FMI avisa que Portugal precisa de mais medidas para cumprir défice

por Ana Sanlez - RTP
Rafael Marchante - Reuters

O FMI avisa que Portugal precisa de adotar medidas adicionais para atingir a meta do défice este ano. O alerta foi dado esta sexta-feira por Paul Thomsen, atual responsável do Fundo Monetário Internacional para a Europa. Thomsen considera que “Portugal está numa situação difícil” por ter negligenciado a política orçamental nos últimos dois anos.

Portugal “está a caminhar pelo caminho errado”. As palavras duras, mas não inéditas, pertencem a Paul Thomsen, ex-chefe de missão do FMI para Portugal, e foram proferidas esta sexta-feira numa conferência de imprensa em Washington, no âmbito das Reuniões da Primavera do FMI.

O número um do departamento europeu do FMI acusa o país de ter negligenciado a política orçamental nos últimos dois anos.

“Portugal está numa situação difícil, adotou reformas estruturais importantes e está, essencialmente, numa posição melhor face à que estava antes da crise global”, começou por dizer o responsável dinamarquês.



No entanto, Thomsen acusa Portugal de ter optado por um caminho de “relaxamento orçamental nos últimos dois anos, que vai claramente na direção errada para um país que não tem margem orçamental e uma dívida elevada”, aponta Thomsen.

Por isso, o FMI concluiu que “são necessárias medidas adicionais para atingir a meta do défice de 2,2 ou 2,3 por cento que o governo estabeleceu”, revelou Poul Thomsen.

O dinamarquês acrescentou ainda que nos últimos contactos que o FMI teve com o Governo português, o Executivo pareceu "estar disposto a tomar as tais medidas adicionais, se necessário, para cumprir a meta".
Avisos reforçados
No orçamento do Estado para 2016, o Governo aponta uma meta do défice de 2,2 por cento, um objetivo que tem sido posto em causa por entidades como a Comissão Europeia, o Conselho de Finanças Públicas e o próprio FMI.

Já no relatório da terceira avaliação pós-Programa de Assistência Económica e Financeira, publicado a 1 de abril, a instituição chefiada por Christine Lagarde alertava o Governo para a necessidade de adotar um “plano de contigência”.

O FMI salientava os “riscos significativos para a execução” do Orçamento do Estado e aconselhava o Governo a adiar o fim dos dos cortes salariais e da sobretaxa.

Sem essas medidas o FMI estima um défice de já 2,9 por cento do PIB para este ano.

Medidas como o regresso das 35 horas de trabalho na Função Pública também podem, segundo o FMI, implicar novos riscos orçamentais.

No alerta emitido no início do mês, o FMI acrescentava que mesmo com medidas adicionais, Portugal continuaria a ter muitas dificuldades em reduzir a dívida pública, que segundo as previsões da instituição deverá ficar nos 127,9 por cento do PIB. Uma situação que deixa Portugal, na ótica do FMI, "vulnerável a mudanças no sentimento dos mercados".

O Ministério das Finanças reforçou na altura o empenho em alcançar as metas definidas para este ano, e garantiu que “trabalhará, de forma franca e aberta, com o FMI na 4ª missão PPM, que deverá ocorrer em junho”.


c/ Reuters
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