O teatro de Tiago Rodriges em destaque na próxima temporada dos palcos de Madrid

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A peça "Sopro", de Tiago Rodrigues, é um dos destaques da programação da temporada dos Teatros del Canal, centro de artes cénicas da capital espanhola, que apresentou na quarta-feira a sua programação para 2018/2019.

O diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II surge a par da coreógrafa norte-americana Meg Stuart, dos Estados Unidos, e dos dramaturgos e encenadores argentinos Lola Arias e Mariano Pensotti, indicados como os quatro principais artistas internacionais convidados, pelo teatro da Comunidade de Madrid.

Tiago Rodrigues vai levar "Sopro" à capital espanhola, peça que estreou no Festival de Avignon, em França, em julho do ano passado, protagonizada por Cristina Vidal, que trabalha como ponto no Teatro Nacional D. Maria II, há mais de 25 anos.

"Sopro" foi a primeira estreia do D. Maria II no festival francês, e a segunda criação do Nacional em Avignon, depois de "António e Cleópatra" (2015), também numa versão do diretor artístico do teatro. A peça esteve em cena em Lisboa, de 2 a 19 de novembro do ano passado.

A ideia de fazer "Sopro" surgiu a Tiago Rodrigues depois de se ter confrontado com a existência de pontos profissionais no D. Maria - os últimos em Portugal -, quando assumiu funções de diretor artístico do teatro nacional, em 2015, como explicou à Lusa, quando da estreia da obra.

Por ter trabalhado numa companhia independente, não sabia como os usar, mas a presença de Cristina Vidal nos ensaios tinha a "solenidade rigorosa de um samurai da palavra, e também da sabedoria de quem já trabalhou com atores de todos os estilos, idades e temperamentos", acrescentou na altura o diretor artístico do D. Maria II.

O lugar de partida de "Sopro" é assim a imagem de uma mulher nas ruínas de um teatro, onde foi ponto durante toda a vida.

"Que teatro habita a sua imaginação e a sua memória? Que mundo nos pode dar a ver, usando apenas o seu sopro invisível?" são perguntas a que procura responder.

A peça "Sopro" foi também convidada a participar no Festival Theaterformen, que decorreu este mês em Braunschweig, na Alemanha.

Entre os anúncios da programação das salas do centro cénico de Madrid, para a próxima temporada, está igualmente "Campo Minado", da argentina Lola Árias, em que a dramaturga e encenadora revisita a guerra Falklands/Malvinas, com soldados sobreviventes dos dois lados do campo de batalha.

"Campo Minado" esteve em cena em Portugal, no ano passado, na Culturgest, em Lisboa, e no Festival Internacional de Expressão Ibérica (FITEI), no Porto.

Mário Pensotti também regressou no ano passado a Lisboa, com "Arde Brilhante nos Bosques da Noite", peça que esteve em cena no Teatro Maria Matos, e Meg Stuart, premiada este ano com o Leão de Ouro de Carreira da Bienal de Dança de Veneza (que também distinguiu a cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas), apresentou "Blessed", em Serralves, no Porto, uma obra em coautoria com Francisco Camacho, inspirada no furacão Katrina.

Os quatro artistas são os cabeças-de-cartaz dos 51 espetáculos da próxima temporada anunciada pela diretora artística dos Teatros del Canal, Natalia Álvarez Simó, que começa em setembro e inclui ainda, entre outros nomes, os dramaturgos Arkadi Zaides, Rimini Protokoll e Mithkal Alzghair, peças das coreógrafas Lucinda Childs e Trisha Brown, e intervenções dos espanhóis Rodrigo García, Angélica Liddell e Rocío Molina.

Tópicos:

Arkadi Zaides Rimini Protokoll, Bienal Dança, Braunschweig, Lucinda Childs, Matos, Monteiro Freitas, Rodrigo García Angélica Liddell, Teatros,

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