A memória da guerra na tradição oral de uma família - entrevista com João Craveiro Lopes

O coronel João Craveiro Lopes, além de permitir à RTP o acesso ao diário de cativeiro do seu avô, capturado pelos alemães na Primeira Guerra Mundial, evocou em entrevista diversas memórias que esse avô trouxe das trincheiras e dos campos de prisioneiros.

Prisioneiros de guerra portugueses em 1918
Deutsches Bundesarchiv
| Portugal na I Grande Guerra


Em 1916, o tenente-coronel João Craveiro Lopes foi mobilizado para o Corpo Expedicionário Português (CEP), que iria combater na Flandres. Ao mesmo tempo o seu filho, Francisco Higino Craveiro Lopes, era mobilizado para a guerra em Moçambique. Mais tarde, o combatente da Flandres chegaria a general e o combatente de Moçambique chegaria a marechal e presidente da República. O coronel João Craveiro Lopes era neto do primeiro e filho do segundo.

A entrevista que segue foi recolhida para a RTP em 2008 no âmbito do documentário "Portugueses nas trincheiras", da autoria de Sofia Leite e António Louçã.

Pergunta: Sr. coronel, como chegou a conhecer o drama da chamada batalha de La Lys, tal como o viveu o seu avô?

Resposta: O meu avô deixou dois cadernos em que relata pormenorizadamente o que se passou com ele na noite de 8 para 9 de Abril de 1918.

Da leitura dos dois cadernos de memórias que o meu avô deixou, e de um outro caderno que foi elaborado por um oficial que fazia serviço também no Quartel General Avançado da Quinta Brigada de Infantaria, fiquei com uma ideia bastante pormenorizada do que se passou exactamente no dia 8 para 9 de Abril de 1918.

P.: Onde estava o seu avô, então tenente-coronel Craveiro Lopes, quando se iniciou a ofensiva alemã desse dia?

R.: O meu avô encontrava-se, no dia 8, nas trincheiras, em inspecção, dado que as tropas eram para ser substituídas e houve um adiamento.

De maneira que ele estava exactamente nas trincheiras da primeira linha, a fazer a inspecção às tropas, que estavam bastante desmoralizadas em virtude de lhe terem prometido que seriam rendidas dois dias depois. E afinal soube-se que a coisa tinha ficado adiada.

Isso deu uma desmoralização de tal ordem nas nossas tropas que, nos sectores vizinhos, houve até um batalhão que manifestou uns certos actos de indisciplina que foram prontamente resolvidos pelo próprio comandante da 2ª Divisão, o general Gomes da Costa, pela sua presença e por um bom moral e um bom espírito de procedimento em relação as funções que as tropas tinham.

P.: O sr. coronel sabe em que é que consistiam esses actos de indisciplina?


R.: Consistiam em os homens se recusarem a retomar a posição nas novas trincheiras.

P.: E como começou a ofensiva alemã?

R.: Entretanto começou a noite, o meu avô retirou-se, possivelmente para o Quartel General avançado, que ficava num cruzamento de estradas próximo da linha das aldeias.

Um bocadinho à frente ficava a artilharia, depois ficava a segunda linha de defesa, à frente a primeira linha depois os arames farpados.

De modo que ele retirou-se e então aí por volta da 1 hora da noite começou um bombardeamento absolutamente extraordinário. Quer dizer: caíu sobre o próprio Quartel General, sobre o arame farpado, a primeira e a segunda linha um bombardeamento tal que, ao romper da aurora, praticamente desapareceu o arame farpado, desapareceu a primeira linha, desapareceu a segunda linha.

E não houve maneira de o Quartel General ver a retirada das tropas. Não viram ninguém retirar. Quer dizer: desapareceram ou foram pelos flancos.

P.: Como se explica essa desorientação?

R.: Efectivamente as tropas alemãs entraram no intervalo entre o flanco das tropas portuguesas e o das brigadas inglesas, e atacaram o Quartel General pela retaguarda. Isto devido, ainda por cima às condições atmosféricas: havia um nevoeiro muito cerrado.

Do Quartel General tinham mandado um motociclista para procurar saber o que se passava e esse homem não regressou. Mandaram um homem a pé e também não regressou. E portanto eles ficaram absolutamente isolados no Quartel General, em ruínas sem telhado e sem paredes, encostados a umas paredes. E viram-se encurralados por meia dúzia de soldados alemães.

