Camionistas recuam e mantém paralisação

Centenas de camionistas prosseguem a paralisação contra o aumento dos combustíveis. O protesto chegou a ser desconvocado ao início desta madrugada, no entanto, após contactar todos os piquetes de greve, a comissão acabou por recuar e mater a paralisação.

Cristina Sambado, RTP /
Transportadores mantém paralisação por tempo indeterminado e amanhã ameaçam "bloquear" Lisboa e Porto Luís Forra/Lusa

"Decidimos recuar na decisão. A vontade dos piquetes não é essa. Demorámos cerca de uma hora a contactar todos os piquetes de greve e agora decidimos recuar e continuar a paralisação", afirmou Silvino Lopes um dos líderes do protesto.

Horas antes, Jorge Lemos tinha anunciado a suspensão da paralisação depois de uma reunião da comissão com a ANTRAM, que desde sábado se opõe à paralisação, e em que esta apresentou os resultados das negociações que manteve com o Ministérios das Obras Públicas e Transportes.

Este recuo, de prosseguir com a paralisação, está a provocar divisões na estrutura que convocou o bloqueio. Jorge Lemos, um dos elementos que defende o fim do protesto abandonou a comissão acompanhado por mais dois transportadores.

Camionistas da região Centro levantaram paralisação

O camionistas da região centro, concentrados em Coimbra, Penacova, Pombal, Batalha, Figueira da Foz e Condeixa-a-Nova, decidiram suspender a paralisação, revelou Sousa Gomes, empresário de Pombal.

"Foi levantada a paralisação a nível da região centro", afirmou Sousa Gomes, cerca das 04:30.

Sousa Gomes recusou pronunciar-se sobre o que está a acontecer noutros locais, mas afasta a possibilidade de existirem "divisões na comissão".

A decisão, de levantar a paralisação, foi anunciada depois de uma reunião de cerca de meia hora entre o empresário e os manifestantes presentes no local, que foram aconselhados "a seguir viagem só durante o dia".

Paralisação pode provocar ruptura de stocks

As grandes superfícies e as gasolineiras já estão à beira da ruptura dos stocks.

Os alimentos frescos – legumes, fruta, peixe, carne e leite – podem começar a faltar já hoje nas prateleiras dos supermercados.

Ontem, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) e a Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA) alertaram para que o prolongamento da paralisação dos transportadores pode causar cortes nos abastecimentos ao público.

A GALP e a BP admitem que as estações de serviço poderão começar a sentir dificuldades no abastecimento.
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