"Complicadíssima situação financeira". Global Media avança com despedimento coletivo

O grupo Global Media anunciou esta terça-feira um despedimento coletivo que inclui a demissão da atual direção do Diário de Notícias. A administração reconhece o impacto desta reestruturação no jornal, mas garante que era a única solução devido à grave situação financeira provocada pela gestão dos últimos meses.

Joana Raposo Santos - RTP /
Miguel A. Lopes - Lusa

“O Global Media Group iniciou hoje o processo de reestruturação de equipas internas, o que nos forçou a um despedimento coletivo fundamentado na complicadíssima situação financeira que resultou da gestão dos últimos meses, cujo impacto foi público”, justificou a administração do Global Media.

Do processo de reestruturação decorre também a saída do diretor do Diário de Notícias, José Júdice, e da restante direção, tema sobre o qual foi solicitado um parecer ao Conselho de Redação, adianta o comunicado.

“Estando conscientes de que este processo tem grande impacto nas operações do Diário de Notícias, tudo faremos para minorar as suas consequências”, assegura o grupo, segundo o qual “a situação atual era insustentável tanto do ponto de vista financeiro como do ponto de vista da equidade com os profissionais que há muito tempo mantêm viva a chama editorial do Diário de Notícias”.

A decisão agora anunciada prevê o lançamento de um “projeto renovado” para o DN, que será desenvolvido em “articulação profunda” com a atual redação.
Diretor do Dinheiro Vivo assume direção interina
A partir de agora, a direção interina do Diário de Notícias é assumida pelo jornalista Bruno Contreiras Mateus, atual diretor do Dinheiro Vivo. Após um período de transição de três meses, este irá sair do Global Media Group “para se dedicar a projetos pessoais, à docência e à investigação académica”.

“Com mais de 20 anos de experiência, nos últimos oito no Global Media Group já ocupou funções de subdiretor do DN, head of digital do DV e da área de revistas, na Notícias Magazine, Evasões, Volta ao Mundo e Delas, e integrou ainda a Direção de Inovação do GMG”, lê-se no comunicado.

O despedimento coletivo acontece depois de uma onda de despedimentos originados por uma crise financeira no grupo, que detém também órgãos de comunicação como o Jornal de Notícias e a TSF.

A polémica originou diversos protestos e levou a que no final do ano passado, pela primeira vez em 35 anos, o Jornal de Notícias não chegasse às bancas.

Em fevereiro foi assinado um acordo para a compra do JN, TSF e O Jogo por um grupo de investidores e empresários, o que permitiu garantir que os salários de janeiro em atraso fossem pagos aos trabalhadores. No entanto, o DN e o Dinheiro Vivo não foram adquiridos.
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