P.: Ao serem encurralados, como se processou a rendição?

R.: Acho que é um ponto interessante do ponto de vista humano, enfim sobre o carácter das pessoas que ali se encontravam, mencionar que eles, vendo que efectivamente não tinham possibilidade nenhuma de agir, recusaram-se a entregar as armas aos soldados. E em francês e meio alemão disseram ao soldado para chamar um oficial alemão.

Veio um oficial alemão e eles então fizeram a entrega das pistolas. Posteriormente, foram aprisionados e atravessaram a segunda linha da defesa, a primeira linha da defesa, toda a terra de ninguém.

Estava tudo enlameado com cavalos mortos, e soldados, e viaturas. Atravessaram mais ou menos uns 500 metros da terra de ninguém até às trincheiras alemãs.

P.: O que recorda o seu avô sobre o acolhimento nas linhas alemãs?

R.: Nas trincheiras alemãs foram acolhidos por um oficial e por vários soldados e foram mandados para a retaguarda sob escolta.

Chegando à retaguarda, ao Quartel General da Divisão alemã, o meu avô diz nas suas memórias que estava um general, com o seu Estado Maior todo e que ele se lhe dirigiu, o mais composto, o melhor possível, apesar do fardamento enlameado, e que o homem apertou-lhe a mão felicitou a tropa portuguesa, pela maneira como se tinha comportado.

E mais, disse-lhe - é claro, com um bocadinho de vaidade, que é desculpável nestes momentos -, que perante uma ofensiva tal não havia tropa no mundo que pudesse portar-se melhor. De maneira que eles ficaram reconfortados.

P.: Como era, nesse momento, o moral dos prisioneiros portugueses?


R.: O general mandou vir um chá. Eles não tinham comido nada desde a véspera. Nessa altura eram para aí umas 4 h da tarde. Soube-lhes bem esse chá.

Ficaram, por um lado, satisfeitos, por verem reconhecido o seu esforço, o seu valor; mas por outro lado também desanimados porque nesse momento tinha terminado a acção da 5ª Brigada de Infantaria do Corpo Expedicionário Português em França.

P.: E ai começou a odisseia deles como prisioneiros?


R.: Seguidamente eles - isto era ao fim da tarde -, seguiram a pé para uma estrada sob escolta, para uma povoação onde havia um primeiro estacionamento de prisioneiros. Nem era propriamente um acampamento de prisioneiros. Era um estacionamento, um barracão.

P.: E o problema da alimentação começou logo aí?

R.: Aí foi-lhes foi servida, nuns baldes, uma sopa de beterraba. Eram uns baldes desses que muitas vezes se usa para as limpezas das casas.

Os baldes com beterraba e uma palha no chão onde dormiram, onde pernoitaram.

P.: Ficaram aí instalados ou era apenas uma escala?


R.: No dia seguinte de manhã, foram sob escolta, também a pé, perto de 30 quilómetros até Lille. Nessas alturas houve episódios muito tocantes da parte da população francesa. As pessoas chegavam-se aos prisioneiros e ofereciam-lhes pão, ofereciam-lhes géneros, e confortavam-nos e eram afastadas muitas vezes pelos soldados alemães.

Ele até conta um episódio, um pormenor de uma mulher com um filho ao colo, que tinha dois pães e que ofereceu um pão a um dos soldads que estava à sua frente e disse: "Só tenho dois. Este fica para si e este é para o meu filho". Passado pouco tempo, passado uns momentos, deu o outro pão, e então o meu avô perguntou-lhe: "Então e os seus filhos?" E ela disse: "Deus dará".

P.: Quais foram as paragens seguintes?

R.: Eles seguiram o seu caminho até Rastatt. Aí, embora havendo muito poucas condições, sempre lhes foi distribuída uma marmita - não colheres, nem garfos, nem facas, nada disso -, foi-lhes distribuída uma marmita onde eles podiam receber uma sopa em bicha, soldados oficiais todos sem distinção. Ficaram uns tempos nesse, melhoraram um bocadinho as condições nesse acampamento e depois foram então para Bresson.



