Dirigir o Festival de Cinema de Toronto é "oportunidade extraordinária" - Joana Vicente

| Cultura

A produtora portuguesa Joana Vicente afirmou hoje à agência Lusa que aceitou ser diretora executiva do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), Canadá, por ser uma "oportunidade extraordinária" num tempo de mudança na indústria cinematográfica.

"Aconteceu tudo muito rápido e achei que era uma oportunidade extraordinária de poder trazer um bocadinho todas as experiências e coisas em que tenho trabalhado na minha vida profissional", explicou Joana Vicente, nomeada em 2018 diretora executiva do TIFF e que apresentou hoje, em Toronto, parte da programação da 44.ª edição, prevista para setembro.

Aos 56 anos, e há várias décadas radicada nos Estados Unidos da América, Joana Vicente é uma reconhecida produtora do cinema independente norte-americano, tendo trabalhado com nomes como Brian de Palma, Alex Gibney, Steven Soderbergh e Jim Jarmuch.

Em Nova Iorque, fundou com Jason Kliot, marido e produtor, a Open City Films e a HDnet Films, e durante uma década foi diretora executiva do Independent Filmmaker Project, a mais antiga organização, sem fins lucrativos, de realizadores independentes.

Ao lado do canadiano Cameron Bailey como diretior artístico do TIFF, Joana Vicente fica a comandar um festival fundado em 1976 e que tem sido apresentado como uma das paragens do calendário de antestreias de cinema independente na América do Norte e uma das etapas para os Óscares.

Além do festival, que tem a particularidade de ser aberto ao público, a organização do TIFF tem ainda uma programação anual na cidade num complexo (o TIFF Bell Lightbox) que inclui salas de cinema, biblioteca, galeria e um centro de pesquisa.

Em 2018, quando assumiu funções, a atual direção do TIFF desenhou uma estratégia a longo prazo mais inclusiva e representativa da diversidade do setor, incluindo "criadores, artistas e `media` sub-representados", tendo em conta o panorama de mudança com a coexistência de exibição e produção de cinema para sala e para consumo doméstico.

"O que eu acho interessante que se está a passar é que as diferenças entre o que é produto de televisão e cinema começam a desaparecer um bocadinho. (...) Há uma maneira mais fluida de fazer bons conteúdos, seja para sala de cinema ou para plataforma digital. Mas ao mesmo tempo é um desafio, [perceber] como continuamos a ser relevantes e a dar razões para as pessoas irem à Lightbox e terem essa experiência mais imersiva", disse Joana Vicente.

Para a produtora e programadora portuguesa, o desafio da indústria do cinema é afinar o formato ideal, o tempo ideal para contar uma boa história aos espectadores.

Joana Vicente aceitou ainda o convite do festival de Toronto também para dar um contributo na discussão sobre a presença das mulheres em cargos diretivos dentro do universo cinematográfico.

"Achei que era uma boa oportunidade", afirmou, sublinhando que houve um esforço da nova direção para que as equipas programadoras do festival fossem diversificadas, com pessoas de várias culturas, países e identidades. Isso influenciou as escolhas desta edição.

Em 2008, quando passou pelo DocLisboa como júri, Joana Vicente contava à Lusa que nasceu em Macau, estudou Filosofia em Lisboa, foi assistente de Maria de Lurdes Pintassilgo no Parlamento Europeu e trabalhou nas Nações Unidas até se decidir pela produção de cinema nos Estados Unidos em parceria com o marido.

Nesse ano, afirmava que o cinema norte-americano também estava a sofrer como a crise económica internacional e, na perspetiva social, temia que uma "América muito racista e muito ignorante" ganhasse força com as eleições presidenciais, então a semanas de acontecer.

Onze anos depois, passada a administração do democrata Barack Obama e com a eleição do milionário Donald Trump, Joana Vicente diz-se apreensiva e ansiosa.

"Acho que é um momento muito, muito difícil para os Estados Unidos e espero que o fim desta administração esteja próximo. Seja na política seja no cinema, temos sempre aquelas alturas em que parece que não pode ficar pior e que o céu está a cair, mas sou uma pessoa otimista. Há coisas más, mas criam novas oportunidades. Estou a tentar imaginar um futuro melhor nos Estados Unidos e espero que brevemente", acrescentou.

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