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"Equilíbrio delicado". Agência Fitch a contar com défice português em 2026 e 2027

"Equilíbrio delicado". Agência Fitch a contar com défice português em 2026 e 2027

Utku Bora, diretor associado de notação financeira soberana da Fitch, salientou que a agência antevê pequenas derrapagens orçamentais em 2026 e 2027.

Carlos Santos Neves - RTP /
Justin Lane - EPA

A agência de notação financeira Fitch estima que Portugal pode vir a apresentar este ano um défice orçamental de 0,8 por cento do PIB, fruto das medidas de resposta aos estragos das intempéries e da volatilidade potenciada pela ofensiva de Israel e Estados Unidos contra o Irão.

Foi durante um webinar sobre as perspetivas para Portugal, acompanhado pela agência Lusa, que Utku Bora, diretor associado de ratings soberanos da agência, apontou para pequenas derrapagens das contas públicas este ano e em 2027.A Fitch prevê para 2025 um défice de 0,8 por cento do Produto Interno Bruto, desempenho que ficará a dever-se à despesa com os apoios pós-depressões climatéricas.

Recorde-se que, perante os impactos da guerra no Médio Oriente, o Governo anunciou medidas como o desconto no ISP. Contudo, a situação é incerta, como sublinhou o responsável da agência de notação.

"Há um equilíbrio delicado e tudo depende da evolução dos preços do petróleo e do impacto da tempestade", apontou Utku Bora, para acrescentar que o Executivo de Luís Montenegro poderá ver-se na contingência de ter de optar entre responder à inflação ou preservar o saldo das contas públicas.

Por outro lado, um maior recurso a empréstimos no quadro do Plano de Recuperação e Resiliência "também acrescenta pressão".

O analista sublinhou, todavia, que para este anos é esperado um saldo positivo mais alto do que o previsto, em virtude das receitas fiscais.

A Fitch conservou, a 6 de março, a notação da dívida portuguesa em "A" e acertou em alta a perspetiva para positiva.

A revisão espelhou a avaliação  "de que a dívida pública de Portugal em relação ao PIB continuará a cair de forma significativa" de 2026 a 2029, tendo por base "uma política orçamental prudente, com défices que se mantêm bem abaixo da mediana do grupo de pares"."O caminho voltou a ficar bastante estreito"


O ministro das Finanças indicou na terça-feira que, por agora, o Governo não vê “necessidade de um orçamento retificativo. Miranda Sarmento ressalvou, contudo, que tal “não significa” que, “se as circunstâncias o impuserem, não tenha que se reequacionar” esta posição.

“Quando construímos o Orçamento para 2026 e quando ele foi aprovado no Parlamento, a margem era muito estreita, porque nós temos 0,8 por cento do PIB, cerca de 2,5 mil milhões de empréstimos do PRR, de despesa extraordinária que não tem correspondência do lado da receita”, começou por afirmar, a partir de Bruxelas, o titular da pasta das Finanças.

“Os bons resultados de 2025, que serão conhecidos no dia 26 de março - será um superávit acima dos 0,3 que o Governo estava a projetar - tornavam o caminho um bocadinho menos estreito”
, prosseguiu.

“Aconteceram duas coisas muito importantes nos primeiros dois meses do ano: por um lado, o comboio de tempestades, que teve um impacto muito significativo numa parte do território nacional e que vai ter um impacto orçamental significativo, e agora este conflito do Irão, que também não sabemos quanto tempo vai durar”.

“O caminho voltou a ficar bastante estreito”
, frisou Joaquim Miranda Sarmento.“Nós mantemos o compromisso de manter o equilíbrio das contas públicas e de continuar a reduzir a dívida pública”, quis vincar o ministro das Finanças.

Questionado pelos jornalistas sobre um eventual orçamento retificativo, perante os impactos da ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão, o ministro retorquiu: “Não vemos, à data de hoje uma necessidade de um orçamento retificativo”.

Isso não significa que mais à frente, se as circunstâncias o impuserem, não tenha que se reequacionar essa questão. Mas neste momento não há necessidade de um orçamento retificativo”, completou.

c/ Lusa

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