Em Bresson já havia mais condições. Os oficiais ficaram em quartos separados, por graduações: tenentes-coronéis, e coronéis, capitães, alferes, sargentos e soldados. Os soldados ficaram noutros acampamentos.

P.: O que significava isto de haver mais condições?

R.: Por sinal até chegarem, esses primeiros tempos de cativeiro foram muito penosos, visto que eles só tinham a roupa que tinham na altura que foram prisioneiros.

De facto, de noite havia muito frio. Ainda por cima trocavam os casacos e as botas, muitas vezes, e as polainas, quer dizer, retiravam-lhes os casacos e davam-lhes outros, ou retiravam-lhes as polainas e não lhes davam outras polainas. Ficavam em muito más condições de uniformes e portanto eles tinham de facto muito frio.

Chegaram a Bresson e já melhoraram relativamente porque entretanto, com algum dinheiro que ainda tinham, que conseguiram esconder, eles conseguiram arranjar umas camisolas, arranjar uns casacos, arranjar umas camisas, porque só tinham para se agasalhar durante a noite uns cobertores e pouco mais.

Portanto os primeiros tempos do cativeiro, como ele diz, foram bastante penosos. A alimentação de facto era muito fraca, mas os alemães também não tinham.

P.: Que estratégias de sobrevivência se desenvolveram nesse contexto?

R.: Mais tarde os portugueses começaram a receber por intermédio da Cruz Vermelha, medicamentos e géneros: sardinhas, latas de sardinhas, sobretudo queijos, e outros géneros, bolachas.

O que é certo é que os próprios alemães, umas vezes tiravam-lhes o que tinham. Outras vezes eram os próprios prisioneiros que trocavam por outros benefícios ou lhes ofereciam mesmo, não só latas de sardinha.

Ao principio as condições de alimentação eram de tal maneira que ele até conta um episódio muito tocante: eles tinham ¼ de pão por dia, e então cortavam as fatias (ele até mostra num dos seus cadernos a fatiazinha de pão que tinha por dia). Ele cortava aquilo, dividia pelas três refeições e então das migalhinhas ao fim de uma semana ou 15 dias ou não sei quê faziam uma açorda.


P.: Com o correr do tempo, as carências agravaram-se, ou sentiu-se algum alívio nas dificuldades da vida de prisioneiros?


R.: Mais tarde a coisa estava mais bem organizada e recebiam, café, recebiam farinha, recebiam manteiga, recebiam uns géneros, um mínimo de géneros. Mas claro que era em condições muito restritas. Depois cozinhavam ou mandavam cozinhar um soldado, que tinham os soldados ao seu serviço, ao principio eram polacos eram prisioneiros polacos e depois mais tarde eram prisioneiros portugueses que vinham de outros acampamentos.

Por sinal em muito más condições não só de estado físico de grande debilidade, como doentes, de maneira que eles no fim tinham essa gente ao seu serviço, mas ainda por cima tinham que distribuir parte dos benefícios que vinham da Cruz Vermelha que lhe mandavam das famílias, ainda tinham que distribuir por essa gente que estava em condições muito piores

À medida que o tempo ia passando, ao fim duns cinco meses, as condições começaram a melhorar.

P.: O que sabemos sobre o modo como os prisioneiros sentiram o fim da guerra?


R.: Logo depois do Armistício, não sabiam o que se passava. Em Novembro, as condições eram de tal maneira que de facto já podiam sair do acampamento e os próprios alemães organizavam excursões às cidades próximas para eles poderem abastecer-se.

Eles entretanto recebiam dinheiro por intermédio da Embaixada de Espanha, recebiam os seus soldos que vinham da metrópole, na parte final só. E então já tinham uns dinheirinhos. E então arranjaram uniformes renovados, sobretudo casacos, casacões e tal para se poderem melhor agasalhar.

E então nessa altura, na parte final em Bresson as condições já eram de facto absolutamente razoáveis de vivência e eles começaram a ter um bocadinho mais de moral, mas mesmo assim demorou muito.

P.: Quando foram repatriados?

R.: Só em Janeiro de 1919 é que efectivamente eles foram repatriados. Primeiro foram reunidos na Alemanha, depois foram para a Holanda, com os passaportes, não sei se individualmente se em comboio se foi junto isso não sei. Entretanto vieram tomar o comboio a Paris e vieram para Portugal.

