Defesa entrega forte abandonado a Cascais após reportagem da RTP

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O Governo cedeu o forte de Santo António do Estoril à Câmara de Cascais com vista à recuperação do monumento classificado como imóvel de interesse público. O Estado admite que não consegue tomar conta do património cultural sozinho.

Uma grande reportagem da RTP intitulada “Estado de Abandono”, emitida há um mês no programa Linha da Frente, denunciou atos de vandalismo no forte que foi habitado por Oliveira Salazar entre 1950 e 1968.



Dois dias após a reportagem da RTP, o Presidente da República inteirou-se do caso e visitou o forte acompanhado pelo ministro da Defesa e pelo presidente da Câmara de Cascais.O exército deixou de usar o forte do Estoril desde 31 de agosto de 2015, utilizado até então como colónia de férias do Instituto de Odivelas. Ficou ao abandono desde então.
 
No acordo de cedência do forte de Santo António, o secretário de Estado da Defesa Nacional defendeu hoje em Cascais que a gestão do património é "um dos eixos centrais" do processo de descentralização de competências para as autarquias, considerando que, no futuro, a assinatura de protocolos de colaboração com os municípios, assumirá "uma natureza quase corriqueira".

"Todos temos a consciência de que o Estado português é seguramente o maior proprietário em Portugal e nem sempre é capaz de zelar convenientemente pelo extenso património que detém", admitiu Marcos Perestrello, acrescentando que as autarquias "assumem-se muitas vezes como um parceiro absolutamente indispensável e essencial à gestão desse património".
Estado incapaz de preservar sozinho
Para o secretário de Estado, "as autarquias são um parceiro essencial na gestão deste património", que "é de tal forma extenso que o Estado sozinho não consegue tomar conta dele".

O protocolo assinado com o município de Cascais, adiantou o governante, "é um ponto de partida para um processo de rentabilização" do Forte de Santo António da Barra, no sentido de "criar as condições para que aquele património possa ser utilizado, possa ser usufruído pela população de Cascais e pela população do país que o queira visitar".

O presidente da autarquia, Carlos Carreiras, salientou que a câmara irá avançar com "a desmatação" do recinto fortificado e ironizou que já não precisará, no âmbito das medidas de mitigação de riscos de incêndio, de se substituir ao proprietário Estado para a limpeza do Forte de Santo António.

O autarca social-democrata reiterou os agradecimentos ao Presidente da República, primeiro-ministro e ministro da Defesa Nacional, entre outras entidades, pelo contributo para "nos últimos 15 dias ultrapassar uma situação que se arrastava já há bastante tempo".
Planos para o forte
Carlos Carreiras vincou que o espaço irá ter "utilização pública" e que nos projetos para a sua dinamização está ainda prevista a instalação de instituições como a BioMarine, organização dedicada ao mar, a nível mundial, e do instituto responsável pelas Conferências do Estoril.

O Forte de Santo António da Barra, edificado durante a ocupação filipina, teve um papel relevante no âmbito da Restauração da Independência política de Portugal em 1640, constituindo um ponto importante do sistema de defesa marítima de Lisboa.

A fortificação foi utilizada, durante o Estado Novo, como residência de férias de António Oliveira Salazar, que ali sofreu uma queda em 1968, contribuindo para a degradação do seu estado de saúde até à morte em 1970.

C/Lusa

Tópicos:

António de Oliveira Salazar, Carlos Carreiras, Cascais, Marcos Perestrello, Forte Santo António,

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