EUA. Exército vai dispensar militares que recusem ser vacinados contra a covid-19

O Exército dos Estados Unidos anunciou que irá dispensar, com efeito imediato, os militares que recusem receber a vacina contra a covid-19, atualmente obrigatória para quem integra esse ramo das Forças Armadas. A decisão coloca mais de 3.300 soldados em risco de desemprego.

RTP /
Até agora, três mil militares do Exército dos EUA pediram isenção de vacinação por motivos médicos ou religiosos. Bryan Woolston - Reuters

“A prontidão do Exército depende de militares que estão preparados para treinar, mobilizar, lutar e vencer as guerras da nossa nação. Os que não estão vacinados representam um perigo para as Forças Armadas e colocam em risco essa prontidão”, afirmou na quarta-feira, em comunicado, a secretária do Exército norte-americano, Christine Wormuth.

A responsável anunciou que, assim sendo, esse ramo militar vai “iniciar um processo de separação involuntária dos soldados que recusem receber a vacina [contra a covid-19] e que não estejam a aguardar uma decisão final sobre uma eventual isenção de vacinação”.

“Separação” é o termo habitualmente utilizado pelo Exército para se referir à dispensa dos seus membros. A ordem de serviço indica que os militares serão dispensados por má conduta e que quem cumpre os requisitos para a reforma poderá pedi-la até 1 de julho.

Segundo a CBS, os militares que forem libertados das suas funções não estarão elegíveis para receberem subsídio por separação involuntária.

Até agora, outros três mil militares do Exército pediram isenção de vacinação por motivos médicos ou religiosos e aguardam decisão final. Se esta for negativa, esses soldados terão um prazo de sete dias para iniciar o processo de vacinação.
Quase 97% dos militares já foram vacinados
A decisão do Exército faz eco das já tomadas pelos restantes ramos militares dos Estados Unidos: a Marinha, o Corpo de Fuzileiros e a Força Aérea já começaram a dispensar membros que recusaram ser vacinados.

Dados da última quinzena revelam que, nesses três ramos, foram dispensados já um total de 650 membros.

Segundo números divulgados na semana passada pelo Exército, são mais de 3.300 os militares que não cederam à obrigatoriedade de vacinação. Desses, 3.073 receberam desde 26 de janeiro reprimendas escritas oficiais, o que sugere que possam estar envolvidos em processos disciplinares.

Estes números, apesar de elevados, representam apenas uma pequena parte do pessoal do Exército: quase 97 por cento de todos os militares já receberam pelo menos uma dose da vacina contra a covid-19.

A decisão agora anunciada pelo Exército pretende fazer cumprir a vontade do Departamento de Defesa dos EUA, que em agosto de 2021 ordenou que todos os seus membros, incluindo os militares de reserva (que combinam a carreira militar com a civil) recebessem a vacina.

Como justificação, o Pentágono argumenta que é absolutamente necessário assegurar a saúde e a prontidão destas forças numa altura em que a pandemia continua a crescer no país. Nas Forças Armadas norte-americanas, até agora já morreram 79 soldados devido ao SARS-CoV-2.
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