Sonda espacial Rosetta conclui com êxito aterragem em cometa

A Agência Espacial Europeia anunciou que o módulo de aterragem da sonda espacial Rosetta já se encontra sobre o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, tendo-se fixado com brocas automáticas. Uma hora depois da aterragem, a equipa percebeu que os arpões que a Philae ia usar para se fixar não dispararam e começou a estudar alternativas.

Ana Sofia Rodrigues, RTP /
ESA

O sinal de sucesso foi recebido às 16h00 no centro de comando da Missão Rosetta na ESA em Darmstadt, na Alemanha, marcando um momento histórico na exploração espacial europeia.

A primeira parte da viagem do Philae até ao cometa iniciara-se às 9h00 desta quarta-feira, quando chegou ao centro de controlo da Agência Espacial Europeia (ESA) a confirmação de que o módulo se havia separado da sonda Rosetta, iniciando a descida, numa espécie de queda livre ao longo de quase 20 quiilómetros, até ao cometa 67P/Churiumov-Gerasimenko.

Tudo a 500 milhões de quilómetros da Terra, entre Júpiter e Marte.

Esta quarta-feira marcou o clímax, mas também o dia mais longo duma missão que já dura há dez anos. Só às 16h00 se festejou o o sucesso da aterragem do Philae. A informação demorou 28 minutos e 20 segundos a chegar a Terra. As primeiras imagens do cometa só estão previstas para mais tarde, cerca de uma hora depois.

Foram horas de ansiedade e nervosismo.

“Precisaremos de alguma sorte para não aterrar numa rocha solta ou numa zona inclinada do cometa”, salientara Stephan Ulamec, diretor do Philae no Centro Aeroespacial Alemão, citado pela Associated Press. Durante a descida, os cientistas nada puderam fazer. A distância em relação ao Planeta Azul impedia o envio de instruções em tempo real. De cá, apenas se podia observar a descida.

O interesse científico da missão faz com que inúmeros sites de órgãos de comunicação social por todo o mundo tenham reportagens quase minuto-a-minuto. A missão pôde ser acompanhada em direto no site da ESA.

A 7 de agosto a sonda Rosetta enviara as primeiras imagens do cometa 67P, captadas entre os 280 quilómetros e os 120 quilómetros de distância.
Rosetta pretende descodificar o sistema solar
O Philae não pesa mais do que 100 quilos, num tamanho equivalente a um frigorífico doméstico ou até uma máquina de lavar. Mas a bordo do módulo, seguem 21 instrumentos de medição que recolherão dados científicos sobre a água e os compostos químicos presentes no cometa, que se espera possam ajudar a explicar a origem dos cometas e outros corpos celestes do sistema solar e até mesmo da vida na Terra. Vai analisar pela primeira vez dados da superfície do cometa, mais “limpos” do que aqueles que se podem captar na órbita. O módulo Philae tem capacidade de furar o solo do cometa até 25 centímetros, pedaços de solo que serão analisados no próprio local por outros instrumentos a bordo

O cometa 67P/Churiumov-Gerasimenko, que mede três quilómetros de largura por cinco de comprimento, é um dos mais antigos fósseis que se conhecem no sistema solar. O nome da missão, Rosetta, demonstra a intenção científica. Este é o nome da Pedra encontrada em 1799, no Egito por militares de Napoleão e que ajudou a descodificar os hieróglifos egípcios.


Missão científica de uma década
A sonda Rosetta foi lançada em março de 2004. Viajou no espaço 6,5 mil milhões de quilómetros e colocou-se em “perseguição” deste cometa. Algo que não é fácil, até porque ele demora seis anos e meio a completar a órbita à volta do sol. Apanhou-o em agosto deste ano. Vai agora continuar a “segui-lo” enquanto o cometa se aproxima do sol.

Um dos principais elementos do Projeto Espacial Rosetta é Matt Taylor, elo de ligação entre os cientistas e os responsáveis operacionais da missão espacial Rosetta. Taylor esteve em Lisboa em setembro e conversou com o jornalista da Antena 1, Nuno Patrício.

A missão custa 1300 milhões de euros.
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