Administradores Hospitalares reivindicam revisão da carreira e aumentos salariais entre 10 a 15%

por Antena 1

A Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) vai reunir no próximo dia 15 de janeiro com o Ministério da Saúde e espera que seja finalmente dado o pontapé de saída para a revisão da carreira. Os administradores hospitalares reivindicam a criação de uma carreira digna e competitiva e aumentos salariais "desejavelmente" idênticos aos de outras carreiras da saúde, entre 10 a 15 por cento.

Em entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, Xavier Barreto, o Presidente da APAH, lembra que a carreira está para ser revista há mais de 20 anos e que nos hospitais "há estruturas com enormes assimetrias, estruturas de gestão que praticamente não existem" e "pessoas colocadas nestes lugares-chave sem as competências, sem a formação e sem a experiência que deviam ter", a gerir orçamentos de centenas de milhões de euros. Xavier Barreto adianta que a questão central não é salarial, é a carreira, mas ainda assim admite que é um ponto que está em aberto. Refere que ainda não há um valor fechado, mas as outras carreiras abrem um precedente e a negociação de 10 ou 15 por cento tem de ter um efeito transversal nas outras carreiras. Em relação aos médicos, o presidente da APAH defende uma retribuição diferenciada em função da avaliação de desempenho e, por isso, vê como positivo o facto de o acordo com o Sindicato Independente dos Médicos ter tido como ponto central essa avaliação.

Preocupa-o, no entanto, o facto de existirem algumas diferenças salariais, com base em critérios que não são equitativos, como acontece com os CRI (Centros de Responsabilidade Integrada) ou mesmo nas USF (Unidades de Saúde Familiar) tipo B. Diferenças salariais nalguns casos superiores a mais de 50 por cento. Nesta entrevista, e recordando o cenário atual de escassez de médicos de família, Xavier Barreto defende a necessidade de avançar com a escolha de quem tem acesso e quem não tem ao médico de família, excluindo, por exemplo, os jovens sem comorbilidades, sem doenças e sem fatores de risco para dar prioridade a pessoas mais velhas, com mais doenças. No seu entender esta devia ter sido uma medida prioritária de implementação e não percebe porque é que não avançou. Sobre o atual momento de afluência às urgências por causa da gripe, considera que os hospitais não fazem mais porque não conseguem, admite que a situação pode piorar e que mais planos de contingência possam ser acionados. Ainda assim reconhece que o facto de as urgências estarem entregues muitas vezes a prestadores de serviços retira rapidez e qualidade ao serviço prestado, aumentando o tempo de espera. Assim como reconhece que também podem existir problemas de gestão nalgumas urgências. Já no que se refere ao sistema de referenciação através da Linha Saúde 24, Xavier Barreto prefere esperar mais algum tempo para avaliar resultados, mas desde já considera que o conceito faz sentido.

Sobre as demissões nas Administrações das Unidades Locais de Saúde, espera que a Ministra da Saúde no Parlamento possa dar mais explicações, mas lembra que o efeito pratico "é nenhum". Espera que os próximos Conselhos de Administração sejam tão capazes como alguns dos que foram demitidos. Xavier Barreto admite que a alteração seja uma questão de confiança política, mas lembra que o cargo é técnico.

O Presidente da APAH finaliza admitindo que o subfinanciamento do SNS vai continuar em 2025. Uma entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Maria Caetano, do Jornal de Negócios.
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