P.: Sr. Coronel, voltando atrás no tempo: o seu avô, tinha feito um primeiro período de combate na Flandres e tinha vindo a Portugal em licença. Pode contar-nos como se processou essa licença?

R.: A mobilização do meu avô para a guerra de França foi, creio, em 1917, quando foram as primeiras tropas para França. Ele fez uma primeira parte da sua comissão, na 5ª Brigada, sempre na frente de combate e depois passados uns meses, não sei quantos, eles tinham direito a uma licença, então regressavam, os oficiais e os sargentos regressavam a Portugal de licença.

Acontecia que muito pessoal que vinha de licença não voltasse, ou por outra, arranjava-se um motivo fácil para não voltar. E isto tinha um grande prejuízo, porque os efectivos lá estavam já muito desfalcados e estas tropas que não voltavam evidentemente faziam muita falta.

Mas o meu avô voltou outra vez.

P.: Como foi o regresso dele e o encontro com o seu pai em Paris?

R.: Vinha normalmente por Espanha por caminho de ferro, chegava a Paris e teve a grande sorte de em Paris se encontrar com o meu pai. O meu pai entretanto tinha vindo da guerra, também da Primeira Guerra, em Moçambique, contra os alemães.

Tinha terminado já a sua comissão da segunda expedição da guerra do norte de Moçambique e entretanto tinha vindo já num estado deplorável de saúde. Entretanto, do seu pelotão de cavalaria, praticamente morreu o pessoal todo componente do pelotão de cavalaria, não só pessoal como os cavalos.

P.: O que é que explica essa mortandade?

R.: Havia naquela altura em África a doença da mosca tsé-tsé que matava os cavalos e a disenteria tropical amebiana que dava cabo dos soldados. Ele próprio apanhou uma disenteria tropical amebiana e estava debilitadíssimo. Quando acabou a comissão embarcou em Palma no navio, juntamente com outros doentes para regressar à metrópole.

Entretanto houve uma ofensiva alemã no norte de Moçambique, logo a seguir. Então, às tantas, ele viu o navio voltar para trás e ir outra vez para o porto, creio que Porto Amélia. Voltou outra vez para trás, e então foram escolher os voluntários e aqueles que se encontravam em melhores condições para irem outra vez. E esteve mais um ano na guerra, em Moçambique.

P.: E como foi o seu pai parar a França?

R.:  Entretanto ele regressou à metrópole depois de acabado mais essa sua der missão portanto à volta de 1917 para 18. Tirou o curso de brevet. Ele era de cavalaria, mas tirou o curso de brevet em França, na Escola Militar de aviação em Charter, em França. E depois, terminado o curso, com grande felicidade, encontrou-se com o meu avô em Paris.

P.: E ainda ficou em França?

R.: O meu avô foi para a Flandres, e ele veio para Portugal, de onde acabou por ir para Moçambique outra vez, durante a primeira guerra para constituir o núcleo da aviação militar em Moçambique.

Esse núcleo, depois de acabada a guerra, acabou por não se formar, porque de facto não havia condições para isso. Foi na altura em que regressou depois definitivamente a Lisboa e então fez a sua vida militar.

P.: Portanto aquilo foi um encontro providencial, poucas semanas antes de o seu avô ter caído prisioneiro dos Alemães?

R.: Foi em Janeiro de 1918. Em Abril o meu avô estava prisioneiro e ele estava entretanto em Africa outra vez, ainda durante a guerra.

P.: O seu avô teve essa infelicidade de cair prisioneiro, o seu pai fez mais comissões do que era suposto. Eles queixavam-se disso?


R.: O meu avô era capitão no tempo da monarquia e o meu bisavô era chefe da Casa Militar do Rei D. Carlos. E o meu avô lidava com o meu bisavô junto do rei, e portanto quando se implantou a República houve de facto uma dificuldade de adaptação.


Campo de portugueses em Karlsruhe

Não dele e do meu pai, que estava no Colégio Militar e que entretanto saiu de oficial nas novas condições da República. Eles aceitaram perfeitamente a República. Mas o ambiente que existia nessa altura, contra os oficiais que tinham vindo da monarquia era o pior possível.

