidas logo no início da entrevista. “Por convicção, sou monárquico”, afirmou Gonçalo da Câmara Pereira, convicto de que este é um regime mais adequado para Portugal.

“Numa altura em que Portugal e a Europa estão numa encruzilhada, se voltássemos à monarquia, estou convencido que seríamos muito mais felizes e o país sobrevivia e não dependia tanto da Europa”, explicou o cabeça de lista do PPM pelo círculo de Lisboa, em entrevista a João Fernando Ramos.

O candidato defendeu que o federalismo europeu falhou profundamente, apostando por isso, que a União Europeia deve voltar a ser “uma União de Estados”. É preciso dar “mais força aos Estados, tirar força ao federalismo, dar mais independência e domínio sobre o espaço nacional aos países”, defendeu o candidato na Página 2.
“Numa altura em que Portugal e a Europa estão numa encruzilhada, se voltássemos à monarquia, estou convencido que seríamos muito mais felizes e o país sobrevivia e não dependia tanto da Europa”
Gonçalo da Câmara Pereira apresenta o PPM como o único partido que pode mudar o país, através de uma “reforma completa da constituição e do regime”.

“A Terceira República esgotou. Em cem anos temos três repúblicas e todas se esgotaram. Esta está a esgotar-se”. Só com a monarquia, defende o candidato, é que Portugal será um país mais feliz e moderno. Em causa, defende, estão também as diferenças entre um presidente da República e um monarca.

“O Presidente da República é um funcionário das suas próprias clientelas e do poder económico”. Algo que, acredita, não se verifica com um rei. “Um rei não tem patrão. O rei é isento e equidistante de todos os partidos. Defende tanto o pobre como o rico, o desgraçado e o beneficiado pela sorte”.
Apostar nos municípios
O PPM recusa a ideia de que este Governo contribuiu para a descentralização, apontando que os centros de decisão permanecem na capital e criticando a junção de freguesias. O PPM afirma-se como partido “ecologista” e “municipalista”.

Gonçalo da Câmara Pereira defendeu que seja atribuído maior poder aos municípios, refutando que sejam necessárias regiões em Portugal. “Um filho quando chega aos 18 anos emancipa-se, sai de casa. Porque é os municípios não se governam a eles próprios e têm de esperar ordens de Lisboa?”, questiona o candidato. “Quando me convidam para ir jantar com um rico, eu não vou, porque não tenho dinheiro para acompanhar o jantar do rico (…) Porque é que estamos numa Europa dos ricos quando não temos dinheiro para acompanhar?”


O PPM é favorável a uma saída “devagarinho” do euro, para que os países possam ter controlo sobre a política monetária.

 No entanto, critica a postura do Syriza por ter tentado “sair do euro de repente”. Câmara Pereira defende que os países pequenos devem poder ter uma moeda própria, tal como o Reino Unido mantém a libra.

“Quando me convidam para ir jantar com um rico, eu não vou, porque não tenho dinheiro para acompanhar o jantar do rico (…) Porque é que estamos numa Europa dos ricos quando não temos dinheiro para acompanhar?”, reflete o candidato.

Para lá da monarquia, o PPM apresentou a João Fernando Ramos as suas ideias para o país. O Partido Popular Monárquico defende que o Estado social é “essencial” e aposta na entrega da Caixa Geral de Depósitos à Segurança Social para assegurar o seu financiamento. Os lucros da Caixa Geral de Depósitos ficariam assim na Segurança Social.
"Anda a roubar a toda a gente"

Gonçalo da Câmara Pereira defende a redução dos impostos e acusa o Governo de ter aumentado a máquina fiscal para recuperar mais impostos. “No meu tempo, o Robin dos Bosques era o herói. Neste momento, é o xerife de Nottingham que anda a roubar toda a gente”, explicita.

Quanto à próxima legislatura, o PPM diz não acreditar nos partidos que têm governado o país. “Espero que os portugueses não vão votar no mesmo”, porque “se votarem no mesmo não vamos sair da cepa torta”. Por isso mesmo, aconselha os portugueses a “começar a olhar para os programas dos partidos e votar nos programas e não nas pessoas. Em caso contrário, assinala, “estamos a chegar a um fim de ciclo”.

Gonçalo da Câmara Pereira foi o oitavo representante de partidos sem assento parlamentar a sentar-se na cadeira do Página 2. Nas últimas eleições, o PPM mereceu o voto de 14.687 eleitores, 0,27 por cento do total de votos.

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