Colóquio internacional discute obra da escritora Maria Velho da Costa no Porto

| Cultura

A obra da escritora portuguesa Maria Velho da Costa será discutida num colóquio internacional marcado para segunda e terça-feira, no Porto, com o objetivo de homenagear a autora, por altura do seu 80.º aniversário.

O evento, intitulado "Saber de Mim Sabendo das Coisas", decorre na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e no Teatro Nacional São João (TNSJ), com várias mesas de discussão da obra da escritora, além da exibição de um documentário, da apresentação de um livro e de uma leitura encenada.

Na segunda-feira, o colóquio arranca com uma intervenção da professora da Universidade de Lisboa Helena Buescu, antes de uma mesa sobre "o sagrado e o profano em Maria Velho da Costa", com a participação de Cláudia Capela Ferreira (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), Daniel Floquet (Universidade do Porto) e Vítor Teves (Universidade do Porto).

Pelas 17:30, é apresentado o livro "Maria Velho da Costa: Uma poética de Au(c)toria", de Maria José Dias, antes da exibição do documentário "Fátima de A a Z", realizado por Margarida Gil, uma exploração, por ordem alfabética, da vida e pensamento da escritora, Maria (de Fátima de Bivar) Velho da Costa.

Na terça-feira, a FLUP recebe nova mesa, sobre "linguagem leitura e intertextualidade" na literatura de Velho da Costa, contando com três professoras da Universidade do Porto, Inês Seabra Carvalho, Ivana Schneider e Susana Vieira.

À tarde, os primeiros trabalhos da autora são matéria de análise em "Juventude e Revolução", a quarta mesa de debate, com Rui Miguel Mesquita (FLUP) e o brasileiro Jorge Vicente Valentim, da Universidade Federal de São Carlos.

Maria Irene Ramalho, da Universidade de Coimbra, encerra o programa na FLUP.

No Teatro Nacional São João, às 18:00, a obra de Maria Velho da Costa justifica a reunião dos encenadores Ricardo Pais e Nuno Carinhas, da cineasta Margarida Gil e da escritora e dramaturga Luísa Costa Gomes, com moderação da poetisa Ana Luísa Amaral.

Todos os intervenientes estiveram envolvidos, na passagem a palco da obra de Velho da Costa.

Luísa Costa Gomes e Nuno Carinhas dramatizaram o romance "Casas Pardas", em 2012, enquanto Ricardo Pais encenou, com a poetisa Ana Luísa Amaral, o espetáculo "Madame", em 2000, cujo texto dramático foi trabalho pela autora de "Myra" (2008) e "Da Rosa Fixa" (1978).

O colóquio dá o mote para a reedição de "Madame", numa edição do TNSJ, em parceria com a editora Húmus, e antecede a leitura encenada de "Meninas Exemplares", uma encenação de Sara Carinhas que revisita "Madame", "Irene ou O Contrato Social" e "Casas Pardas", entre outros textos.

A leitura, marcada para as 21:00, conta com Emília Silvestre, Joana Carvalho e Sara Barros Leitão, e encerra o colóquio "Saber de mim sabendo das coisas", dedicado à autora de "Casas Pardas" (1977), cuja obra mais recente foi "O Amante do Crato", coletânea de contos lançado em 2012.

Nascida em 1938, Velho da Costa tornou-se uma autora de referência com a publicação, em 1969, do romance "Maina Mendes", e foi uma das "três Marias", com Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno, que assinou as "Novas Cartas Portuguesas", publicadas em 1972, que suscitaram viva polémica, pelo desafio colocado aos padrões sociais e políticos da ditadura.

Maria Velho da Costa foi leitora de Português no King`s College, em Londres, na década de 1980, e desempenhou várias funções oficiais na área da Cultura: foi adjunta do secretário de Estado da Cultura em 1979 (o escritor Helder Macedo) e adida cultural em Cabo Verde, de 1988 a 1991, tendo também pertencido à Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

A escritora está também presente no cinema português, através da escrita de argumentos ou diálogos, no trabalho com cineastas como João César Monteiro, nos filmes "Que Farei eu com esta Espada?" (1975), "Veredas" (1978) e "Silvestre" (1981), Margarida Gil, em "Rosa Negra" (1992), "Anjo da Guarda" (1998) e "Adriana" (2004), ou Alberto Seixas Santos, em "Mal" (1999) e "A Rapariga da Mão Morta" (2005).

Em 1997, recebeu o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora, pelo conjunto da obra literária. O romance "Lúcialima, de 1983 - para o qual a pintora Paula Rego concebeu o quadro de mesmo nome -, recebeu o Prémio D. Diniz. "Missa in albis", de 1988, foi Prémio PEN de Novelística, a coletânea "Dores", de 1994, Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e Prémio da Associação Portuguesa de Críticos Literários.

Em 2000, recebeu o Grande Prémio de Teatro da APE, por "Madame", e o Grande Prémio de Romance, por "Irene ou o contrato social".

O romance "Myra", de 2008, recebeu o Prémio PEN Clube de Novelística, o Prémio Máxima de Literatura, o Prémio Literário Correntes d`Escritas e o Grande Prémio de Literatura dst.

Em 2002, foi galardoada com o Prémio Camões, no ano seguinte, foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2011, Grande-Oficial da Ordem da Liberdade. Em 2013, recebeu o Grande Prémio Vida Literária da APE.

SIYF // MAG

 

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