Apagão. Ministra da Energia quer pressionar França a apostar nas interconexões energéticas

A ministra da Energia acredita que o apagão ibérico de 28 de abril teria durado menos horas caso a península estivesse menos isolada. Em entrevista ao diário espanhol El País, Maria da Graça Carvalho defendeu a necessidade de pressionar França a apostar no aumento de interligações, mas acredita que esse país não tem esse interesse pois possui "muita energia nuclear".

RTP /
Foto: Rodrigo Antunes - Lusa

“Todos os governos lutam há anos para aumentar as interligações. Esta exigência está sempre presente nas cimeiras ibéricas”, lembrou a ministra portuguesa. “Penso que a França não está muito interessada porque tem muita energia nuclear”.

Maria da Graça Carvalho adiantou que Portugal e Espanha vão abordar esta questão com mais insistência em Bruxelas, pois “não se trata de uma questão bilateral ou trilateral”, mas sim “de uma questão europeia”.

“Estamos a enfrentar barreiras ao mercado interno, que é o pilar da construção europeia, e a França, ao não apoiar a velocidade com que pretendíamos construir estas interligações, está a colocar barreiras ao mercado interno".

"Vamos pedir o apoio da Comissão Europeia e solicitar uma reunião com a França. Este incidente mostra como as interconexões são importantes para a Europa”, declarou ao El País durante a entrevista, realizada na sexta-feira no seu gabinete, em Lisboa.

Na visão de Maria da Graça Carvalho, não há dúvida que, se a Península Ibérica tivesse mais interligações com França, o apagão teria sido menos grave. “Sem dúvida. A recuperação teria sido mais rápida. Quando cortámos a ligação com Espanha, ficámos sem qualquer outra ligação”, vincou.
Ainda não se sabe o que causou o apagão

Questionada sobre se há progressos no esclarecimento do sucedido, a responsável respondeu negativamente. “Sabemos quais são os primeiros centros que foram desligados e a zona, mas não temos sequer a certeza de que o problema tenha surgido aí. Temos de aguardar a análise dos dados”, afirmou.

Segundo a ministra, o Governo português tem estado em contacto permanente com a vizinha Espanha desde o dia do apagão.

“Há um contacto e uma cooperação entre os ministros e entre os secretários de Estado. Estamos satisfeitos com esta colaboração, que inclui a troca de dados técnicos da REN e da REE”, explicou, adiantando que teve uma reunião como homólogo espanhol na semana passada.

Quanto a um possível pedido de compensação financeira a Espanha por parte de Portugal devido à falha de energia, a ministra descartou para já a hipótese, defendendo que o objetivo neste momento é compreender o que se passou.

“Enquanto não compreendermos o que se passou, não abordaremos essa questão. Ao mesmo tempo, estamos a trabalhar para prevenir incidentes desta natureza e, se acontecer - porque não há garantias de que não aconteça - que medidas podemos tomar para que a recuperação seja mais rápida”.

Maria da Graça Carvalho lembrou que Portugal demorou “cerca de dez horas a recuperar” e foi “felicitado” por isso. “Tendo em conta a gravidade, foi uma recuperação bastante razoável, mas, ainda assim, temos de pensar em como recuperar mais rapidamente”, insistiu.
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