Inclusivamente tanto o meu avô, como o meu pai, foram mobilizados para a guerra de Africa sem lhes competir nem a um nem a outro, porque havia gente mais moderna para pedirem. O meu avô já era capitão antigo, depois major, tenente-coronel. E o meu pai era um alfereszinho, acabado de sair da escola, que ainda não lhe competia, ainda não tinha a experiência.

Eles foram os dois para lá que eram considerados oficiais "talassas", que eram os que vinham da monarquia. Felizmente para eles dois as coisas correram bem, e vieram os dois condecorados com as mais altas condecorações Cruz de Guerra e Cruz de Espada.

P.: Sr. coronel, o seu avô foi também eleito - aqui trata-se verdadeiramente duma eleição democrática - pelos outros companheiros de cativeiro como presidente, digamos assim, de uma comissão de assistência aos prisioneiros. Em que é que consistia a actividade dele nessa comissão?


R.: Isso está escrito num livro “O Prisioneiro de Guerra em França “, do Carlos Olavo; e está escrito nesse caderno do tenente Costa. Havia oficiais portugueses, oficiais polacos e oficiais franceses prisioneiros. Nós dávamo-nos relativamente bem com todos especialmente bem com os franceses. E havia também ingleses.

Mas aquilo, na parte portuguesa, havia grande confusão. Ninguém se entendia. Embora houvesse lá oficiais com patente superior à do meu avô, que era tenente-coronel apenas, ele começou a protagonizar junto dos alemães, individualmente, a reivindicar isto, aquilo e aqueloutro.

E então houve, democraticamente eleita, uma comissão de oficiais portugueses em que o meu avô foi o presidente e que andava a verificar o que se passava, atendia desde manhã até à noite as pessoas que queriam falar com ele, todas as reivindicações, desde a falta de vestuário, até à falta de comida, até à falta de condições, até aos tratamentos discriminatórios que havia em relação a oficiais.

P.: Que tratamentos discriminatórios eram esses?

R.: Houve lá condições muito más. Quer dizer, quando houve uma desinfecção, de que fala o livro do Carlos Olavo, puseram oficiais, sargentos e praças, tudo nu, para fazer a desinfestação e tomarem o banho da desinfestação. Houve situações humilhantes quando efectivamente não havia quem pudesse reivindicar.

A comissão era constituída por vários oficiais entre os quais o meu avô, que era porta-voz junto dos alemães e que efectivamente, conforme o livro até do Carlos Olavo refere, conseguiu efectivamente pôr ordem.

Quem é que tinha disciplina sobre os oficiais? Havia oficiais desde coronel até alferes. Pequenas dsicussões, pequenas rixas, etc. tinham de ser resolvidas. Não havia quem resolvesse, e portanto foi ele que efectivamente conseguiu pôr uma certa ordem naquela contingência.

P.: Ele conseguiu, junto dos alemães, melhorar em alguns aspectos a situação dos prisioneiros?


R.: Os alemães, a ele, ouviam-no. Estes prisioneiros, na Alemanha, em relação àquilo que a gente vê nos prisioneiros do Vietname e na guerra com os japoneses lá nos mares do Japão, foram muito bem tratados.

Efectivamente foram humilhados, foram ofendidos, foram roubados, foram-lhes extorquidos os seus dinheiros, os seus relógios, etc.. Há até um tenente-coronel Mardel, que era muito amigo do meu avô, que estando ferido dos pés, não lhe trataram dos pés, um médico tirou-lhe as polainas, e um sargento tirou-lhe o relógio. E foram despojados do dinheiro, quer dizer, sofreram.

Mas mesmo assim, acções físicas não sofreram. Quer dizer, sofreram a falta de tratamento e de cuidados, falta de vestuário, falta de comida, sim senhor, mas não acções violentas. E isso, em relação àquilo que a gente vê sobre as guerras modernas ...

Os alemães, apesar de tudo, estavam no fim da guerra, também estavam desmobilizados e também não tinham que comer, e não tinham transportes, e não tinham correio, e portanto dentro das condições em que tinham, apesar de tudo, as condições que ofereceram aos prisioneiros não se pode dizer que foram absolutamente indecorosas. Foram razoáveis para a situação em que eles se encontravam.

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