Detenção de directora da Huawei: imprensa chinesa furiosa com EUA

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Apesar das dificuldades que levanta, como uma Muralha da China, a barreira da língua, é impossível ignorar a chuva de impropérios que a imprensa chinesa hoje lança sobre o inquilino da Casa Branca e a sua Administração - mesmo a ajuizar apenas pelas edições em inglês.

O conspícuo China Daily inclui um artigo de responsabilidade editorial que sublinha a contradição entre os gestos de reaproximação entre XiJinping e Trump na Cimeira do G-20, com as correspondentes expectativas numa distensão das medidas e contramedidas proteccionistas e, por outro lado, a "pertinaz mentalidade de guerra fria" documentada na detenção de Meng Wanzhou, no Canadá, a pedido da Justiça norte-americana.

Para além dessa mentalidade, o artigo aponta também como motivo para a detenção o facto de a Huawei se ter tornado uma das empresas de vanguarda no domínio das novas tecnologias a nível mundial. Depois de terem pressionado Governos e empresas clientes da Huawei a cancelarem os contratos com o gigante chinês, a pretexto dos perigos de ciberespionagem que assim estariam a ser potenciados, os Estados Unidos procurariam agora atingir a Huawei com esta detenção, a pretexto da inobservância do embargo contra o Irão por parte da empresa.

Num outro artigo, citado na imprensa internacional, o mesmo diário classifica a detenção de Meng Wanzhou como "hooliganismo".

No jornal Global Times, um artigo assinado por Mei Xinyu classifica a detenção da directora como uma "rapto" (com aspas no original) e alerta contra o seu efeito perverso sobre os mercados financeiros, potencialmente nocivo tanto para a China como para os EUA.

Num outro artigo do mesmo diário, classifica-se a mesma detenção como "acção desprezível de um pária" [despicable rogue approach] e cita o comentário da Embaixada chinesa no Canadá, a rotulá-la como "grosseira violação dos direitos humanos".

Mais sibilino, o South China Morning Post cita o porta-voz do MNE chinês, Geng Shuang, a afirmar que a China não irá retaliar, detendo empresários norte-americanos que se encontrem em território sob a sua jurisdição.

Não dando a questão por encerrada, o mesmo artigo prossegue com a citação de Jason Wright, fundador de uma agência de informação de Hong Kong, que admite a ocorrência de detenções retaliatórias por parte da China, mas camufladas sob outros pretextos: "[Isso] teria de tomar a forma de uma investigação antitrust, ou de acusações de corrupção. Há muitas formas de retaliar".

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