Paquistão alarga proibição do uso de sacos de plástico

| Ambiente

No Canadá, uma pessoa carrega as compras em sacos de plástico
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A província paquistanesa do Punjab tornou-se na mais recente região a banir os sacos de plástico. No entanto, ainda não há previsão para quando será implementada esta norma no Estado mais populoso do país.

O Paquistão continua na luta para tentar reduzir a utilização do plástico visto que este prejudica, cada vez mais, o meio ambiente.

Na semana passada, a capital do Paquistão, Islamabad, decidiu começar a cortar com o polietileno, mas ainda não há uma data prevista para o Estado com maior densidade populacional do país - Punjab. Em contrapartida, a província de Sindh, no sudeste do país, já anunciou que vai proibir a utilização de sacos de plástico a partir de outubro.

A multa estabelecida para aqueles que decidirem desafiar as ordens do Governo ronda os 68 euros, o que equivale a quase um mês de salário para um trabalhador. No caso dos fabricantes de plásticos e lojistas, os valores aumentam em proporção.

Um comerciante em Islamabad foi multado em 200 mil PKR – cerca de 1147 euros - pela utilização indevida de sacos de plástico. Já o gerente de outra loja foi multado em 50 mil PKR – quase 286 euros.

“Há um compromisso político para retirar o plástico do Paquistão. A sua utilização tem um enorme custo económico e para a saúde”, afirmou ao Guardian o conselheiro do primeiro-ministro paquistanês para as mudanças climáticas, Malik Amin Aslam.

Decidimos dar este passo para fazer a diferença e colocámos multas pesadas para aqueles que não respeitem a proibição”, acrescentou.

Apesar de ter sido implementada esta medida, o Governo pretende apoiar os comerciantes locais.

"De momento, estamos a introduzir sacos de papel” como alternativa a curto prazo, assegurou Malik Amin Aslam.

No entanto, para o cientista Hassaan Sipra, a probabilidade de realmente acontecer uma mudança parece ser ínfima.

“A implementação de leis sempre foi um problema no Paquistão” começou por referir o cientista no Centro para Pesquisa e Desenvolvimento Climático da Universidade (Comsats), localizada em Islamabad.

“O atual Governo mostrou uma atitude séria para tornar esta proibição numa bem-sucedida, mas eles também precisam de a implementar e monitorizar”, advertiu.

Ao longo de décadas, as províncias paquistanesas decidiram proibir a utilização dos sacos de plástico, mas os Governos locais nunca chegaram a implementar efetivamente essa norma.

Contudo, na opinião da jornalista ambiental Afia Salam, "desta vez, o Governo tem de fazer a diferença porque o fracasso tem um custo devastador para o meio ambiente".

“As mudanças não vão ser da noite para o dia e a eficácia vai depender das agências implementadoras”, acrescentou.

Neste momento ainda pode ser cedo demais para os frutos começarem a ser colhidos visto que num dos supermercados de Islamabad, o F-6 Super Market, ainda não há solução para a medida tomada.

O Governo proibiu os sacos de plástico, mas muitas lojas não oferecem outras alternativas. Isso é tão frustrante”, afirmou Kamran Ahmed, um dos moradores da capital ao carregar os legumes nas mãos.

Enquanto não houver a possibilidade de fornecer sacos de papel, os cidadãos vão ter de arranjar outras soluções para poderem ir às compras sem preocupações.

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