Obras de Marina Abramovic, William Forstyhe e Meg Stuart no arranque da Bienal BoCA

| Cultura

A segunda edição da BoCA - Bienal de Artes Contemporâneas, este ano a decorrer em Lisboa, Porto e Braga, começa na sexta-feira, com obras de artistas como Marina Abramovic, William Forstyhe e Meg Stuart.

Com uma programação que cruza áreas artísticas até 30 de abril, nas três cidades, irá apresentar, nesta edição da bienal, 22 estreias mundiais, e contar com a participação de 52 artistas portugueses e estrangeiros.

O evento - que coloca em diálogo as artes visuais, a performance, as artes cénicas e a música - tem como objetivo "continuar a criar uma nova cartografia artística em espaços menos convencionais" no país, como salientou, em fevereiro, à agência Lusa, o diretor artístico, John Romão.

Entre os artistas cujas obras serão já visíveis a partir de sexta-feira, dia do arranque da bienal, contam-se Marina Abramovic, que apresentará a instalação "Spirit House" - criada para o antigo matadouro municipal nas Caldas da Rainha, em 1997 - e que agora volta, para ser exibida em Lisboa, nas Carpintarias de São Lázaro.

"Spirit House" é constituída por cinco vídeos que dialogam entre si, nos quais surge Marina Abramovic em diferentes performances criadas para a câmara: "Dissolution", "Insomnia", "Luminosity", "Dozing Consciousness" e "Lost Souls".

A BoCA apresenta ainda, pela primeira vez em Portugal, também a partir de sexta-feira, a vídeo-instalação "Alignigung 2" do coreógrafo William Forstyhe, em três museus de três cidades: o Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa), o Museu Nacional Soares dos Reis (Porto) e o Museu D. Diogo de Sousa (Braga).

"Alignigung 2" é um híbrido entre coreografia, filme e escultura, e conta com a colaboração musical de Ryoji Ikeda.

Outra criadora da área da dança - Meg Stuart -- que também se aventurou nas artes visuais e criou a vídeo-instalação "The only possible city" para a Bienal de Arte Contemporânea Manifesta, será agora recontextualizada na Capela das Albertas, dentro do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

Por seu turno, da área do cinema, os realizadores João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata vão mostrar no Museu da Água/Reservatório da Patriarcal, no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, a instalação "Identidade Nacional (Príncipe Real)".

Ali reúnem uma recontextualização dos corpos que os realizadores têm vindo a filmar, em filme, fotografia e adereços de filmes, numa reflexão sobre identidades, identidade de género e identidade nacional.

Além das 22 estreias mundiais, estão também previstas 15 estreias nacionais durante esta segunda edição da bienal, iniciada em 2017, que apresenta, este ano, Braga, como palco de descentralização da visibilidade dos artistas e dos seus projetos.

Teatros, museus, galerias, discotecas, igrejas e outros espaços culturais e monumentos das três cidades vão receber criações inéditas a nível mundial, ou pela primeira vez apresentadas em Portugal, entre as quais trabalhos da coreógrafa Marlene Monteiro Freitas, Leão de Prata de carreira da Bienal de Veneza, do escritor Gonçalo M. Tavares com Os Espacialistas, projeto de investigação de Arte e Arquitetura, da investigadora Yolanda Norton, voz do "feminismo negro", do fotógrafo Wolfgang Tillmans, vencedor do Prémio Turner, da dramaturga Angelica Lidell, do músico Gabriel Ferrandini e do artista português Pedro Barateiro.

Marlene Monteiro Freitas, coreógrafa e bailarina, apresentará em estreia mundial a sua primeira exposição/instalação "Cattivo -- Instalação para Estantes de Partitura e Outros Materiais", no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto.

O escritor Gonçalo M. Tavares & Os Espacialistas vão criar "um laboratório de forma de sentir acima da média", a partir do tema "Os animais e o Dinheiro", em conferências-performance que terão como palco o Teatro da Trindade, em Lisboa, o Teatro Rivoli, no Porto, e o Theatro Circo, em Braga.

Angelica Lidell, encenadora e dramaturga, vai estrear uma nova peça, "Lo Frío y lo Cruel", para um espaço não convencional, no Mosteiro de Tibães, em Braga, e também o baterista Gabriel Ferrandini apresentará a sua primeira criação de palco com texto e encenação, no Teatro Municipal do Porto e no Teatro Nacional D. Maria II.

Wolfgang Tillmans irá dar o seu primeiro concerto de música eletrónica em Portugal.

O espetáculo "Beyoncé Mass", de Yolanda Norton, enquadra-se no processo de "combate ao silenciamento e apagamento das mulheres negras, africanas e afrodescendentes na História e no tempo presente", com apelo ao peso de Beyoncé, enquanto figura pública, num processo que envolve também o INMUNE -- Instituto da Mulher Negra em Portugal.

A instalação "Spirit House", da artista Marina Abramovic, estará pela primeira vez em Lisboa, nas Carpintarias de São Lázaro.

O artista plástico Pedro Barateiro irá estrear a sua primeira criação em palco, concebida para o Teatro Nacional D. Maria II.

Entre outros espetáculos está prevista a coreografia e interpretação de Volmir Cordeiro intitulada "Rua", e interpretação de "Stimmung", a peça histórica de Karlheinz Stockhausen, pelo coro da Gulbenkian, na discoteca Lux, em Lisboa.

Quanto ao programa educativo da bienal, terá como projeto especial uma homenagem à artista plástica Helena Almeida (1934-2018), intitulada "Sente-me, Ouve-me, Vê-me", três obras emblemáticas na carreira da artista.

Este projeto, nomeado a partir da série homónima de Helena Almeida, mobilizou, desde janeiro, 15 estudantes da Escola Superior de Música de Lisboa, da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto e do Departamento de Música da Universidade do Minho, em Braga, a trabalhar com três curadores, Ana Cristina Cachola, Delfim Sardo e Filipa Oliveira.

 

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