Comissão deixa claro que Estado e contribuintes foram privilegiados, diz Mexia

| Economia

O presidente executivo da EDP, António Mexia, considerou hoje que a comissão parlamentar de inquérito ao pagamento de rendas excessivas aos produtores de eletricidade, que está na reta final, deixa claro que o Estado e o contribuinte foram os beneficiados.

"Tem dado contributos claros da não existência de rendas excessivas [no setor elétrico aos produtores]. Fica claro que foram privilegiados o Estado e o contribuinte", afirmou hoje António Mexia em conferência de imprensa, em Londres, quando questionado sobre a comissão parlamentar de inquérito.

Esta comissão já realizou 52 audições a especialistas em energia, antigos governantes do setor e os assessores que tinham à época, antigos e atuais responsáveis da Autoridade da Concorrência, da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), assim como a gestores de empresas.

Em relação às energias renováveis, acrescentou o gestor, fica claro que Portugal fez a aposta na altura certa, realçando que "as energias renováveis só podem contribuir para uma descida do preço da eletricidade".

A audição de António Mexia em 26 de fevereiro, com uma duração de 06:22, foi a mais longa das 52 já realizadas, segundo contas feitas pela agência Lusa.

Hoje António Mexia disse não ter "nenhuma preocupação" com as conclusões dos trabalhos da comissão constituída em maio do ano passado, por proposta do Bloco de Esquerda.

"Não tenho nenhuma preocupação. E vi uma série de pessoas dizer que sempre tiveram uma boa relação, a dizer que a EDP era profissional e fez o que tinha a fazer. E foi o que aconteceu: a EDP fez o seu trabalho de uma forma profissional e transparente", declarou.

Ainda na quarta-feira passada, o ex-secretário de Estado da Energia Jorge Seguro Sanches afirmou que ao longo do mandato - entre novembro de 2015 e outubro de 2018 - teve "a melhor das relações com a EDP e foi possível resolver problemas que existiam de forma construtiva", referindo que a elétrica "faz muito bem esse trabalho".

"Sei que a EDP vive um período de instabilidade muito grande, porque tem dificuldades relacionadas com organização interna, mas com os vários interlocutores que tive, houve canais positivos de diálogo. Ter uma atitude colaborante não significa não ser rigoroso", acrescentou então o antigo governante.

Na audição no parlamento, António Mexia defendeu que a elétrica é a empresa "mais escrutinada do país", rejeitando a existência de "rendas excessivas na eletricidade", e defendeu que o que é excessiva é a "demagogia e manipulação".

"Não há rendas excessivas na eletricidade. A única coisa que é excessiva é a demagogia e a manipulação", afirmou então António Mexia.

Na sua intervenção inicial, António Mexia disse que a EDP não quer privilégios, quer "apenas ser tratada com a objetividade e isenção e muitas vezes tem faltado fundamentação técnica e objetividade", referindo que "chega da manipulação e distorção de factos".

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