Economia
Crash bolsista coloca Trump em apuros
Uma das poucas coisas que pareciam correr bem no atribulado mandato presidencial de Donald Trump era a euforia dos mercados. Agora, essa euforia dá sinais de cair a pique.
Ainda no forum económico mundial de Davos, o inquilino da Casa Branca pronunciara um discurso apoteótico e voltara a festejar a tendência altista da bolsa afirmando: "Desde a minha eleição, o mercado bate um recorde após outro".
Na sexta-feira, porém, ao ser anunciada mais uma evolução positiva nas estatísticas do emprego, o mercado dera uma primeira mostra do pouco que isso lhe importa, baixando em 666 pontos no final da sessão os valores cotados no Dow Jones. O Wall Street Journal não perdeu tempo e logo profetizou um ajustamento na casa dos dois dígitos para os inflacionados valores do mercado. E não foi preciso esperar mais uma semana para a profecia se ver confirmada.
Ontem, ao visitar uma hidroelétrica no Ohio, Trump iniciou um discurso em tom triunfalista idêntico ao de Davos e, a meio, alguém lhe disse que estavam a chegar dados desse mesmo Dow Jones indicando o maior crash bolsista desde Agosto de 2011. O descalabro ia até 1600 pontos, e no final da sesão ficou nuns ainda assim imodestos 1175 pontos - ou seja, uma quebra de 4,6 por cento.
Trump alterou rapidamente o guião do discurso, limitando-se a falar dos sucessos da política económica e silenciando, por uma vez, a habitual exaltação da bolha especulativa. Mas o que dizia o presidente já importava relativamente pouco, porque o colapso dos valores cotados em bolsa lhe tinha roubado o show: a sua fiel cadeia televisiva Fox News interrompeu a transmissão em directo do discurso, para falar do que verdadeiramente passara a ser notícia.
Para boa parte da imprensa de ontem, ao final da tarde, já havia motivo para falar em "pânico". Para uma parte não menos significativa dos comentadores, a novidade inquietante desta crise não era tanto a profundidade da queda, como a perda de controlo sobre algoritmos que se tinham tornado um factor de aceleração.
Quanto às tendências de fundo, não faltava quem continuasse a emitir juízos tranquilizadores e a alertar contra o "pânico" induzido por comparações demasiado apressadas com a "segunda feira negra" de 1987 (quebra de 23 por cento nos valores do Dow Jones, superior aos 13 por cento dessa outra segunda feira, mais histórica, de 1929).
Entre os motivos para a quebra registada nesta segunda feira, aponta-se o render da guarda à frente do Federal Reserve Bank - Janet Yellen a ser substituída, precisamente ontem, por Jerome Powell, cuja política continua a ser em larga medida uma incógnita.
Por outro lado, a recente reforma fiscal que Trump apresentou como encorajadora do investimento, e que efectivamente teve efeitos de curto prazo dinamizadores da conjuntura, avoluma por outro lado as apreensões sobre uma espiral inflacionista, que a bolsa ontem reflectiu.
Na sexta-feira, porém, ao ser anunciada mais uma evolução positiva nas estatísticas do emprego, o mercado dera uma primeira mostra do pouco que isso lhe importa, baixando em 666 pontos no final da sessão os valores cotados no Dow Jones. O Wall Street Journal não perdeu tempo e logo profetizou um ajustamento na casa dos dois dígitos para os inflacionados valores do mercado. E não foi preciso esperar mais uma semana para a profecia se ver confirmada.
Ontem, ao visitar uma hidroelétrica no Ohio, Trump iniciou um discurso em tom triunfalista idêntico ao de Davos e, a meio, alguém lhe disse que estavam a chegar dados desse mesmo Dow Jones indicando o maior crash bolsista desde Agosto de 2011. O descalabro ia até 1600 pontos, e no final da sesão ficou nuns ainda assim imodestos 1175 pontos - ou seja, uma quebra de 4,6 por cento.
Trump alterou rapidamente o guião do discurso, limitando-se a falar dos sucessos da política económica e silenciando, por uma vez, a habitual exaltação da bolha especulativa. Mas o que dizia o presidente já importava relativamente pouco, porque o colapso dos valores cotados em bolsa lhe tinha roubado o show: a sua fiel cadeia televisiva Fox News interrompeu a transmissão em directo do discurso, para falar do que verdadeiramente passara a ser notícia.
Para boa parte da imprensa de ontem, ao final da tarde, já havia motivo para falar em "pânico". Para uma parte não menos significativa dos comentadores, a novidade inquietante desta crise não era tanto a profundidade da queda, como a perda de controlo sobre algoritmos que se tinham tornado um factor de aceleração.
Quanto às tendências de fundo, não faltava quem continuasse a emitir juízos tranquilizadores e a alertar contra o "pânico" induzido por comparações demasiado apressadas com a "segunda feira negra" de 1987 (quebra de 23 por cento nos valores do Dow Jones, superior aos 13 por cento dessa outra segunda feira, mais histórica, de 1929).
Entre os motivos para a quebra registada nesta segunda feira, aponta-se o render da guarda à frente do Federal Reserve Bank - Janet Yellen a ser substituída, precisamente ontem, por Jerome Powell, cuja política continua a ser em larga medida uma incógnita.
Por outro lado, a recente reforma fiscal que Trump apresentou como encorajadora do investimento, e que efectivamente teve efeitos de curto prazo dinamizadores da conjuntura, avoluma por outro lado as apreensões sobre uma espiral inflacionista, que a bolsa ontem reflectiu.