Guitolão elétrico: o novo instrumento inventado por um português

| Cultura

O guitolão vem da família da guitarra portuguesa e a principal diferença é o tamanho da escala.
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Parece uma guitarra portuguesa, mas também se assemelha à elétrica. No fundo, o guitolão elétrico acaba por ser uma mistura dos dois instrumentos. A cultura portuguesa foi a inspiração de Pedro Alves Duarte, o músico que o concebeu para o utilizar especificamente no seu primeiro álbum.

O guitolão elétrico vem da família da guitarra portuguesa, neste caso, do guitolão: um instrumento que foi criado em 2005 por Gilberto Grácio e pensado para o músico Carlos Paredes.
 
A ideia seria criar uma guitarra portuguesa que alcançasse mais notas musicais, com sonoridades mais graves e agudas. Por isso, o braço por onde se estendem as cordas do guitolão é mais extenso.  
 

A guitarra portuguesa elétrica já existia em várias versões e cada uma foi criada por músicos diferentes. O que faltava, diz Pedro Alves Duarte - inventor do guitolão elétrico - era um instrumento com o timbre da guitarra portuguesa e a versatilidade de uma guitarra elétrica.
 
Este novo instrumento surgiu do projeto de Doutoramento do músico e investigador na Universidade de Bath Spa, em Inglaterra.  
Uma guitarra portuguesa moderna 
Pedro Alves Duarte descreve a sua invenção como uma guitarra portuguesa barítono elétrica. O guitolão vem da família da guitarra portuguesa e a principal diferença é o tamanho da escala – alcança mais notas (quatro oitavas completas) e tem vinte e três trastes. 

“A guitarra portuguesa e a de Coimbra, elétricas, já foram inventadas. Faltava um instrumento mais versátil com mais expressividade. E este instrumento tem essa expressividade (…) associada à tecnologia elétrica, mais conhecida pela colocação de pick ups”, explica o músico. 

Reportagem emitida no programa Portugal em Direto
 
O corpo do instrumento também é maior, o que possibilita uma maior projeção dos harmónicos, mas também o torna mais característico e invulgar.
 
O instrumento pode adaptar-se a qualquer estilo musical, incluindo o pop, jazz, rock ou fado. A estabilidade dos sistemas permite afinações diversas para resultados criativos autênticos, destaca Pedro Alves Duarte.  
 
É ainda possível captar qualquer sistema de cadeia de efeitos de sinal e amplificadores, sendo possível ouvir o som com distorção ou vibrato, por exemplo.  
 

O músico desenhou e estruturou o projeto sozinho mas contratou três luthiers para o trabalho de manufatura em Portugal, nos Estados Unidos da América e também no Reino Unido. Só assim, sempre a supervisionar o projeto, conseguiu o som que procurava para brilhar nas composições do futuro álbum que irá lançar, cujo tema é a cultura portuguesa. 
 
“Caravela” é o nome do primeiro original onde se faz ouvir pela primeira vez o guitolão elétrico.
 
Pedro Alves Duarte sublinha que este instrumento só poderia ter sido inventado por alguém com o intuito de o usar na sua própria música ou que “não tem o conhecimento para o tocar”. Este guitolão, refere, faz parte da sua “organologia, do timbre, da identidade” musical.  
 
“É uma nova textura cheia de portugalidades, cheia de fado, mas com aquilo que eu gosto: distorção!”, diz o instrumentista.

Uma homenagem à cultura portuguesa 
Mas não se trata apenas de uma mera uma invenção feita por um português. Por detrás deste instrumento, há muita história e cultura que surgem representadas nos mais pequenos pormenores.
 
A caixa-de-ressonância do instrumento em forma de gota é inspirada na arquitetura interna da guitarra portuguesa, e a cor azul é uma alusão à azulejaria portuguesa.  
 
As entradas de som têm a forma de uma folha de oliveira – árvore predominante em Portugal – e o braço também tem várias folhas desenhadas.  
 
O guitolão é uma marca da identidade portuguesa no mundo da música. O processo de patenteamento já teve uma reposta positiva. Em breve, é possível que vejamos este instrumento no mercado e que o oiçamos nos mais diversos estilos musicais.  

Tópicos:

Portugal, instrumento, música, Guitolão,

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